Observações podem oferecer novas pistas sobre como um exoplaneta gigante sobreviveu à morte violenta de sua estrela hospedeira — e passou a orbitar de perto seus remanescentes estelares.
As descobertas podem servir como uma prévia do destino que pode aguardar os maiores planetas do nosso sistema solar — como os gigantes gasosos Júpiter e Saturno — quando o Sol morrer daqui a 5 bilhões de anos.
Em 2020, astrônomos detectaram um planeta intrigante do tamanho de Júpiter orbitando uma estrela anã branca morta. Localizado a 80 anos-luz da Terra , o WD 1856 b é sete vezes maior que sua estrela, que tem o tamanho da Terra.
“Este é um dos sistemas planetários mais bizarros que conhecemos”, disse o Dr. Christopher O’Connor, coautor de um estudo publicado na quarta-feira na revista Nature , que detalhou as observações. O’Connor é um pesquisador de pós-doutorado que estuda astrofísica e dinâmica estelar e planetária no Centro de Exploração e Pesquisa Interdisciplinar em Astrofísica da Universidade Northwestern.
WD 1856 b completa uma órbita ao redor da estrela morta a cada 34 horas e está a menos de 3 milhões de quilômetros (2 milhões de milhas) de sua estrela hospedeira.
Quando uma estrela massiva semelhante ao Sol esgota o hidrogênio em seu núcleo, ela se expande para mais de 100 vezes o seu tamanho original antes de colapsar em uma densa anã branca. Dada a proximidade de WD 1856 b com sua estrela — 50 vezes mais perto do que a Terra está do nosso Sol — os astrônomos não tinham certeza de como o planeta sobreviveu à destruição de sua hospedeira.
Para reconstituir a improvável jornada de sobrevivência de WD 1856 b, O’Connor e seus colegas usaram o Telescópio Espacial James Webb para capturar as imagens mais recentes do planeta e medir sua atmosfera, massa e temperatura. Quase todas as descobertas da equipe foram inesperadas — e sugeriram que planetas gigantes podem sobreviver à morte de suas estrelas hospedeiras de maneiras antes consideradas impossíveis.
Veja descobertas astronômicas de 2026
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1 de 33Descobertas de 2026 - (1): Astrônomos do Observatório Europeu do Sul identificaram uma "onda de choque" em torno de uma estrela morta. O fenômeno foi formado a partir de uma colisão entre o gás e a poeira ejetados pela estrela morta RXJ0528+2838, e foi identificado com auxílio do VLT (Very Large Telescope) • ESO/K. Iłkiewicz and S. Scaringi et al. Background: PanSTARRS
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2 de 33Descobertas de 2026 - (2): A lua Europa, de Júpiter, está na lista restrita de lugares do nosso Sistema Solar considerados promissores na busca por vida além da Terra, com um grande oceano subterrâneo que se acredita estar escondido sob uma camada externa de gelo. No entanto, novas pesquisas estão levantando dúvidas. Após modelar as condições de Europa, os pesquisadores concluíram que seu assoalho rochoso provavelmente é mecanicamente forte demais para permitir esse tipo de atividade. • Nasa/JPL-Caltech/SETI Institute
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3 de 33Descobertas de 2026 - (3): O vento solar, em combinação com o campo magnético da Terra, tem transportado partículas da atmosfera do nosso planeta para a superfície da Lua há bilhões de anos, revela pesquisa da Universidade de Rochester • Shubhonkar Paramanick/Universidade de Rochester
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4 de 33Descobertas de 2026 - (4): Astrônomos podem ter descoberto um tipo de objeto até então desconhecido, apelidado de "Cloud-9", que pode lançar luz sobre a matéria escura. Pesquisa publicada no periódico The Astrophysical Journal Letters mostra que Cloud-9 é uma nuvem de matéria escura que pode ser um remanescente da formação de galáxias nos primórdios do universo • NASA/ESA/VLA/Gagandeep Anand/Alejandro Benitez-Llambay/Joseph DePasquale
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5 de 33Descobertas de 2026 (5) - Um objeto vindo do espaço chocou-se com a Terra há cerca de seis milhões de anos, espalhando fragmentos pelo Brasil. Somente agora, em 2026, a ciência conseguiu confirmar o evento, que deu origem a pedaços de vidro conhecidos como tectitos. • Álvaro Cóstra/Unicamp
