O nome do ministro Alexandre de Moraes aparece 36 vezes no relatório da Polícia Federal que teve o sigilo retirado nesta terça-feira (1º) por decisão do ministro André Mendonça, do STF. O levantamento foi feito pela Jovem Pan a partir da íntegra das 218 páginas do documento.
O material reúne mensagens extraídas do celular de Daniel Vorcaro, registros de ao menos seis possíveis encontros com Moraes, pedidos de ajuda feitos pelo ex-banqueiro e informações sobre contratos do Banco Master com o escritório de Viviane Barci de Moraes, mulher do ministro. A PF também encontrou mensagens em que Vorcaro pede que fossem acionados o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e o procurador-geral da República, Paulo Gonet. Os documentos não demonstram que os pedidos tenham sido atendidos.
A divulgação abriu uma crise no Supremo e colocou sob questionamento também a própria apuração. Gonet pediu a nulidade do aprofundamento determinado por Mendonça, sob o argumento de que uma investigação envolvendo um ministro da Corte dependeria de autorização prévia do plenário.
Nesta quarta-feira (2), a tensão aumentou. Mendonça confirmou que recebeu Vorcaro uma vez, em março de 2025, antes de assumir a relatoria do caso Master. O ministro afirma que se limitou a ouvi-lo e que a conversa tratou de uma ação envolvendo precatórios de interesse do banco.
O presidente do STF, Edson Fachin, fez ainda uma manifestação pública em que classificou o momento como de “especial gravidade”, afirmou que “os indícios reclamam o devido encaminhamento institucional” e declarou que a autoridade do cargo “não confere privilégios”. Fachin prometeu anunciar nos próximos dias as “medidas cabíveis e necessárias”.
