Exposição ‘Coleções conectadas III’ revela história da arte em Juiz de Fora pouco conhecida pelo público
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Ateliê das Molduras recebe obras de artistas modernistas (Foto: Leonardo Costa)

André Colombo já realizou três exposições, de acervos privados, que mostram ao público a produção artística juiz-forana ainda pouco conhecida. Nesta edição, o artista homenageado é Roberto Gil. A mostra está em cartaz no Ateliê das Molduras até o dia 5 de setembro.

“Coleções Conectadas III – Roberto Gil: a pintura como expressão poética” foi construída a partir de muita pesquisa, e procura dialogar com Juiz de Fora em diferentes níveis, em especial por representarem um momento decisivo na história cultural da cidade.

A relação se estende para além dos temas representados, indo também para a trajetória de seus autores. A maioria viveu se dedicando a formar e organizar iniciativas culturais em Juiz de Fora, além da consolidação de suas instituições artísticas.

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André advoga pelo conhecimento e democratização da arte juiz-forana (Foto: Leonardo Costa)

“A exposição convida o público a perceber que a história da cidade também pode ser contada por meio da arte, revelando como esses artistas interpretaram seu tempo, seus conflitos e suas transformações”, explica o historiador da arte e organizador, André Colombo..

A linguagem da arte

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Autorretrato de Roberto Gil, 1980 (Foto: Leonardo Costa)

Ainda pouco conhecido, o escritor, poeta, intelectual e articulador cultural Roberto Gil exerceu papel decisivo na construção de um ambiente favorável à renovação artística local, participando da Exposição de Arte Moderna de Juiz de Fora, em 1954. O artista é homenageado por sua diversidade de papéis e articulação para a modernidade artística na cidade.

“Seus textos revelam um pensamento bastante avançado para a época, defendendo a liberdade criativa, a autonomia do artista e a superação do academicismo. A seleção das obras procurou evidenciar essas conexões”, afirma André.

Além das obras de Roberto Gil, estão presentes na exposição nomes fundamentais como Nívea Bracher, Carlos Bracher, Fani Bracher, Ruy Merheb, Dnar Rocha, Renato Stehling e Roberto Vieira, todos ligados à trajetória do intelectual e do chamado “Grupo 57”.

O “Grupo 57”, denominação dada ao conjunto de artistas que ingressou na Sociedade de Belas Artes Antônio Parreiras (SBAAP), por volta de 1957, representa, segundo André, a principal vertente modernizadora da pintura juiz-forana na segunda metade do século 20.

“Era uma geração atenta às transformações da arte brasileira e internacional e que defendia maior liberdade de experimentação. As divergências estéticas e conceituais acabaram provocando o afastamento desse grupo da SBAAP, mas sua atuação foi decisiva para renovar o ambiente artístico de Juiz de Fora e influenciar gerações posteriores”, define Colombo.

Inaugurada no começo do mês, a exposição conta com obras que, em sua maioria, estão em coleções privadas. De acordo com André, esse é um dos conceitos que guia a mostra. A ideia é revelar ao público trabalhos que permaneceram inacessíveis para a maioria.

Em defesa do patrimônio

André explica que “ao reunir essas obras em um espaço expositivo, a mostra permite que parte da memória artística de Juiz de Fora retorne temporariamente ao espaço público”. A iniciativa também é uma forma de reconhecer o papel dos colecionadores na preservação desse patrimônio cultural, que passou por gerações.

O historiador conta ainda que o patrimônio de Juiz de Fora é insuficientemente conhecido pela população, mas destaca os avanços importantes na preservação da memória, tanto por iniciativas públicas quanto privadas.

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Obra sem título de Roberto Gil, 1956 (Foto: Leonardo Costa)

Entre os principais, ele cita o acervo do Castelinho da Família Bracher, espaço que acolheu a geração de artistas citada em “Coleções Conectadas III – Roberto Gil: a pintura como expressão poética”, do qual surgiu a Galeria Celina. Com a exibição dos acervos, André acredita que o conhecimento e interesse pela história de Juiz de Fora sejam ampliados.

O principal objetivo da exposição, é, então, estimular esse interesse. “Preservar a memória significa também produzir pesquisa, difundir conhecimento e criar oportunidades para que a sociedade reconheça o valor de seu patrimônio. Quando a comunidade conhece melhor seus artistas e sua história, fortalece também seu compromisso com a proteção desse legado.”

Serviço

“Coleções Conectadas III – Roberto Gil: a pintura como expressão poética”
Ateliê das Molduras (Avenida Presidente Itamar Franco, 684 – Centro)
Em cartaz até o dia 5 de setembro
Entrada franca

*Estagiária sob a supervisão da editora Cecilia Itaborahy