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6 de 33Descobertas de 2026 (6) - Observações realizadas peloTelescópio Espacial James Webb identificaram centenas de pequenos objetos avermelhados em imagens profundas do Universo primitivo. Um estudo liderado por Rusakov et al., publicado na revista Nature em janeiro, apresentou uma nova interpretação para esses objetos. De acordo com os autores, os LRDs correspondem a buracos negros em fase inicial de crescimento • Reprodução NASA, ESA, CSA, STScI, JWST; Dale Kocevski (Colby College)
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7 de 33Descobertas de 2026 (7) - Os astrônomos há muito tempo buscam indícios de que uma estrela companheira oculta se encontra fora de vista perto da supergigante vermelha Betelgeuse. Agora, eles descobriram uma nova evidência: um rastro semelhante ao deixado por um barco, atravessando a atmosfera superior de Betelgeuse, provavelmente formado pela companheira invisível • Elizabeth Wheatley/ESA/NASA
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8 de 33Descobertas de 2026 (8) - Uma equipe internacional de astrônomos revelou a descoberta de uma estrutura inédita de ferro ionizado no interior da Nebulosa do Anel. Os cientistas detectaram a "barra" estreita que emite luz especificamente através de átomos de ferro • Telescópio Espacial James Webb
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9 de 33Descobertas de 2026 (9) - Uma equipe de astrônomos, com o auxílio do ALMA (Atacama Large Millimeter Array), um rádio-observatório que fica no Chile, conseguiu registrar em alta resolução 24 discos de detrito em torno de estrelas. Os anéis fotografados fazem parte da Cintura de Kuiper, que fica no mesmo Sistema Solar da Terra, depois de Netuno. • Divulgação/ESO
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10 de 33Descobertas de 2026 (10) - Astrônomos registraram um dos exemplos mais impressionantes já vistos no espaço após observarem a presença de um buraco negro “renascido” após 100 milhões de anos em inatividade em uma cena comparada à erupção de um “vulcão cósmico”. Segundo o estudo publicado na revista científica Monthly Notices of the Royal Astronomical Society, o fenômeno foi observado no centro da galáxia J1007+3540 • LOFAR/Pan-STARRS/S. Kumari et al.
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11 de 33Descobertas de 2026 (11) - Conceito artístico do exoplaneta candidato HD 137010 b, apelidado de "Terra fria" por ser um possível planeta rochoso ligeiramente maior que a Terra, orbitando uma estrela semelhante ao Sol a cerca de 146 anos-luz de distância • NASA/JPL-Caltech/Keith Miller (Caltech/IPAC)
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12 de 33Descobertas de 2026 (13) - Uma molécula de 13 átomos contendo enxofre (como pode ser visto nesta ilustração) foi descoberta no espaço interestelar pela primeira vez. Os pesquisadores consideram a descoberta um "elo perdido" na compreensão das origens cósmicas da química da vida. • Divulgação/ MPE/NASA/JPL-Caltech
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13 de 33Descobertas de 2026 (14) - Júpiter é, sem dúvida, o maior planeta do nosso Sistema Solar. No entanto, uma recente descoberta mostrou que ele não é tão grande assim — por uma margem muito pequena — quanto os cientistas pensavam. Segundo as observações de Juno, Júpiter tem um diâmetro equatorial de 142.976 km (88.841 milhas), aproximadamente 8 km (5 milhas) menor • Nasa
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14 de 33Descobertas de 2026 (15) - Cientistas estão monitorando o comportamento de um buraco negro supermassivo que apresenta hábitos alimentares específicos desordenados. Usando principalmente radiotelescópios no Novo México e na África do Sul, eles acompanham o buraco negro, localizado no centro de uma galáxia muito além da Via Láctea, enquanto ele continua a expelir um jato de material em alta velocidade após rasgar e devorar uma estrela que cometeu o erro de se aproximar demais • Nasa
