Pitico Fernando Priamo

Como tratamos nossos pais? O amor dedicado a eles não cabe somente em um único domingo, como o de hoje, com palavras bonitas e almoços em família.

Claro que esse comportamento é muto importante e está carregado de afetos. Mas, o nosso desafio em amá-los mais, vai além: revela-se na escuta, na paciência e, sobretudo, no compromisso de garantir uma velhice digna. Um dever coletivo.

A maneira como a cidade trata seus pais envelhecidos demonstra muito mais do que sua capacidade de governá-la. Revela seus valores ou a falta deles. Uma cidade que abandona as pessoas idosas está mostrando às crianças que o cuidado tem prazo de validade. Está dizendo à elas que o futuro pode ser um lugar de solidão. Está negando a própria memória. Vamos romper com essa lógica!

Cuidar dos pais é um gesto de grandeza de amor, mas também é um ato de cidadania. É defender políticas públicas, fortalecer redes de cuidados, combater a violência e exigir que o envelhecimento seja reconhecido como prioridade, e não como pauta secundária. O envelhecimento deve estar na centralidade da agenda pública de todas as cidades. Inclusive, na nossa!

Neste Dia dos Pais, dedico essa Coluna ao meu pai. Em memória. José Adalberto da Silva. O Daú: o “Rivelino” do asfalto.

O melhor presente a ser dado aos nossos pais, mais do que um presente material, comprado no comércio, é firmar um compromisso político de ajudar a construir uma cidade onde ninguém tenha medo de envelhecer. Construir um país que reconheça as pessoas idosas como sendo o seu maior patrimônio.

Criar uma cultura que compreenda que cuidar de quem veio antes garanta dignidade para quem virá depois. Todos nós envelhecemos, independentemente, de sermos pais ou não. É a lei da vida. O que não deve ser natural, e que precisa ser mudado, é envelhecer na invisibilidade, no abandono e na indiferença. Isso não deveria ser o nosso futuro.

Vamos fazer diferente. Por conta desse domingo do dia dos pais, vale a reflexão : estamos oferecendo presença inteira ou apenas formalidades com visitas apressadas?. Estamos dando amor ou apenas sobrevivência?

Acredito que cuidar dos nossos pais é sim um gesto concreto e gigante de gratidão. Não há dúvidas. Mas, é também, o convite para a construção de uma sociabilidade humana justa, amorosa e cidadã. É uma decisão política. É um compromisso ético. O futuro de nossa civilização não será medido pela quantidade de algoritmos existentes. Será medido pela forma como tratamos quem envelhece.

O post A velhice dos pais é o espelho do nosso futuro apareceu primeiro em Tribuna de Minas.