
Natural de Linhares, norte do Espírito Santo, Anastácia já visita Juiz de Fora há anos. Porém, dessa vez, a vinda da compositora e cantora capixaba tem um propósito específico: seu show no Cine-Theatro Central, o “Naná do Pop convida”, com artistas locais. Com a presença de Laura Conceição e o coral feminino negro Quelé, a artista promete, nesta quarta-feira (1º), às 18h30, uma energia única no principal palco da cidade.

Ao saber da possibilidade de se apresentar no Cine-Theatro por meio do edital de ocupação “Palco Central”, Anastácia entendeu que, para ser aprovada, era necessário um diferencial. Por isso, escolheu artistas de Juiz de Fora que dialogassem com sua trajetória enquanto artista, como a poetisa Laura Conceição, nome de destaque na cena de Juiz de Fora, e o Coral feminino negro Quelé, coletivo que celebra a ancestralidade e a potência das mulheres negras.
Com direção musical e guitarra de Dan Abranches, acompanhada DJ Negana e de Mariana Assis na percussão, Anastácia, ou Naná do Pop, como é carinhosamente chamada por fãs, busca apresentar uma noite de afetos e influências que transitam entre a música contemporânea e clássicos brasileiros.
A apresentação será adaptada ao formato proposto pelo edital, com a banda e os convidados de costas para a plateia tradicional e o público posicionado no palco, onde o próprio teatro se torna cenário. Por isso, são disponibilizados 120 lugares para o show.
A retirada para os ingressos do show podem ser feitas na portaria lateral do Cine-Theatro, na Galeria Azarias Vilela, de 9h às 12h e de 14h às 17h.
Arquitetando um ritmo
A relação de Anastácia com a música, de certa forma, também é a trajetória de sua vida. A artista começou a incluir a musicalidade em seu cotidiano quando demonstrou interesse pelo saxofone. Entretanto, acabou desistindo do instrumento e decidiu que queria mesmo cantar.

Ela é formada em música e já passeou pelos mais diferentes gêneros, inclusive tendo estudado em conservatórios de música. E de tantos passeios por notas e ritmos, acabou indo parar no Rio de Janeiro, onde começou a participar de rodas de samba e entrou no universo do samba-enredo, fazendo backing vocal.
Durante essa trajetória, colaborou com artistas de peso como Arlindo Cruz, Velha Guarda da Portela, Diogo Nogueira e Xande de Pilares, os quais ela chama de “arquitetos da música brasileira”. Entretanto, faltava algo: o próprio ritmo.
“Eu não sabia bem o que queria como artista”, conta. Mesmo assim, ela lançou seu primeiro álbum, um desejo antigo. E nesse meio tempo, a pandemia veio.
Assim como milhares de pessoas, Anastácia utilizou o tempo de isolamento provocado pela Covid-19 como um momento para se entender – diante de todo o tempo disponível e a angústia vivida. Ao buscar algo genuíno em si, a Naná do Pop nasceu.
Com músicas que falam de amor e relacionamentos de forma leve e bem-humorada, a artista criou uma linguagem poética própria, simples e direta, que acaba criando uma conexão com seu público. Hoje, Anastácia também afirma brincar com diferentes influências musicais, como o pop, o forró, MPB, piseiro e o brega funk.
Anastácia já fez parte dos coletivos Arte Sônica Amplificada e Mov.Mulheres, além de atuar como embaixadora do WME Awards. A capixaba também foi finalista dos pitchs da SIM São Paulo e do WME 2023, e em 2024 venceu o pitch do Formemus.
Em 2024, Anastácia recebeu a Ordem do Mérito Maria Ortiz, homenagem concedida pela Assembleia Legislativa do Espírito Santo. Já em 2025, foi incluída no Catálogo de Cantoras Negras Brasileiras, livro da pesquisadora Luciana Oliveira que mapeia vozes negras em atividade no país.
Sua voz também está presente na trilha sonora da série “Os ausentes”, da HBO Max, com a faixa “Tá querendo” e, entre seus lançamentos mais recentes, destaca-se “Água de sal”, lançada pelo coletivo Jazz das Minas em parceria com Mart’nália, faixa que também conta com sua voz.
Com canções como “Cafofo”, “Arruda e guiné” e “Quarta-feira”, a artista apresenta o amor como tema central em uma dimensão que vai além da romântica: também é um gesto de cuidado, desejo, pertencimento e liberdade.
‘O Central é um sonho’
Ao refletir sobre sua primeira apresentação em um dos principais palcos culturais da cidade, Naná diz: “O Central é sempre um sonho, é muito lindo”. Para a compositora, estar no palco ao lado de outros artistas também é uma oportunidade de estar junto ao público.
O show também representa seu retorno aos palcos, já que, por motivos de saúde, está há cerca de cinco meses afastada. Por isso, a artista promete uma energia especial em sua performance.
Além de sua atuação como cantora, Anastácia também possui experiência com mediação de eventos, algo que possui um lugar especial em seu coração, já que pode ter a experiência de entrevistar e aprender com outras pessoas. Isso traz outro recorte para sua performance como artista, em que consegue se comunicar com o público de forma mais leve, espontânea e acolhedora.
Serviço
‘Naná do Pop convida’
Cine-Theatro central (Praça João Pessoa – Centro)
Quarta-feira (1º), às 18h30
Entrada franca | Vagas limitadas a 120 pessoas
*Estagiária sob a supervisão da editora Cecilia Itaborahy
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