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15 de 33Descobertas de 2026 (16) - Uma nova análise de dados de radar de Vênus, obtidos pela sonda Magellan da Nasa na década de 1990, indicou a presença de uma cavidade subterrânea criada por um fluxo de lava, a primeira estrutura subterrânea já detectada no planeta vizinho da Terra • Divulgação/RSLab, University of Trento
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16 de 33Descobertas de 2026 (17) - Imagine todos os oceanos da Terra, que cobrem cerca de 70% do planeta e são compostos principalmente de hidrogênio. Agora multiplique isso por nove. Essa pode ser a quantidade de hidrogênio no núcleo da Terra, relataram cientistas na revista Nature Communications. • Tumeggy/Science Photo Library RF/Getty Images
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17 de 33Descobertas de 2026 (18) - Pesquisadores rastrearam uma estrela grande e brilhante que, em seus estertores, praticamente desapareceu de vista ao se transformar em um buraco negro sem explodir. Agora, ela só é detectável devido a um brilho sutil causado pelo aquecimento do gás e da poeira remanescentes, que são sugados pela força gravitacional irresistível do buraco negro recém-nascido. A estrela, chamada M31-2014 - DS1, estava localizada na Galáxia de Andrômeda • Keith Miller, Caltech/IPAC – SELab
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18 de 33Descobertas de 2026 (19) - Um sistema exoplanetário a cerca de 116 anos-luz da Terra pode mudar completamente a forma como os planetas se formam. Quatro planetas orbitam LHS 1903 — uma estrela anã vermelha, o tipo mais comum de estrela no Universo — e estão dispostos em uma sequência peculiar. • Reprodução/ESA
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19 de 33Descobertas de 2026 (20) - Uma vista de Saturno e Titã, a maior lua do planeta, capturada pela sonda Cassini. Pesquisadores sugerem que uma colisão antiga da maior lua de Saturno com outro corpo celeste pode ter dado origem aos anéis • NASA/JPL-Caltech/Instituto de Ciências Espaciais
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20 de 33Descobertas de 2026 (21) - A Agência Espacial Europeia (ESA) divulgou uma impressionante fotografia do cometa interestelar 3I/ATLAS. Foi o primeiro registro de Juice da passagem do cometa. • ESA/JUICE/JANUS
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21 de 33Descobertas de 2026 (22) - Corpos celestes com formato semelhante a “bonecos de neve” são mais comuns no Sistema Solar do que se imaginava. A forma curiosa, marcada por dois blocos unidos, é resultado da fusão lenta de objetos menores no início da formação planetária. O exemplo mais conhecido é Arrokoth, visitado em 2019 pela sonda New Horizons • Reprodução/Google
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22 de 33Descobertas de 2026 (23) - Astrônomos identificaram uma galáxia tão tênue que é quase invisível — uma descoberta que pode ajudar a lançar luz sobre uma das substâncias mais elusivas do Universo. Os pesquisadores encontraram a Candidate Dark Galaxy-2, ou CDG-2, usando o Telescópio Espacial Hubble, e acreditam que ela seja composta por pelo menos 99,9% de matéria escura • Li (utoronto), Ima/ESA/NASA
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23 de 33Descobertas de 2026 (24) - Astrônomos afirmam que os misteriosos “pequenos pontos vermelhos” observados pelo Telescópio Espacial James Webb podem ser estrelas gigantes do início do Universo, e não buracos negros, como se pensava inicialmente • Bangzheng “Tom” Sun
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24 de 33Descobertas de 2026 (25) - Cientistas obtiveram o mapa mais completo e de alta resolução do gás frio no centro da Via Láctea, que contém a matéria-prima a partir da qual estrelas e planetas são formados. As informações da imagem podem ajudar os astrônomos a entender a origem do nosso sistema solar. A imagem é fruto de um esforço internacional de quatro anos, utilizando um dos telescópios mais potentes da Terra, o Atacama Large Millimeter/submillimeter Array, ou ALMA, um conjunto de mais de 50 antenas de rádio espalhadas por um planalto nos Andes chilenos • ALMA(ESO/NAOJ/NRAO)/S. Longmore/D. Minniti et al.
