Um relatório da Polícia Federal tornado público na madrugada desta sexta-feira, após decisão do ministro André Mendonça, do STF, aponta que um grupo ligado ao empresário Daniel Vorcaro teve acesso a um documento interno da própria corporação.
O material integra o conjunto de procedimentos que teve o sigilo retirado por Mendonça após solicitação do presidente do Supremo, Edson Fachin. Nos documentos aos quais a Jovem Pan teve acesso, a PF descreve uma sequência de mensagens envolvendo Vorcaro, Felipe Mourão e o policial federal aposentado Marilson Roseno da Silva.
Segundo o relatório, Vorcaro encaminhou a Mourão uma certidão expedida por uma unidade da Polícia Federal no Rio de Janeiro. O documento estava relacionado a um procedimento que cobrava uma resposta de Henrique Vorcaro. Mourão afirmou então que já havia pedido ao grupo chamado “A Turma” para analisar o caso.
Na sequência, Mourão encaminhou áudios atribuídos a Marilson, que demonstrava conhecimento sobre o procedimento e orientava como deveria ser elaborada a resposta à Polícia Federal. Em um dos trechos, o policial aposentado afirma que o caso havia se originado no Ministério Público Federal e recomenda que a resposta fosse convincente para evitar complicações posteriores.
Em outro momento, Marilson afirma que o procedimento não poderia ser “bloqueado” porque havia partido do MPF e acrescenta que fizeram “aquilo que deu pra fazer”.
O ponto que mais chamou a atenção dos investigadores aparece quando Marilson orienta que a resposta não faça referência à certidão porque se tratava de um “documento interno”.
A própria Polícia Federal destaca o episódio no relatório e registra que havia, aparentemente, uma preocupação com a forma como o documento havia sido obtido.
O relatório não identifica quem forneceu a certidão nem afirma de maneira conclusiva que houve vazamento por um integrante da PF. A investigação, porém, registra a suspeita sobre a origem do documento e o conhecimento demonstrado pelo grupo sobre informações internas da corporação.
