A campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL) concentra, neste momento, grande parte dos esforços em São Paulo com o objetivo de reduzir a vantagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no maior colégio eleitoral do país. A avaliação interna é de que uma virada na capital paulista pode ser determinante para alterar o cenário da disputa presidencial.

Nos bastidores, auxiliares do candidato fizeram uma conta após o café da manhã promovido pelo prefeito Ricardo Nunes (MDB) com vereadores da base aliada e antecipado com exclusividade pela coluna. Segundo integrantes da campanha, os 21 parlamentares presentes representam, juntos, um universo de aproximadamente 3 milhões de votos, potencial considerado suficiente para reverter a diferença registrada na eleição de 2022.

Naquele pleito, Lula (PT) recebeu 3.677.921 votos na capital paulista, o equivalente a 53,54% dos votos válidos. Ja Jair Bolsonaro (PL) obteve 3.191.484 votos, ou 46,46%, uma diferença de 486.437 votos, correspondente a 7,08%. A leitura da campanha é que esse espaço pode ser reduzido por meio de uma atuação coordenada dos vereadores nas ruas e nas redes sociais.

Além de caminhadas, encontros e ações de mobilização, os parlamentares também receberam a missão, sob comando de Nunes, de reforçar a presença digital da campanha, concentrando críticas às gestões de Lula e do ex-ministro Fernando Haddad (PT).

Como a Jovem Pan vem mostrando, o fortalecimento da campanha em São Paulo ganhou intensidade após a transferência do escritório político de Flávio para a capital paulista. Entre os fatores que motivaram a decisão está a avaliação de que a cidade pode representar o principal espaço de crescimento do candidato, além da atuação de Ricardo Nunes, tratado por aliados como um dos principais cabos eleitorais da campanha, com protagonismo até maior que o do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos).

A chegada do marqueteiro Duda Lima também reforçou esse direcionamento. Responsável pela campanha que reelegeu Ricardo Nunes em 2024, ele é visto por integrantes da equipe como um conhecedor do eleitorado paulistano e capaz de contribuir para ampliar o desempenho de Flávio Bolsonaro na capital.

Por isso, a maior parte das agendas do candidato ao Palácio do Planalto deve ocorrer em São Paulo, especialmente ao lado de Tarcísio e Ricardo Nunes. Embora Flávio manifeste preferência por iniciar oficialmente a campanha, em 16 de agosto, no Rio de Janeiro, reduto político da família Bolsonaro, integrantes da equipe defendem que o lançamento ocorra em São Paulo ou até mesmo no Nordeste.

Para o Nordeste, a campanha planeja, ainda, uma agenda em Maranguape, no Ceará. A proposta é realizar um evento voltado à segurança pública na cidade, que é a mais perigosa do país e administrada pela oposição, com o prefeito Átila Câmara (PSB), em um estado governado por Elmano de Freitas (PT).

Nos bastidores, aliados também afirmam que a comunicação do candidato deve ganhar um tom mais combativo nas próximas semanas. A avaliação é de que a campanha pretende intensificar o discurso de polarização com o presidente Lula, orientação que, segundo interlocutores, também passou a ser defendida pelo novo comando da comunicação eleitoral. Duda Lima tem pedido aumento do “nós contra eles” em reuniões.