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25 de 33Descobertas de 2026 (26) - Uma intensa bola de fogo cortou o céu na Europa por volta de 14h55 do domingo (8/3), deixando um rastro de fumaça. O brilho foi de aproximadamente seis segundos, segundo a Agência Espacial Europeia (ESA). O registro foi observado por muitas pessoas na Bélgica, França, Alemanha, Luxemburgo e Holanda. • AllSky7/ESA
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26 de 33Descobertas de 2026 (27) - Uma supernova superluminosa envolvendo uma estrela enorme em uma galáxia a cerca de um bilhão de anos-luz da Terra está agora ajudando os cientistas a resolver esse mistério. Os pesquisadores determinaram que ela se tornou extremamente brilhante porque a explosão deixou para trás um magnetar , um remanescente estelar extremamente compacto e de rotação rápida, com um campo magnético imensamente poderoso • Joseph Farah and Curtis McCully
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27 de 33Descobertas de 2026 (28) - Um estudo publicado na revista científica Astronomy & Astrophysics sugere que o Sol pode não estar exatamente em seu local de origem. De acordo com os pesquisadores, a estrela do Sistema Solar pode ter nascido em uma região mais próxima do centro da Via Láctea e migrado ao longo de bilhões de anos até a posição atual. • Nasa
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28 de 33Descobertas de 2026 (29) - Astrônomos identificaram um possível novo tipo de planeta fora do Sistema Solar, com interior derretido e atmosfera rica em enxofre. O objeto, chamado L 98-59 d, fica a cerca de 35 anos-luz da Terra e foi analisado com dados do telescópio espacial James Webb Space Telescope e de observatórios em solo. O interior do planeta pode ser formado por rocha derretida, semelhante à lava • Mark A. Garlick
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29 de 33Descobertas de 2026 (30) - Uma supernova - a morte explosiva de uma estrela - é sempre violenta, lançando material para o espaço e geralmente deixando para trás um remanescente estelar compacto, como uma estrela de nêutrons ou um buraco negro. Mas algumas supernovas envolvendo as maiores estrelas do cosmos podem ser tão imensamente poderosas que não deixam absolutamente nada para trás • Universidade Monash
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30 de 33Descobertas de 2026 (31) - Observações diárias por satélite revelaram um aumento contínuo do brilho noturno em todo o mundo devido à iluminação artificial, com importantes variações regionais, incluindo um aumento na África Subsaariana e no Sudeste Asiático, juntamente com uma redução deliberada na Europa, motivada por preocupações com a conservação de energia e a poluição luminosa. • Reuters
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31 de 33Descobertas de 2026 (32) - Uma nova imagem revela um objeto celeste deslumbrante — uma estrela, emparelhada com outra, em processo de morte, que se assemelha a uma bola de cristal. Cientistas capturaram a imagem da NGC 1514, apelidada de Nebulosa Bola de Cristal, com o Espectrógrafo Multiobjeto Gemini. O instrumento está instalado no telescópio Gemini Norte, localizado em Maunakea, um vulcão adormecido no Havaí. • Observatório Internacional Gemini/NOIRLab/NSF/AURA
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32 de 33Descobertas de 2026 (33) - Analisando novamente dados envolvendo um tipo específico de explosão estelar, uma equipe de pesquisadores afirma ter confirmado a noção, há muito aceita, de que o universo está se expandindo em ritmo acelerado - a mesma observação que levou à identificação, na década de 1990, de uma força cósmica enigmática chamada energia escura. Os resultados do estudo refutam uma pesquisa publicada no ano passado que concluiu que essa expansão cósmica não está mais acelerando – uma descoberta que havia desafiado a compreensão básica do universo. • Pexels • Del Woodcock
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33 de 33Descobertas de 2026 (34) - Um exoplaneta (planeta fora do Sistema Solar) com quatro vezes a massa de Júpiter foi localizado pelo Telescópio Espacial James Webb da Nasa, orbitando muito próximo a uma estrela semelhante ao Sol. Nomeado como HD 80606 b, o planeta chega a 1.100 graus Fahrenheit (cerca de 593 ºC) ao se aproximar de sua estrela. O exoplaneta foi apelidado de "exoplaneta torrado" • Reprodução | NASA, ESA, CSA, Joseph Olmsted (STScI)
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Um planeta excêntrico
A órbita apertada do planeta e os tamanhos relativos desproporcionais de WD 1856 b e sua estrela hospedeira motivaram O’Connor e seus colegas a investigar mais a fundo.
