O declínio de uma população de pererecas-macaco pode estar relacionado à infecção por ranavírus. A análise foi feita por cientistas da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) e da Universidade Federal do Paraná (UFPR) e publicada no periódico Biodiversity and Conservation.
Segundo o estudo, o vírus se espalha rapidamente entre anfíbios, répteis e peixes, resultando em uma alta taxa de mortalidade, mas até então nunca havia sido identificado como o causador de eventos de mortalidade em espécies nativas do Brasil.
A análise aborda diversos eventos de mortandade em massa, distribuídos entre 2024 e 2026, em uma Unidade de Conservação de Santa Catarina. Os casos impactaram os girinos das espécies Phyllomedusa distincta e Boana bischoffi, que são endêmicas da Mata Atlântica, possuem hábitos noturnos e coloração esverdeada.
As infecções coincidiram com o declínio de mais de 80% no desempenho reprodutivo, o que resultou na queda de novos indivíduos na população local, um cenário típico de epidemias.
Essa constatação aponta que o vírus está se reproduzindo de forma rápida e eficaz, evidenciando que a sua infecção e efeitos dependem do contexto ambiental e de fatores climáticos. Também foi analisado que mesmo áreas preservadas e espécies endêmicas são atingidas pelo patógeno, que pode ser disseminado pelo contato com a água, animais ou objetos contaminados.
Os resultados obtidos também levantam a possibilidade de o ranavírus estar relacionado ao desaparecimento histórico de anfíbios no país. Isso porque, embora quase todos os registros da doença tenham ocorrido nas últimas três décadas, o Brasil passou por um grande declínio de espécies nos anos 1970 e 1980.
*Sob supervisão de Thiago Félix

