A Justiça concedou habeas corpus a Bruno Alexssander Souza Lima, conhecido como Buzeira, nesta segunda-feira (17) e ele foi solto. A informação foi dada pela defesa do influenciador, que estava preso desde outubro de 2025 em operação da Polícia Federal (PF) contra tráfico internacional de drogas.
Segundo os advogados de Buzeira, foram concedidos dois habeas corpus pelo Tribunal Regional Federal da 3ª Região, em São Paulo. “Mediante a fixação de medidas cautelares diversas do cárcere, em prestígio ao princípio constitucional da presunção da inocência”, esclareceu a defesa.
No dia 15 de junho o Ministério Público Federal (MPF) denunciou Buzeira, Rodrigo de Paula Morgado, apontado pela Polícia Federal como o “contador do PCC”, Nickolas Tadeu Ribeiro de Campos, o “Rei das Bets”, e outros dois investigados pelos crimes de organização criminosa, lavagem de dinheiro, evasão de divisas e falsidade ideológica.
A defesa do influenciador informou que ainda vai se manifestar sobre a denúncia do MPF “no momento oportuno”.
Investigação
Eles são investigados na Operação Narco Bet, da PF, que apura um amplo esquema de lavagem de dinheiro e ocultação de patrimônio associado ao tráfico internacional de drogas realizado por meio de veleiros.
Segundo a denúncia, entre 2023 e 2025, os cinco acusados integraram uma estrutura “organizada, estável e funcionalmente dividida”, com atuação no Brasil e no exterior, voltada à prática de lavagem de dinheiro. De acordo com a Procuradoria, uma ala do grupo também participou de operações ligadas à evasão de divisas, utilizando empresas, “laranjas”, operações societárias, criptoativos, transferências internacionais e estruturas empresariais vinculadas ao setor ilegal de apostas.
A Operação Narco Bet é um desdobramento da Operação Narco Vela, uma ofensiva da PF focada em desmantelar um esquema de tráfico internacional de drogas via rotas marítimas. Enquanto a investigação principal mirou a logística dos entorpecentes, as fases de Narco Bet focaram na sofisticação da lavagem de dinheiro e ocultação de bens milionários.
O MPF cita, entre as empresas e marcas utilizadas pelo grupo, a BRX Gaming S/A (ou Brabos Gaming), a RR Participações e Intermediações de Negócios S/A, a Ana Gaming Brasil S.A. e a Cactus Tecnologia Ltda., além das plataformas de apostas BRXBet, RicoBet e 7K.
Segundo a denúncia, essas estruturas funcionavam como “mecanismos de dissociação entre a titularidade formal e o controle econômico real”, permitindo a “ocultação de beneficiários finais”, a circulação de valores por diferentes canais e a tentativa de inserção de recursos no sistema econômico formal.
De acordo com a Procuradoria, o setor de apostas de quota fixa foi utilizado como ambiente de “absorção, circulação e integração de valores”, com o uso de estruturas societárias, plataformas tecnológicas, marcas comerciais e relações contratuais para conferir “aparência formal” a operações que, na realidade, ocultariam “o real beneficiário econômico, a origem dos recursos e a função concretamente exercida por determinados agentes na estrutura”.
Prisão de Buzeira
No dia 14 de outubro de 2025, a PF fez uma operação contra um esquema de lavagem de dinheiro vinculado ao tráfico internacional de drogas. Na época, o alvo da ação, o Buzeira, foi preso preventivamente.
Foram cumpridos 11 mandados de prisão e 19 de busca e apreensão em Santa Catarina, São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais. Carros de luxo também foram apreendidos.
Batizada de Narco Bet, a operação contou com o apoio da Polícia Criminal Federal da Alemanha (Bundeskriminalamt – BKA), responsável pela execução de medida cautelar de prisão em razão de um dos investigados ter sido localizado em território alemão.
“É um desdobramento da Operação Narco Vela, que teve como foco a repressão ao tráfico de entorpecentes por via marítima a partir do litoral brasileiro”, disse a PF.
*Com informações do Estadão Conteúdo
