Relatório da Polícia Federal ao qual a Jovem Pan teve acesso revela quem são os agentes públicos tratados pela organização criminosa como “Heróis”, “Notáveis” ou “Amigos”. Segundo a investigação, eles garantiam a blindagem administrativa e política para a continuidade dos descontos indevidos sobre benefícios do INSS.
Ao todo, a PF indiciou 48 pessoas na primeira etapa do inquérito da Operação Sem Desconto, que trata das irregularidades envolvendo a Conafer (Confederação Nacional dos Agricultores Familiares e Empreendedores Familiares Rurais). O relatório foi enviado nesta semana ao ministro André Mendonça, do STF, relator do caso, e agora será analisado pela Procuradoria-Geral da República, que pode apresentar denúncia, pedir novas diligências ou o arquivamento. Os indiciamentos incluem os crimes de organização criminosa, lavagem de dinheiro e corrupção ativa e passiva.
Além de Euclydes Pettersen, o “Herói E”, a PF identificou os seguintes nomes:
- Virgílio Antônio Ribeiro de Oliveira Filho (“Herói V” ou “Amigo Virgílio”): ex-procurador-geral federal junto ao INSS. Atuava para destravar o Acordo de Cooperação Técnica (ACT) e impedir fiscalizações. Teria recebido ao menos R$ 6,5 milhões em propinas.
- André Paulo Felix Fidelis (“Herói A” ou “Amigo André”): ex-diretor de Benefícios do INSS. Chancelava a omissão fiscalizatória e aprovava acordos favoráveis ao grupo. Teria recebido ao menos R$ 3,4 milhões.
- Alessandro Antônio Stefanutto (“O Italiano”, “Itália” ou “I”): ex-procurador-geral e ex-presidente do INSS. Apontado como sustentação institucional do esquema desde o início, com propinas mensais que teriam chegado a R$ 250 mil após assumir a presidência da autarquia.
- José Carlos Oliveira (“O Ministro”, “Abou Yasser”, “São Paulo” ou “Yabo”): ex-presidente do INSS e ex-ministro do Trabalho e Previdência. Teria destravado repasses bloqueados de cerca de R$ 15,3 milhões sem fiscalização, recebendo ao menos R$ 550 mil em triangulações bancárias.
- Pedro Alves Corrêa Neto (“Pedro” ou “P”): servidor do Ministério da Agricultura. Facilitava projetos da Conafer no Executivo federal e recebeu R$ 1,3 milhão em transferências mensais.
- Rogério Soares de Souza (“Rogério” ou “R”): servidor do INSS e braço-direito de Fidelis. Recebia propinas recorrentes para agilizar a inclusão de dados fraudulentos no sistema, totalizando R$ 1,5 milhão.
O relatório cita ainda pagamentos recorrentes a “Abraão”, possivelmente Abraão Lincoln Ferreira da Cruz, presidente da CBPA, que seguiam a mesma lógica de distribuição dos “Heróis”.
