O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, disse nesta terça-feira (6) que a Rússia deveria compartilhar mais informações sobre a morte de uma funcionária do laboratório do Instituto da Peste, ocorrida na semana passada — um caso que, segundo ele, Washington está acompanhando “muito de perto”.
“Acho que cabe à Rússia, obviamente, compartilhar mais informações com o mundo”, afirmou Rubio a repórteres na Islândia.
“Estamos acompanhando a situação muito de perto, hora a hora”, adicionou.
O que se sabe sobre morte de funcionária de laboratório de peste na Rússia?
Uma funcionária de um instituto de pesquisa sobre peste na Sibéria adoeceu e morreu em circunstâncias ainda não esclarecidas, provocando preocupação entre autoridades de saúde e nas redes sociais.
A vítima foi identificada pela imprensa russa como Darya Shipilova, de 28 anos, funcionária do Instituto de Pesquisa Antipeste de Irkutsk da Sibéria e do Extremo Oriente.
As autoridades afirmaram que ela morreu de um tipo desconhecido de pneumonia. Como medida de precaução, todas as pessoas que tiveram contato com a pesquisadora foram colocadas em quarentena.
Relatos não confirmados sobre como ela teria adoecido circularam nas redes sociais. Uma das versões dizia que ela havia derrubado no laboratório um tubo de ensaio com bactérias vivas, hipótese rejeitada pela agência russa de vigilância sanitária. Outra afirmava que ela teria ficado doente depois de viajar para a Tailândia. Uma terceira versão dizia que ela adoeceu após visitar uma região próxima à fronteira com a Mongólia.
Não há evidências públicas que confirmem nenhuma dessas versões.
Ela morreu de peste?
Não há confirmação de que a pesquisadora tenha morrido de peste, embora um governador regional tenha afirmado que ela “pode” ter sido vítima da doença.
A Rospotrebnadzor, agência russa de vigilância sanitária, afirmou que ela morreu de uma pneumonia de causa desconhecida e que nenhum agente patogênico relacionado à peste foi encontrado nas pessoas que tiveram contato com ela.
Elena Sofina, uma autoridade local da Sibéria, afirmou que 60% das pessoas colocadas em quarentena já haviam sido liberadas. A imprensa local informou que cerca de 200 pessoas foram inicialmente isoladas.
Sofina também disse que um “diagnóstico perigoso” ainda não havia sido confirmado.
O que é a peste e ela tem tratamento?
A peste circula principalmente entre pequenos animais e pulgas. É causada pela bactéria Yersinia pestis e também pode infectar seres humanos.
A doença pode ser transmitida entre animais e pessoas pela picada de pulgas infectadas, pela inalação de partículas respiratórias contaminadas e, em casos raros, pela ingestão de materiais infecciosos.
Sem tratamento, a taxa de mortalidade pode chegar a 100%, dependendo da forma da doença. Quando identificada rapidamente, a peste pode ser tratada com antibióticos.
Quão comum é a peste?
A peste também é endêmica na Sibéria, onde a bactéria Yersinia pestis está presente entre pequenos mamíferos silvestres e suas pulgas. Casos entre russos, porém, são raros.
Qual foi a reação internacional?
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que a morte da funcionária era um “grande problema para a Rússia” e ofereceu ajuda a Moscou para lidar com a situação. O secretário de Estado americano, Marco Rubio, disse que a Rússia deveria compartilhar mais informações sobre a morte.
A OMS, em Genebra, afirmou que a Rússia informou à organização que não havia casos de peste na cidade de Irkutsk. A Reuters não conseguiu determinar se isso significa que a possibilidade de peste foi descartada no caso da pesquisadora.
Cazaquistão, Quirguistão e Uzbequistão afirmaram que intensificaram medidas de precaução nas fronteiras para evitar uma possível disseminação de doenças infecciosas.
O que é o Instituto de Peste da Sibéria?
O Instituto de Pesquisa Antipeste de Irkutsk da Sibéria e do Extremo Oriente foi criado em 1934 para controlar surtos de peste.
Segundo o site da instituição, seu cientista fundador ajudou a conter surtos na Sibéria, na Mongólia e na China. Mais tarde, o instituto passou a trabalhar também com outras doenças perigosas, como cólera e antraz.
Quais são os tipos de peste?
A peste tem três formas, que afetam diferentes partes do organismo.
A peste pneumônica, a forma mais grave e menos comum, é uma infecção dos pulmões que pode fazer com que pacientes eliminem gotículas infecciosas ao tossir.
A peste bubônica é a forma mais comum. Ela ocorre principalmente quando uma pulga infectada pica uma pessoa e provoca o aumento dos gânglios linfáticos, conhecidos como bubões.
á a peste septicêmica ocorre quando a bactéria da peste se multiplica no sangue e não é transmitida de pessoa para pessoa.
Uma forma da peste também pode evoluir para outra.
Os sintomas geralmente começam entre um e sete dias após a infecção e incluem febre, calafrios, dores no corpo e na cabeça, fraqueza, vômitos e náuseas.
Por que a morte chamou tanta atenção?
A pandemia de Covid-19 aumentou a preocupação com o surgimento de novas doenças potencialmente letais. Por isso, relatos sobre grupos de pessoas com doenças desconhecidas ou possíveis acidentes em laboratórios passaram a provocar rapidamente preocupação nas redes sociais.
A maioria dos cientistas acredita que o coronavírus responsável pela Covid-19 tenha passado de animais para humanos, embora alguns tenham defendido a hipótese de um vazamento de laboratório.
Especialistas em saúde pública pediram cautela em relação ao caso na Sibéria. Até agora, apenas uma morte foi registrada, e as autoridades russas afirmam não haver evidências de que a funcionária do laboratório estivesse infectada com peste.

