Muito presente na rotina de banho, o esfoliante corporal costuma ser tratado como um item de beleza que deixa a pele “mais macia”. Mas, não é só isso que o produto faz. Ele tem uma função bem definida, que é remover as células mortas acumuladas na camada mais superficial da pele, a chamada camada córnea.

Esse processo de renovação celular acontece naturalmente, mas costuma ficar mais lento com o avançar da idade e com a exposição a fatores externos, como sol e poluição. Quando isso acontece, a pele costuma ficar mais opaca, áspera e com textura irregular, sendo necessária uma esfoliação.

“A camada córnea é formada por células queratinizadas, os corneócitos, que estão organizadas em meio a uma matriz de lipídios. Essas células passam naturalmente por um processo contínuo de renovação e descamação, porém, no processo de esfoliação, aceleramos o seu desprendimento. Com isso, a superfície da pele tende a ficar mais lisa, uniforme e com menos aspereza”, explica Samara Kouzak, dermatologista.

Existem dois tipos principais de esfoliante: o físico, que é feito em casa mesmo, e o químico, que é feito em consultório.

O físico faz uma leve abrasão mecânica na pele por meio de partículas sólidas, como grânulos, açúcar ou microesferas.

Já o químico age de forma diferente, por meio de ácidos, como o lático ou o glicólico, ou enzimas, que dissolvem a ligação entre as células mortas sem a necessidade de fricção. Nos dois, o resultado esperado é de poros desobstruídos, textura mais uniforme e melhor absorção dos produtos aplicados na sequência, como os hidratantes, por exemplo.

“Não existe um tipo universalmente melhor. A escolha depende das características da pele e do objetivo do tratamento. Em uma pele mais espessa e resistente, uma esfoliação física suave pode ser bem tolerada. Já em peles mais sensíveis, o atrito excessivo pode ser agressivo, e muitas vezes optamos por ativos químicos em concentrações adequadas e formulações mais suaves”, acrescenta Kouzak.

Como usar os esfoliantes em casa

A recomendação dos especialistas é usar o esfoliante na pele limpa e úmida, durante o banho, aplicando o produto depois do sabonete e antes do hidratante. Durante o banho, é interessante usar água morna, já que ela ajuda a abrir os poros e deixa a pele mais receptiva ao procedimento.

A escolha do tipo de esfoliante também deve considerar a região do corpo. Em áreas em que a pele é mais grossa e áspera, como cotovelos, joelhos e calcanhares, podem ser usados aqueles com partículas maiores. Já nas regiões mais finas, como o colo e a parte interna dos braços, produtos mais suaves e uma aplicação mais delicada são indicados.

A frequência do uso desses produtos é outro ponto que merece atenção, segundo os profissionais ouvidos pela reportagem da CNN Brasil.

Para peles normais, a esfoliação corporal costuma ser indicada de uma a duas vezes por semana. Peles sensíveis podem exigir um intervalo maior, chegando a uma vez por mês.

Fazer o processo além da conta, não melhora o resultado, pelo contrário, aumenta o risco de comprometer a proteção natural da pele.

Quando essa barreira é constantemente removida, o corpo entra em um ciclo de irritação, e o resultado costuma ser pele repuxada, sensível, avermelhada e mais propensa à descamação.

“Ardor, vermelhidão, coceira, ressecamento e sensação de pele repuxando podem indicar excesso de esfoliação. Se até água ou hidratante começarem a arder, é sinal de que a proteção da pele pode estar comprometida. Nesse caso, o ideal é pausar a esfoliação e usar produtos suaves até a pele se recuperar”, explica Luciana Conrado, dermatologista.

Há ainda situações em que a esfoliação não é indicada. Em casos de acne inflamada, eczema ou psoríase ativa, o procedimento pode piorar o quadro em vez de ajudar, aumentando o risco de irritação e infecção. Nesses casos, a orientação é evitar qualquer tipo de esfoliante até consultar um dermatologista.

“Evite esfoliar a pele quando ela estiver queimada de sol, machucada, irritada ou com alguma inflamação. Também é preciso cuidado se você usa produtos contendo retinoides, ácidos glicólico ou salicílico. Não faça esfoliação na sua pele se tiver a pele muito sensível, com rosácea ou dermatites. Nesses casos, a esfoliação pode piorar a irritação”, acrescenta Conrado.

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