
Há mais de um ano, a sobrinha de Tarcila Modesto, manicure e moradora do Bairro Borboleta, na Cidade Alta de Juiz de Fora, foi atropelada por uma moto na Rua José Lourenço. “O motoqueiro a atropelou, foi embora e ninguém fez nada”, conta. Por ser um trecho de curva, a falta de sinalização foi uma das culpadas pelo acidente, na visão dela. A ocorrência foi apenas uma dos situações que levaram a população local a organizar uma manifestação no fim da tarde desta quinta-feira (3).

O movimento ocorreu antes da subida da Rua Jacob Lawal, entre as ruas Júlio Menini e Antônio Fellet – que ficam logo depois da José Lourenço, próximo à “santinha”. Dentre as demandas da população, estão uma faixa elevada no local, para auxiliar na travessia das faixas, bem como uma sinalização vertical e horizontal mais intensa e clara.
A ideia inicial era bloquear a passagem da via nos dois sentidos com pneus. Entretanto, após diálogo, os manifestantes optaram por aguardar. O vereador Juraci Scheffer (PT) compareceu até o local, após ser chamado pelos manifestantes. Ele ressaltou que, até a próxima terça-feira (8), retornará para apresentar um projeto de solução alternativa, com o objetivo de melhorar a sinalização e até o passeio na rua. Em resposta, os moradores cobraram a presença de agentes de trânsito da Prefeitura e disseram que, caso não se cumpra a promessa do parlamentar, irão tomar outras medidas de protesto.
O problema já existe desde antes da tragédia causada pelas chuvas em fevereiro de 2026, como foi o caso do atropelamento da sobrinha de Tarcila. Contudo, após o período, a situação piorou. Com a interdição da Estrada Engenheiro Gentil Forn, o trânsito nos bairros no entorno da José Lourenço foi consideravelmente intensificado, devido ao aumento no volume de veículos e à manutenção da estrutura das vias.
‘Algumas mães ficam até 40 minutos para conseguirem atravessar’
Segundo Tarcila, na data da manifestação, os condutores reduziram a velocidade pela presença da Polícia Militar, que compareceu para manter a ordem durante a ação. “Geralmente, não é assim. Passam e nos xingam quando queremos atravessar. Algumas mães ficam até 40 minutos para conseguirem atravessar. Quando um sentido para e o outro não, ainda corre o risco de uma moto vir em cima da gente. O pessoal não respeita.”
A comunidade questiona a omissão da Prefeitura. “Parece que é impossível de resolver. Estamos pedindo esse apoio desde muito antes das chuvas. A situação fica cada vez pior. Só queremos exercer o nosso direito de ir e vir”, finaliza.
A Tribuna demandou ao Executivo um posicionamento a respeito da situação. Em nota, a PJF afirma que continua atenta às demandas da comunidade e que, em atenção a elas, implantou um binário na Rua José Lourenço, além de ajustes na sinalização para melhorar a circulação. “A SMU reitera que mantém estudos técnicos, fiscalização e diálogo com as comunidades para acompanhar as mudanças no fluxo e adequar a circulação às novas condições.”

