Casa da Mulher Brasileira Divulgacao PJF 1

Mulheres cis e trans vítimas de violência poderão contar, a partir de março de 2027, com um espaço de atendimento integrado e com funcionamento 24 horas na cidade. A previsão para a conclusão das obras e o início das atividades da Casa da Mulher Brasileira foi informada pela secretária Especial das Mulheres da Prefeitura de Juiz de Fora (PJF), Lourdes Militão, uma das entrevistadas do Especial Agosto Lilás da Rede Tribuna. 

Durante a manhã de quarta-feira (19), profissionais de diferentes áreas que atuam no enfrentamento à violência contra a mulher participaram de entrevistas no programa Tribuna no Ar, da Rádio Antena 1, da Rede Tribuna.

Apresentado por Marcelo Juliani, o programa conta com Hugo Brugiolo na técnica de som, Eder Renzo na geração de imagens e Natália Mancio na produção. A Tribuna de Minas também participou da discussão, que reuniu, além de Lourdes Militão, representantes da Câmara Municipal, da Câmara da Mulher Empreendedora, da Comissão da Mulher Advogada da OAB/JF e do Instituto Maria da Penha.

Casa da Mulher Brasileira reunirá serviços em um único espaço

A Casa da Mulher Brasileira (CMB) integra o programa do Governo Federal de enfrentamento à violência contra as mulheres e tem como principal diferencial a concentração, em um mesmo espaço, de diferentes serviços da rede de atendimento. Em Juiz de Fora, o equipamento é construído entre a Rua José Calil Ahouagi e a Avenida Brasil, na região central da cidade, e contará com Delegacia da Mulher, assistência social e psicológica às vítimas de violência, brinquedoteca, Vara do Tribunal de Justiça, Ministério Público, Defensoria Pública, espaço para promoção da autonomia econômica, Central de Transportes e alojamento de passagem.

De acordo com a PJF, a estimativa é de que a Casa realize cerca de mil atendimentos por mês. A projeção considera como parâmetro equipamentos já instalados em municípios com população similar à de Juiz de Fora — cerca de 600 mil habitantes.

Além dos serviços de atendimento, a estrutura contará com alojamento de passagem destinado a mulheres que precisem deixar suas casas em situações de urgência.

Questionada pela reportagem sobre quantas vagas estarão disponíveis para esse acolhimento temporário, Lourdes Militão afirmou que a proposta é atender todas as mulheres que necessitarem do serviço. “Eu entendo que nós não trabalhamos com vagas. Todas serão atendidas”, disse a secretária Especial das Mulheres.

Secretaria reconhece necessidade de ampliar rede de proteção

Diante dos casos recorrentes de violência contra a mulher em Juiz de Fora, a Secretaria Especial das Mulheres reconhece que a rede de proteção do município ainda precisa avançar. Apesar do aceno ao avanço necessário da rede de proteção, a secretaria não soube responder exatamente quais serviços ou políticas públicas ainda carecem de desenvolvimento e de que forma.

“Nós entendemos que os agressores estão trabalhando de forma ainda mais ousada para com a mulher. Então, tudo o que ainda puder ser implementado é importante para que a mulher, de fato, venha a se sentir protegida e para que a rede venha a se fortalecer”, afirmou Militão.

Para a secretária, o fortalecimento da rede se torna ainda mais necessário diante do que considera uma atuação cada vez mais agressiva dos autores de violência. Ela defende que novos serviços e políticas sejam incorporados tanto pela própria pasta quanto pelas demais instituições que integram a rede de proteção.

Apoio jurídico na Câmara

O Legislativo municipal também mantém iniciativas voltadas às mulheres.

Na Câmara Municipal de Juiz de Fora funciona o Centro Integrado de Atendimento à Mulher (Ciam), que oferece acolhimento, orientação jurídica e encaminhamento para outros serviços da rede de proteção.

Localizado no Palácio Barbosa Lima, sede do Legislativo juiz-forano, o serviço atua como uma das portas de entrada para mulheres que buscam orientação e apoio diante de situações de violência. Interessadas podem buscar atendimento no local, situado no Parque Halfeld, no Centro. 

Autonomia financeira pode ajudar no rompimento do ciclo de violência

Ligada à Associação Comercial e Empresarial de Juiz de Fora, a Câmara da Mulher Empreendedora (CME) atua na capacitação de mulheres e na criação de oportunidades de inserção e desenvolvimento no mercado de trabalho. A entidade é presidida por Denise Resende e tem Paula Assunção como vice-presidente e Camilla Vilas como diretora.

Durante entrevista, o trio destacou que habilidades desenvolvidas por mulheres no trabalho doméstico também podem, caso haja interesse, ser transformadas em oportunidades de geração de renda e de construção de uma trajetória profissional.

A autonomia financeira ganha relevância também no contexto do enfrentamento à violência contra a mulher. Para aquelas inseridas em ciclos de violência, sobretudo quando há dependência econômica do agressor, a possibilidade de gerar a própria renda pode contribuir para ampliar as condições de rompimento dessa relação, além de favorecer a autonomia e a reconstrução da autoestima.