gil bernardes lendas do imaginário
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Mostra reúne trabalhos de toda a trajetória artística de Gil Bernardes (Foto: Leonardo Costa)

O relacionamento de Gil Bernardes com a pintura já é de longa data e soma três décadas de criação e experimentação. Para celebrar esse marco, a mostra “Lendas do imaginário” reúne obras que representam diferentes momentos da trajetória do artista de Juiz de Fora e convidam o público a conhecer seu processo criativo. A exposição está em cartaz na Galeria Portinari, no Ritz Hotel, com entrada gratuita.

Gil Bernardes é um artista versátil, que, como ele mesmo defende, não se limita a um estilo único. E isso aparece em suas obras. “Não me vejo possuidor de um imaginário particular, já que são as pinturas que me conduzem e me inspiram, na medida em que acontecem.” Para ele, “Lendas do imaginário” são fragmentos de uma história ainda em construção.

Se para alguns olhares a obra do artista pode parecer caótica, para o espectador atento uma harmonia pode surgir, como um convite à contemplação do imaginário. Por conta disso, cada obra exposta na mostra se classifica como uma experiência única para o olhar, convidando quem observa a sentir diferentes formas.

“Explorar as possibilidades do imaginário significa fazer uso da liberdade que a arte oferece a quem que – como eu – não se contenta com o óbvio diante de uma tela em branco”, define o artista. Suas obras são abstratas, com diferentes referências e experiências que o artista teve ao longo dos anos, sem se comprometer com temas fechados.

Imaginários no plural

Cada obra de Gil Bernardes é única, não apenas em composição, mas em processo. Para ele, o que é traduzido em pinceladas surge de diferentes maneiras, acontecendo naturalmente. Não existem roteiros pré-definidos e a liberdade é o que orienta os movimentos e técnicas.

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Obra em exposição em ‘Lendas do imaginário’ (Foto: Leonardo Costa)

Gil Bernardes trabalha há 30 anos como artista. Entretanto, seu contato com a arte começou bem antes: há cerca de 55 anos, quando teve seu primeiro emprego como desenhista gráfico em Juiz de Fora. O artista também trabalhou em uma pequena fábrica de móveis residenciais como projetista.

“O fato dos recursos tecnológicos serem inexistentes à época fez com que eu investisse na observação, na criatividade, na experimentação e na imaginação para atender aos requisitos dos projetos de então”, explica. Foram ferramentas úteis e que se tornaram essenciais a partir do momento em que a pintura passou a fazer parte da sua trajetória profissional.

Ao terminar uma obra, há um “pedido dela ao artista” para que ele escreva sobre a história que se revela na sutileza ou na agressividade de suas formas e cores. O modo como as tintas se movimentam na tela também convida o espectador a conhecer uma história em construção, despertando a curiosidade.

A exposição tem curadoria de Wesley Rocher, que auxiliou na montagem e escolha do tema, bem como na expografia das obras. “Lendas do imaginário’ reafirma a maturidade artística de Gil Bernardes e sua capacidade de transformar ideias, sentimentos e experiências em imagens que provocam, encantam e estabelecem um diálogo direto com o público”, define o curador.

Uma obra em construção

A abstração chegou para o artista de maneira inspiradora, sutil e confortável. “Conforto este que busco dividir com o olhar curioso do espectador, sem, no entanto, interferir na sua liberdade de interpretação”, afirma. A mostra conta com obras de suas primeiras exposições, individuais e coletivas, demonstrando sua evolução como artista.

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Wesley Rocher é o curador da exposição de Gil Bernardes (Foto: Leonardo Costa)

Gil Bernardes segue explorando cores e formas abstratas, com características presentes em “Lendas do imaginário”. A experimentação de técnicas e materiais também marca os trabalhos, mostrando que o imaginário é plural e possui mais de um caminho. “Liberdade e continuidade têm sido o meu norte”, relata.

Serviço

“Lendas do imaginário” de Gil Bernardes
Galeria Portinari – Ritz Hotel (Avenida Rio Branco, 2000 – Centro)
De segunda a sexta-feira, das 9h às 17h
Entrada franca

*Estagiária sob a supervisão da editora Cecilia Itaborahy