O presidente do Paraguai, Santiago Peña, publicou nas redes sociais uma mensagem em tom de despedida na noite desta sexta-feira (6).
Em publicação na rede social X, o presidente paraguaio afirmou que apresentou a renúncia para “evitar mais danos ao país e contribuir para devolver a tranquilidade ao Paraguai”.
Peña acrescentou dizendo não querer que sua presença seja motivo de “maior divisão ou instabilidade”, alegando que sua responsabilidade é “colocar o país acima de seu destino pessoal”.
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O presidente também disse que se despede “sem ignorar a angústia daqueles que hoje aguardam respostas”.
Presenté mi renuncia para evitar más daño al país y contribuir a devolverle la tranquilidad al Paraguay. No quiero que mi presencia sea motivo de mayor división o inestabilidad. Mi responsabilidad es poner al país por encima de mi destino personal. Hoy nos toca unirnos como paraguayos para reconstruir la institucionalidad y recuperar la confianza. Me despido con gratitud, sin desconocer la angustia de quienes hoy esperan respuestas. Es momento de unir esfuerzos para reconstruir la institucionalidad y atender, con hechos y responsabilidad, a quienes están siendo afectados. Que Dios bendiga al Paraguay.
— Santiago Peña (@SantiPenap) November 6, 2026
O post do presidente acontece ao mesmo tempo em que o Senado conduz uma votação sobre o pedido de impeachment contra ele, em meio às acusações de que Peña estaria envolvido em irregularidades ligadas ao Ueno Bank, instituição que fechou as portas na terça-feira (3), deixando milhões de pessoas sem acesso às contas bancárias.
A Casa deu início à sessão por volta de 10h da manhã desta sexta-feira. A presença do presidente era esperada, mas o chefe de Estado não compareceu, sendo representado por seus advogados.
Adolfo Ferreiro e Ricardo Preda foram ao Congresso após o Senado rejeitar o pedido de prorrogação de 72h do processo.
Na quinta-feira (5), a Câmara do Paraguai aprovou o impeachment de Peña por unanimidade. A Casa Legislativa negou, por sua vez, o impeachment do vice-presidente Pedro Alliana, que deve assumir o governo.
O processo acusa Peña de “grave e sistemático mau desempenho de suas funções” e propõe a “retirada da investidura” do governante, que assumiu o poder em agosto de 2023 para um mandato de cinco anos.
Os advogados do presidente paraguaio alegam que o processo de impeachment é nulo, uma vez que ele apresentou sua renúncia às vésperas das sessões.
Entenda a crise do “Banco Master paraguaio”
O banco Ueno, de propriedade do Grupo Vázquez, fechou suas portas na terça-feira (3) depois que o Banco Central do Paraguai iniciou um processo de liquidação da instituição ao constatar um déficit em seus índices de solvência relacionado a empréstimos concedidos a empresas vinculadas.
Peña, um economista que assumiu o governo em 2023, foi acionista até março do ano passado do grupo proprietário do banco, que contava com cerca de 3 milhões de clientes e concentrava cerca de US$ 850 milhões (equivalente a cerca de R$ 4,6 bilhões) em depósitos públicos, incluindo recursos do Instituto de Previdência Social.
A oposição acusou Peña de conflito de interesses, manipulação regulatória, desvio de recursos previdenciários e encobrimento institucional por parte do Banco Central, entre outros pontos.
“Nunca antes alguém prejudicou, em um único dia, 3 milhões de pessoas na República do Paraguai, e o senhor conseguiu isso, senhor presidente… o senhor é a origem desse monstro que criou”, disse a deputada da oposição Rocío Vallejo durante sessão, pouco antes de apresentar a acusação contra o presidente.
Peña afirmou em uma publicação na rede social X que os responsáveis pelas irregularidades responderão perante a Justiça, sem exceções, pouco antes de promulgar uma lei que permitirá aos poupadores do Ueno recuperar seu dinheiro em menos tempo.
“Peço veementemente a todos os setores políticos que coloquem o interesse dos poupadores acima de qualquer outro interesse”, afirmou ele.
Entenda crise em banco que levou Paraguai a votar impeachment de Peña

