Desde o momento em que Flávio Bolsonaro (PL-RJ) foi colocado como pré-candidato à Presidência e decidiu concorrer ao Planalto, tentou-se costurar alianças com vários partidos do Centrão, principalmente o Progressistas e o União Brasil, que são federados.
Após muitas indas e vindas, principalmente nas últimas três semanas, os ‘caciques’ do PP já diziam, e a Jovem Pan antecipava, que o partido de Ciro Nogueira não queria apoiar Flávio Bolsonaro, queria manter a neutralidade. Um dos motivos é uma magoa de Ciro com o senador em relação ao Caso Master, em que ele não teria recebido o apoio suficiente do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Além disso, parte das bancadas regionais não queriam apoiar Flávio, queriam ficar livres para poder, inclusive, apoiar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em algumas regiões.
Nesta semana houve uma onda de pressão sobre Ciro Nogueira em busca de apoio a candidatura de Flávio. O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), foi um dos envolvidos. Conforme adiantado pela Jovem Pan, o comandante do Estado de São Paulo defendeu uma aliança entre PL e PP. Durante a conversa, o governador tentou viabilizar o nome da ex-ministra da Agricultura Tereza Cristina (PP) para a vaga de vice na chapa de Flávio. Entretanto, entre integrantes do Progressistas, porém, a possibilidade era considerada remota.
Tereza Cristina como vice era um ótimo nome para Flávio Bolsonaro pelo fato dela ser uma mulher que sinaliza para o agro e também é alguém mais ‘moderada’.
Contudo, mesmo com toda a movimentação em torno de Ciro, o senador não balançou e manteve a neutralidade do partido. Na sexta-feira (31), o PP acabou com as dúvidas que ainda existiam e anunciou que manterá a neutralidade nas eleições de 2026 e a senadora Tereza Cristina acatou a decisão do partido, o que inviabilizou a indicação dela como candidata a vice-presidente.
“O PP fez consulta aos seus diretórios estaduais e, por maioria, decidiu permanecer na neutralide no processo eleitoral, reiterando a posição de não convocar Convenção Nacional. A decisão já foi comunicada e acatada pela senadora Tereza Cristina, nossa líder no Senado Federal”, Nota divulgada pelo PP
Flávio reagiu à decisão e afirmou que respeita a decisão do Progressistas.
“Fiquei muito honrado quando ela aceitou o convite para caminhar conosco na qualidade de candidata a vice-presidente e, por questões internas do Progressistas, vimos essa nota dizendo sobre a neutralidade do partido”, Flávio Bolsonaro
Questionado sobre a possibilidade de tentar mudar a decisão da legenda, Flávio Bolsonaro indicou que continuará buscando um entendimento. “Essa nota deixou bem claro que o partido tinha decidido, por maioria, pela neutralidade. Óbvio que eu respeito, mas eu sou brasileiro, não desisto nunca. Vamos continuar nas conversas”, declarou.
Sem Tereza, conforme adianteado pelo colunista Bruno Pinheiro, o agronegócio colocou dois nomes novos na mesa: Pedro Lupion, do Republicanos-PR e atual presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), e o deputado federal Domingos Sávio (PL-MG), hoje pré-candidato ao Senado. Entre os dois, é o nome de Lupion que ganhou força no entorno do senador nos últimos dias, justamente pela costura que ele já mantém com a bancada ruralista no Congresso.
Para nomes do entorno de Flávio ouvidos pela reportagem, o desafio agora é outro: convencer Marcos Pereira, presidente nacional do Republicanos, a liberar um de seus quadros para a chapa.
