O Tribunal de Júri da Comarca de Mauá condenou o policial militar Kaio Lopes Raimundo pela morte do mecânico Clayton Juliano Silva, de 38 anos, e pela tentativa de homicídio contra o sobrinho da vítima, de 9 anos, que foi baleado durante uma briga de trânsito ocorrida em julho de 2025 em Mauá, na Grande São Paulo.
Conforme a sentença, proferida nessa segunda-feira(10), Kaio deverá cumprir pena em regime fechado de 21 anos, nove meses e 10 dias. O réu ainda foi absolvido de outras duas acusações de tentativa de homicídio relacionadas à mãe e à esposa da vítima que estavam no carro no momento do crime.
O policial não poderá recorrer em liberdade.
Segundo a decisão, o réu, que estava de folga no momento da ocorrência, assumiu o risco e teve a alegação de legítima defesa negada. Além disso, o júri considerou a presença de terceiros no momento da discussão, uma vez que os familiares presenciaram a morte do mecânico.
Outros dois fatores que somaram à pena de Kaio foram a causa do homicídio por motivo fútil e a não colaboração do réu com o Poder Judiciário.
A CNN Brasil solicitou posicionamentos às defesas do policial militar e da Secretaria de Segurança Pública. O espaço está aberto.
Entenda o caso
De acordo com o depoimento da esposa e da mãe de Clayton, que dirigia o carro em que estavam, a discussão teria iniciado após a vítima buzinar para Kaio, que estava em um moto, e conversava com um parceiro no trânsito. Os dois teriam dado passagem ao carro, mas, logo em seguida, o PM tentou ultrapassar o veículo e emparedá-lo.
Kaio então espirrou spray de pimenta dentro do carro da família e efetuou os disparos de arma de fogo contra a família, atingindo o Clayton e uma criança. Não há detalhes de onde estava a menor de idade no momento do crime.
Na versão do PM, a vítima teria fechado Kaio com o automóvel, momento em que a moto em que estava foi derrubada. O policial também alegou que teria recebido ameaças de morte do motorista.

