janela do ceu ibitipoca foto leonardo costa

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Janela do Céu é um dos principais atrativos do Parque Estadual do Ibitipoca (Foto: Leonardo Costa)

O Parque Estadual do Ibitipoca, em Conceição do Ibitipoca, distrito de Lima Duarte, poderá receber 20% a mais de visitantes por dia. Uma proposta de aumento do limite diário de visitação de mil para 1,2 mil pessoas foi enviada ao Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) pelo Instituto Estadual de Florestas (IEF). A decisão, no entanto, ainda depende de uma análise técnica da Coordenadoria Estadual de Apoio Técnico (CEAT), solicitada pelo órgão ministerial, para verificar se a Unidade de Conservação (UC) tem capacidade de suportar a mudança sem comprometer a preservação ambiental, as condições de manejo e a infraestrutura do parque. 

Como consta no processo administrativo a que a Tribuna teve acesso, o pedido foi apresentado pelo IEF com base em estudos técnicos e na avaliação de indicadores ambientais e operacionais da unidade de conservação. Durante a tramitação do procedimento, a Secretaria Municipal de Meio Ambiente, a Secretaria Municipal de Turismo e o Departamento Municipal de Água e Esgoto (Demae) de Lima Duarte manifestaram-se favoráveis à ampliação, desde que haja monitoramento permanente dos impactos ambientais e da infraestrutura local. 

O despacho que determinou o envio do caso à CEAT destaca que o estudo de capacidade de carga que fundamenta o limite atual de visitação foi elaborado em 2014, como adendo ao Plano de Manejo do parque. Diante disso, o MPMG considera necessária uma avaliação técnica atualizada sobre a capacidade de suporte ambiental, operacional e de manejo da unidade antes de deliberar sobre o pedido do IEF. 

A análise deverá considerar, entre outros aspectos, se o estudo de 2014 permanece tecnicamente adequado, a necessidade de novos levantamentos, os impactos ambientais decorrentes da visitação, as condições de infraestrutura e manejo da unidade e eventuais condicionantes ambientais para uma possível ampliação. Também foi solicitada uma avaliação sobre medidas adicionais de monitoramento que garantam a compatibilização entre o uso público e a preservação dos atributos ambientais do parque. 

O MPMG consultou a CEAT a pedido da reportagem sobre a atual fase do processo, mas não teve retorno até a publicação desta matéria. 

Estudo de 2014 considerou capacidade de carga do parque 

Responsável pelo estudo de capacidade de carga que embasou a definição do limite atual de mil visitantes por dia, o professor e pesquisador da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), Cezar Barra, explica que o trabalho desenvolvido em 2014 utilizou uma metodologia adaptada pelo Núcleo de Análise Geoambiental (NAGEA/UFJF), a partir de um modelo criado pelo pesquisador Miguel Cifuentes, da Costa Rica. 

Segundo ele, além de calcular o fluxo de visitantes nas trilhas, o estudo incorporou fatores de correção relacionados às características ambientais do parque, como relevo, drenagem, processos erosivos e acessibilidade. De acordo com Barra, a metodologia adotada em 2014 calcula inicialmente a chamada Capacidade de Carga Física (CCF), que, segundo ele, “é geralmente exagerada”. A partir desse resultado, são aplicados fatores de correção para chegar a uma capacidade compatível com as condições reais da unidade. 

IEF
Lago das Miragens está entre as áreas de risco apontadas no documento da SGB (Foto: Leonardo Costa)

Na opinião de Barra, a medida de ampliação do número de visitantes não seria viável no atual contexto do parque. Ele afirma que, para tomar essa decisão, é necessário que o estudo utilizado contemple as características ambientais específicas de Ibitipoca, como o relevo acidentado, a geologia de quartzito e os processos erosivos naturais. 

“O aumento do fluxo turístico poderá potencializar esses riscos em um parque singular, com muitas fragilidades. Não dá para fazer em Ibitipoca o que fazem em Foz do Iguaçu. São parques com características diferentes”, afirma.

O pesquisador também destaca que a unidade de conservação apresenta riscos naturais, como possibilidade de queda de blocos rochosos, enxurradas repentinas em cachoeiras e incidência de descargas atmosféricas, fatores que, segundo ele, devem ser considerados em qualquer discussão sobre ampliação da visitação. “Faltam corrimões e escadas em alguns locais de acessibilidade ruim. Não existem abrigos ao longo das trilhas para as pessoas se protegerem de raios, por exemplo. Se algum turista for mordido por cobras, só terá atendimento no HPS em Juiz de Fora (a cerca de 100 quilômetros do parque).” 

O professor ainda cita o estudo do Serviço Geológico do Brasil (SGB), divulgado neste ano, que identificou 29 pontos de vulnerabilidade geológica no Parque Estadual do Ibitipoca e recomendou a interdição do Lago das Miragens devido ao risco de queda de blocos rochosos oriundos do Paredão de Santo Antônio. Na ocasião, o IEF optou por manter o atrativo aberto, informando que a área permaneceria sob monitoramento. 

IEF e Parquetur não se manifestaram 

A Tribuna solicitou posicionamento ao Instituto Estadual de Florestas (IEF) sobre os fatores que motivaram o pedido de aumento e os estudos que embasam a proposta, mas não teve resposta até o fechamento da edição. 

A reportagem também procurou a Parquetur, concessionária responsável pela administração do Parque Estadual do Ibitipoca, para comentar a proposta, mas, até o fechamento desta edição, não houve retorno. 

O post IEF solicita ao Ministério Público aumento do número de visitantes no Parque Estadual do Ibitipoca apareceu primeiro em Tribuna de Minas.