Uma equipe médica chinesa implantou oito eletrodos ultraflexíveis no cérebro de uma paciente de 55 anos em um procedimento de interface cérebro-computador (ICC), tecnologia desenvolvida para transformar a intenção de realizar movimentos em comandos para dispositivos externos.

A cirurgia foi realizada no Hospital Tongji, afiliado à Universidade de Ciência e Tecnologia de Huazhong, na província de Hubei. Segundo a China News Service (CNS), responsável pelas informações e pelas imagens divulgadas, esta foi a primeira implantação de uma interface cérebro-computador totalmente invasiva realizada na região central da China.

Os eletrodos foram implantados no córtex motor, região cerebral diretamente envolvida no planejamento e na execução dos movimentos.

Cada um deles é dezenas de vezes mais fino do que um fio de cabelo humano e foi desenvolvido para captar, em milissegundos, a atividade dos neurônios associada à intenção de movimento da paciente.

Na prática, a proposta é criar uma espécie de ponte digital entre o cérebro e equipamentos externos.

Controlar dispositivos apenas com o pensamento

A próxima etapa será conectar a paciente a um sistema externo capaz de interpretar os sinais captados pelos eletrodos.

A expectativa da equipe é que ela possa utilizar suas intenções de movimento para controlar cursores de computador, smartphones, cadeiras de rodas e outros dispositivos.

Isso é possível porque o sistema busca identificar e decodificar atividades cerebrais relacionadas a intenções específicas, como “alcançar” ou “andar”, e transformá-las em comandos que uma máquina consegue executar.

Uma equipe médica chinesa implantou oito eletrodos ultraflexíveis no cérebro de uma paciente de 55 anos em um procedimento de interface cérebro-computador (ICC) • CHINA NEWS SERVICE/Reuters

Assim, uma intenção cerebral de movimentar um dedo, por exemplo, poderia futuramente ser interpretada pelo sistema e utilizada para comandar um aparelho, mesmo quando a pessoa não consegue executar fisicamente aquele movimento.

Segundo a CNS, o dispositivo implantado é o primeiro produto chinês de interface cérebro-computador de alto rendimento capaz de operar no nível de neurônios individuais e recebeu a designação de Dispositivo Médico Inovador pela Administração Nacional de Produtos Médicos do país.

Tecnologia pode ajudar na reabilitação

A interface também está sendo estudada como uma ferramenta para pacientes com deficiências motoras graves.

O sistema foi projetado para contornar lesões na medula espinhal ao captar diretamente no cérebro a intenção de realizar determinados movimentos.

Além de controlar equipamentos externos, a paciente deverá passar por um treinamento em circuito fechado. O objetivo, segundo as informações divulgadas, é reconstruir gradualmente vias neurais entre o cérebro e os membros e favorecer a reabilitação e a recuperação de funções motoras finas dos membros superiores.

O procedimento é considerado totalmente invasivo porque os eletrodos são implantados diretamente no cérebro.

O Hospital Tongji também trabalha com outras duas modalidades de interface cérebro-computador: as semi-invasivas e as não invasivas. A instituição pesquisa ainda materiais utilizados nos eletrodos, métodos para interpretar os sinais cerebrais e sistemas de modulação em circuito fechado.

A expectativa é que o desenvolvimento dessas tecnologias possa oferecer novas possibilidades de interação e reabilitação para pessoas que perderam movimentos em decorrência de comprometimentos neurológicos graves.

(Com informações da Reuters)