'Um Homem Célebre': peça revisita Machado de Assis para discutir identidade negra em Juiz de Fora

A Trupe Qualquer apresenta em Juiz de Fora, nesta quarta-feira (9), o espetáculo “Um Homem Célebre”, montagem que parte da obra de Machado de Assis para discutir identidade, apagamento racial, reconhecimento e criação artística. A apresentação será às 19h30, no Teatro Paschoal Carlos Magno.

Uma semana depois, no dia 16 de setembro, a companhia promove uma oficina gratuita relacionada ao espetáculo. A atividade será conduzida por Rafael Coutinho e apresentará ao público os processos utilizados na criação da montagem.

Escrita e dirigida por Coutinho, “Um Homem Célebre” tem como ponto de partida o conto homônimo de Machado de Assis, mas amplia as referências ao escritor para desenvolver uma dramaturgia própria. A montagem acompanha a crise de um artista que deixa de se reconhecer no espelho e aproxima essa experiência de Pestana, personagem machadiano que alcança reconhecimento como compositor de polcas, embora deseje ser reconhecido por uma produção musical diferente.

O espelho ocupa posição central tanto na cenografia quanto na narrativa. A partir dele, a peça aborda não apenas a dificuldade de reconhecimento vivida pelo personagem, mas também a forma como a própria imagem de Machado de Assis foi construída historicamente.

Na leitura da Trupe Qualquer, a montagem busca trazer para o centro a identidade de Machado como homem negro e discutir os apagamentos relacionados a essa dimensão de sua trajetória.

A relação entre Pestana e a música também é utilizada pela montagem para abordar os conflitos entre diferentes referências artísticas. No conto, o personagem deseja criar obras semelhantes às de Beethoven, ao mesmo tempo em que alcança fama com as polcas, gênero popular do século 19.

'Um Homem Célebre': peça revisita Machado de Assis para discutir identidade negra em Juiz de Fora
Foto: Divulgação

Teatro, literatura e música

A Trupe Qualquer trabalha a partir do encontro entre teatro popular, literatura e música, sem estabelecer uma divisão rígida entre produções consideradas eruditas e populares.

Em “Um Homem Célebre”, a trilha sonora original de Jeann Cavallari é executada ao vivo por uma banda e dialoga com a presença da polca na obra de Machado de Assis. A música, assim, integra a própria construção da narrativa.

O trabalho também parte de uma proposta de dramaturgia autoral. Em vez de levar ao palco uma reprodução direta da obra machadiana, a companhia utiliza os textos como ponto de partida para uma criação própria.

A partir dos personagens e das situações criadas por Machado, a montagem aproxima a obra do escritor de questões contemporâneas, como a afirmação da identidade, o apagamento da população negra, a busca por reconhecimento e as expectativas relacionadas à ideia de sucesso.

Machado reinventado no palco

Além do conto “Um Homem Célebre”, que dá nome ao espetáculo, a dramaturgia incorpora referências a outros textos de Machado de Assis. Entre eles estão “O Espelho”, “A Igreja do Diabo”, “Teoria do Medalhão” e “Missa do Galo”.

Os textos não são apresentados como adaptações literais. A proposta é reunir elementos do universo machadiano para construir uma narrativa teatral própria e estabelecer relações entre as obras e questões atuais.

A montagem também aproxima teatro e música por meio da banda ao vivo. O cenário conta com um camarim cênico, espelho vazado, picadeiro e instrumentos como bateria, violoncelo e guitarra.

A Trupe Qualquer reúne artistas de diferentes áreas e mantém bases em Juiz de Fora, São João del-Rei e Rio de Janeiro. O grupo desenvolve trabalhos ligados à dramaturgia autoral, à música, ao teatro popular e à literatura, com participação dos integrantes em diferentes etapas do processo criativo.

“Um Homem Célebre” é o segundo espetáculo da companhia. O primeiro foi “Café com Leite”, montagem voltada para o público infantil que circulou por festivais e cidades brasileiras.

'Um Homem Célebre': peça revisita Machado de Assis para discutir identidade negra em Juiz de Fora
Foto: Divulgação

Oficina gratuita apresenta processo de criação

No dia 16 de setembro, Rafael Coutinho conduz uma oficina gratuita vinculada ao espetáculo. A proposta é apresentar ao público procedimentos utilizados pela Trupe Qualquer durante o processo de criação.

A atividade será estruturada como uma desmontagem cênica e musical de “Um Homem Célebre”, reunindo uma conversa sobre a construção do espetáculo e práticas baseadas nas metodologias adotadas pela companhia.

A oficina busca apresentar não apenas o resultado final da peça, mas também os processos, experimentações e decisões utilizados durante sua elaboração.

Serviço

Um Homem Célebre | Trupe Qualquer

Data: quarta-feira (9)
Horário: 19h30
Local: Teatro Paschoal Carlos Magno, Rua Gilberto de Alencar, Centro, Juiz de Fora
Classificação: 14 anos
Ingressos: Sympla

Oficina “Um Homem Célebre: desmontagem cênica e musical”

Data: 16 de setembro
Participação: gratuita
Condução: Rafael Coutinho
Inscrições: informações serão divulgadas pela produção

Texto reescrito com o auxílio do Chat GPT e revisado por nossa equipe