“Para um astrofísico teórico, encontrar um objeto estranho localizado onde ‘não deveria estar’ parece um convite do universo para usar a criatividade na busca de uma explicação”, escreveu O’Connor em um e-mail.
Mas fazer observações com o Webb foi um desafio. A equipe teve poucas chances de observar um trânsito, ou seja, a queda no brilho da estrela quando um planeta passa em frente à sua estrela. Anãs brancas mortas são muito mais fracas do que as estrelas que hospedam planetas, normalmente observadas com o Webb, disse a coautora do estudo, Victoria Boehm, estudante de pós-graduação no departamento de astronomia da Universidade Cornell.
“Para complicar ainda mais as coisas, o trânsito do planeta dura apenas 8 minutos, então é praticamente impossível não ver se você pisca”, disse Boehm em um comunicado. “Capturar luz suficiente para ver o espectro de WD 1856 b, e ao mesmo tempo fazer isso rápido o bastante para não perder o trânsito, é algo que só o Webb consegue fazer.”
Mas o espectro, ou seja, os dados captados quando a luz da estrela passou pela atmosfera do planeta, revelou informações até então desconhecidas sobre WD 1856 b.
A equipe determinou que o planeta tem entre quatro e onze vezes a massa de Júpiter.
A luz infravermelha emitida por WD 1856 b sugeriu que ela tem uma temperatura de cerca de 260 graus Fahrenheit (127 graus Celsius) — cerca de 240 graus mais quente do que se estivesse sendo aquecida apenas pela estrela morta.
“Foi isso que realmente nos colocou no caminho certo para descobrir a história do planeta a partir de nossos dados”, disse O’Connor.
Uma migração curiosa
A equipe combinou as novas medições com modelos de como planetas gigantes como Júpiter e Saturno esfriam ao longo do tempo, o que ocorre a uma taxa previsível relacionada à sua massa.
Os resultados mostraram que o planeta originalmente orbitava a estrela a partir de uma distância muito maior e mais segura. Mas WD 1856 b aqueceu durante sua migração para o interior da estrela após sua morte.
Os pesquisadores têm duas teorias concorrentes sobre como a WD 1856 b acabou em sua órbita atual, tão próxima da órbita real.
O “modelo de engolfamento” sugere que o planeta foi, na verdade, engolido pela estrela hospedeira enquanto aumentava de tamanho antes de morrer, mas conseguiu sobreviver, disse O’Connor. O “modelo de interação gravitacional”, por sua vez, propõe que WD 1856 b escapou da agonia da estrela, mas a influência gravitacional de outros objetos no sistema o empurrou para mais perto da anã branca, acrescentou ele.
“Em qualquer uma das situações, há motivos para acreditar que o planeta se aqueceria internamente como um subproduto do violento processo de migração”, disse O’Connor. “No primeiro cenário, esperaríamos que a migração e o aquecimento tivessem ocorrido simultaneamente à morte da estrela hospedeira, ou cerca de seis bilhões de anos atrás. No segundo cenário, isso pode acontecer bilhões de anos depois, devido ao caos das interações gravitacionais.”
Os dados da equipe parecem indicar que o aquecimento do planeta ocorreu há cerca de 1 bilhão de anos, o que pode descartar as chances de um engolfamento — assim como o espectro do Webb, que captou indícios da composição química do planeta.
