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Coral faz espetáculos cênicos e preparou festival para comemorar 60 anos (Foto: Pedro Soares/Divulgação)

O Coral da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) completa 60 anos de atividade em 2026. Para marcar essa trajetória, o grupo decidiu organizar o Festival Raízes, que terá três dias de apresentações e inclui parceiros que fizeram parte dessa caminhada, como Muvuka, Àkórin e Ingoma. O objetivo é mostrar as diferentes frentes de trabalho realizadas e reunir ex-participantes para se somarem mais uma vez ao grupo, contando uma história que percorre essa caminhada e reflete sobre os frutos gerados — tudo isso, é claro, com música. De sexta-feira (6) até domingo (8), as apresentações ocorrem no Cine-Theatro Central, e o público pode retirar os ingressos gratuitamente.

O coral já está habituado a preparar um espetáculo cênico por ano, e dessa vez decidiu que faria algo ainda mais especial para celebrar o marco. “Como este ano atingimos 60 anos, e sabemos que poucos coros conseguem ser tão longevos, pensamos que deveríamos conceber algo um pouco maior e mais impactante, para que a gente conseguisse mostrar as diferentes vertentes do coral”, explica Ana Sukita, regente e diretora musical do grupo. Por isso, foi elaborada a ideia do Festival Raízes, que traz em seu nome parte da narrativa que vão apresentar: tudo começa com uma árvore que tem raízes profundas.

“É uma história das coisas que aconteceram com esse coral enquanto ser vivo, que por muitos é abraçado e valorizado, mas em alguns momentos também não é bem visto”, explica Ana, refletindo o quanto nesses 60 anos de história foram tempos de transformação, mas também de educação e cultura sendo atacadas. “Essas raízes não só que sustentam essa árvore e uma vida importante, que alimentam e que protegem, mas que também se espalham e se expandem, que conectam vários núcleos em uma coisa só”, complementa.

O vínculo do coral com a comunidade acadêmica é apontado por ela como o que faz o grupo continuar, pois foi também como surgiu: era um coro amador feito para cantar em um casamento, mas que dizem ter caído nas graças do reitor na época e acabou se tornando um coral vinculado à universidade. “É um coro que desde os seus primórdios faz uma ligação muito forte entre a comunidade juiz-forana e a comunidade acadêmica. A universidade vem desde a década de 60 fortalecendo a educação da cidade, e o coral trouxe esse vínculo de cultura”, destaca. E é algo que pretendem sempre manter, inclusive por meio de um trabalho de conservação da memória musical no que toca a compositores da cidade. Entre as músicas do repertório, ela adianta, por exemplo, “Tristeza pé no chão”, de Mamão.

Para contar seis décadas de história, o evento percorre a riqueza de sonoridades que fazem parte do país e que compõem as referências do grupo, permitindo que os espectadores conheçam melhor o coral. Em um marco como esse, ela entende que é impossível não olhar para o passado e também traçar o futuro que desejam: “Se pararmos para pensar, os principais desafios para sobrevivência do coral são a valorização por parte da comunidade, não só da cidade, mas da própria universidade, no sentido de preservar e valorizar esse bem antigo”, reflete. Além disso, para ela, também é preciso um trabalho de manutenção de pessoas interessadas em arte e cultura, para que seja possível alcançar a comunidade de modo geral — mas principalmente as pessoas que têm menos condições e oportunidades de acesso a atividades culturais.

Programação especial de três dias

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Público pode retirar ingressos gratuitamente (Foto: Pedro Soares/Divulgação)

Na sexta-feira (6), às 20h, a programação inclui o Muvuka, o Àkórin e o Ingoma, em uma noite dedicada à música negra, à cultura popular e às afromineiridades, com união entre o coral, a percussão, a dança e os ritmos tradicionais. Toda a apresentação busca valorizar as tradições afro-brasileiras e mineiras, com repertório que inclui canções como “Olhos coloridos”, de Macau, e “Mulher do fim do mundo”, de Alice Coutinho e Rômulo Fróes, eternizada na voz de Elza Soares.

Já no sábado (7), às 20h, o espetáculo “Raízes” toma conta dos palcos e celebra os 60 anos do coral com uma montagem cênica protagonizada por seus 30 coralistas. Essa apresentação inclui elementos de teatro, cenografia, figurino e iluminação, para percorrer toda essa resistência. A vontade de continuar pela arte aparece em músicas como “Vatapá”, de Dorival Caymmi, e “Classe média”, de Max Gonzaga, além de participações especiais e surpresas.

Para finalizar as comemorações, no domingo (8), às 19h, ocorre o concerto de gala com os coros da universidade, incluindo o Coral da UFJF, o Coro Acadêmico da UFJF e o Coral Pró-Música UFJF. Os grupos se reúnem para celebrar a diversidade musical e a tradição do canto em Juiz de Fora, a partir do repertório que transita entre a música de concerto, a produção brasileira e a música popular — com espaço, ainda, para que seja possível perceber as diferenças na trajetória de cada grupo e suas afinidades. Entre as canções apresentadas estão “Dia branco”, de Geraldo Azevedo e Renato Rocha, e “Somebody to love”, de Freddie Mercury. 

Para ir às apresentações, é preciso retirar os ingressos no Fórum da Cultura, das 10h às 19h, ou no Cine-Theatro Central, de terça a sexta-feira, das 9h às 12h e das 14h às 17h, e aos sábados, das 9h às 12h. Nos dias das apresentações, os ingressos também estarão disponíveis na portaria do teatro.