

“Memento Mori”, comédia dramática realizada pela Trupe Qualquer, estreia nesta quinta-feira (15), às 20h, e terá outra apresentação na sexta-feira (16), no mesmo horário, no Teatro Paschoal Carlos Magno. A peça busca trazer para o debate o direito dos trabalhadores ao próprio tempo. As primeiras 40 pessoas que apresentarem a Carteira de Trabalho na entrada poderão assistir à peça gratuitamente. Profissionais da educação e demais trabalhadores com carteira assinada que comprarem ingressos on-line, pelo site Sympla, utilizando o cupom SINPRO, pagam R$ 10. O valor integral é de R$ 40.
A ação é uma das formas encontradas pela Trupe Qualquer para aproximar o espetáculo de quem vive na pele o debate que está no centro da montagem, que aborda jornada de trabalho, precarização e saúde mental do trabalhador. A peça, escrita e dirigida por Rafael Coutinho, acompanha Cláudia, uma corretora de imóveis que sofre um acidente de trânsito em frente ao muro de um cemitério, depois de dias de sobrecarga profissional.
Ao recobrar a consciência, rompe com sua identidade anterior, adota o nome de Ofélia e passa a percorrer as ruas da cidade conclamando trabalhadores a interromperem suas funções sob o lema latino “memento mori” (“lembra-te de que vais morrer”).
“Memento mori” é o lembrete da finitude humana e, consequentemente, da necessidade de confrontar a vaidade, o poder e as ilusões de permanência. A montagem busca reproduzir essa experiência à medida que Ofélia encontra novos personagens, como Santos, um açougueiro habituado a ceder a todas as ordens alheias, e Orfeu, um coveiro acostumado com a invisibilidade social de sua função.
Trabalho em pauta
A união dos três personagens desencadeia paralisações no transporte público e provoca reações de instituições financeiras, religiosas e de programas policiais de televisão. A peça chega aos palcos em meio ao debate sobre a jornada de trabalho, incluindo a proposta do fim da escala 6×1, além das discussões sobre precarização do emprego e os impactos da sobrecarga na saúde mental dos trabalhadores.

A montagem conta com o humor como uma forma de processar a lógica produtiva. “A verdadeira violência não era o acidente de Cláudia, e sim o que vinha antes: a escala de trabalho, a comissão que nunca fecha a conta no fim do mês e a pressão para que o trabalhador funcione como uma máquina sem falhas. O riso na peça não serve para aliviar essa tensão, mas para expor o absurdo de uma cidade que higienizou até a morte para que ninguém pare de produzir”, afirma a produção.
Premiada no 1º Festival de Cenas Curtas da APAC, em 2025, com o terceiro lugar na classificação geral e reconhecimentos técnicos, e participante da Mostra Insubmissa, no Festival de Curitiba, em 2026, “Memento Mori” amplia a pesquisa para as escalas exaustivas de serviço, os contratos temporários, os discursos corporativos e a mercantilização do luto.
A montagem dá continuidade à pesquisa da Trupe Qualquer, que articula literatura clássica e dramaturgia contemporânea. A companhia já levou “Macbeth”, de Shakespeare, ao universo infantil em “Café com leite” e trabalhou com a obra de Machado de Assis em “Um homem célebre”.
“Trabalhamos em dois eixos clássicos: a estrutura de ‘Dom Quixote’, com o arco do sonho impossível de Alonso Quijano diante da mediocridade do mundo, e a presença de ‘Hamlet’. Aqui, resgatamos a figura de Ofélia não como a personagem frágil do drama renascentista, mas como alguém vista como louca justamente por carregar um excesso de lucidez em uma realidade governada pelo cinismo e pelos interesses dos poderosos”, explica Coutinho.
O espetáculo marca a terceira montagem do coletivo juiz-forano, que acumula circulação por São Paulo, Brasília, Curitiba, Belo Horizonte e Rio de Janeiro, além de indicações ao Prêmio CBTIJ de Teatro para Crianças nas categorias de Melhor Trilha Sonora Original e Melhor Elenco.
O texto, a iluminação e a direção são de Rafael Coutinho; a trilha sonora, de Jeann Cavallari; a cenografia, de Christiam Concolato; a maquiagem e o cabelo, de Giovanna Stehling; o figurino, de Ana Hott, Ana Namorato e Ygor Ventura; o design, de Pedro Fioravante; a fotografia, de Dayana Jacqueline; e o vídeo, de Gabrielle Stehling.
O elenco é composto por Lisandra Dantas, Thiago Andrade, Victor Araújo, Tainá Neves, Giovanna Stehling, Jeann Cavallari, Raíssa Garcia e Matheus Yung.
Serviço
Espetáculo “Memento Mori” – Trupe Qualquer
Quinta-feira (15) e sexta-feira (16), às 20h
Teatro Paschoal Carlos Magno (Rua Gilberto de Alencar, s/n – Centro)
Ingressos: Ingressos: R$ 40 (inteira) e R$ 20 (meia-entrada). Entrada gratuita para os primeiros 40 trabalhadores com carteira assinada que apresentarem a Carteira de Trabalho. Para os demais trabalhadores CLT e profissionais da educação, o ingresso custa R$ 10 na compra on-line com o cupom SINPRO.
Classificação indicativa: 10 anos
*Estagiária sob a supervisão da editora Cecilia Itaborahy