“Observamos os indícios reveladores de pequenas partículas de nuvens e hidrocarbonetos, muito provavelmente metano, sendo esta a primeira vez que vemos uma atmosfera em um planeta transitando uma estrela morta”, disse Boehm. “Recentemente, observamos mais quatro trânsitos de WD 1856 b com o Webb para analisar mais a fundo sua composição química atmosférica e estamos ansiosos para ver os resultados.”
A abundância de metano adiciona mais uma linha de evidência de que o planeta não passou por um processo de engolfamento durante a fase de gigante vermelha, já que isso teria diluído a abundância do gás à medida que o planeta acumulava hidrogênio da estrela, disse o autor principal, Dr. Ryan MacDonald, professor de planetas extrassolares na Universidade de St. Andrews, na Escócia.
A Dra. Caroline Morley, professora associada do departamento de astronomia da Universidade do Texas em Austin, afirmou que as discrepâncias nos resultados de temperatura inferidos entre o novo estudo, que sugere que o planeta é bastante quente, e pesquisas anteriores das quais ela foi coautora, que identificaram o planeta como muito mais frio, a deixam apreensiva. Morley não participou do novo estudo.
“Há razões para sermos céticos quanto ao resultado de que o planeta foi ‘reaquecido’ durante a evolução estelar”, escreveu Morley em um e-mail. “Acredito que a detecção preliminar de metano pareça plausível, e a detecção de nuvens e/ou névoas é sólida. Nessa temperatura, a melhor hipótese inicial para os ‘aerossóis’ presentes são nuvens de água, que se formam e se tornam bastante densas nessas temperaturas.”
Embora a detecção de metano atmosférico não tenha sido surpreendente, a quantidade do gás foi maior do que se poderia prever, disse o Dr.
Ian Crossfield, professor associado de física e astronomia da Universidade do Kansas. Crossfield não participou do novo estudo, mas fez parte da equipe que descobriu o WD 1856 b em 2020.
“As conclusões sobre a migração do planeta para sua órbita atual são instigantes, embora provavelmente sejam necessários mais estudos antes que conclusões definitivas possam ser tiradas”, escreveu Crossfield em um e-mail. “O artigo demonstra como as observações planetárias mais reveladoras do JWST continuam sendo as de gigantes gasosos — análogos aos nossos Júpiter ou Saturno — mesmo quando a estrela que orbitam já morreu há muito tempo.”
Modelando o destino do nosso Sistema Solar
O sistema WD 1856 funciona como uma prévia do que poderá ocorrer em nosso próprio sistema solar.
Assim como a estrela hospedeira de WD 1856 b, nosso Sol se expandirá e se tornará uma gigante vermelha em cerca de 5 bilhões de anos, engolindo os planetas mais próximos, como Mercúrio e Vênus. A órbita da Terra a coloca bem na borda dessa futura “zona de perigo”, disse O’Connor, portanto o destino do nosso planeta permanece incerto.
Mas, em vez de chegarmos a uma conclusão precipitada, os planetas gigantes do nosso sistema solar podem persistir e continuar a evoluir por bilhões de anos. O sistema WD 1856 deverá permanecer em seu estado atual por trilhões de anos, observou O’Connor.
“Nossos resultados mostram que a morte estelar não é o fim — alguns planetas experimentam um futuro vibrante e cheio de vida após a morte de sua estrela”, disse MacDonald.
À medida que o Sol se transforma em uma anã branca, cerca de um bilhão de anos após o fim da fase de gigante vermelha, os demais planetas do nosso sistema solar continuarão orbitando a estrela morta.
“Esperamos que os sobreviventes se afastem gradualmente do Sol até atingirem cerca do dobro de suas distâncias orbitais atuais”, escreveu O’Connor. “Talvez, no entanto, devêssemos considerar se suas órbitas poderiam mudar mais drasticamente, levando um deles a migrar para tão perto da anã branca solar quanto WD 1856 b está hoje.”

