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(Foto: @Lua_artfotografia)

O Complexo Cultural do Proceder faz aniversário de 5 anos em junho e comemora neste sábado (27) com sarau, slam e batalha de dupla. O evento vai acontecer às 16h, na Urutu Barbearia, no Centro de Juiz de Fora, e conta ainda com o show do Ice, “Falaza Sô”. O projeto começou com a vontade de democratizar o acesso à cultura e à arte para os jovens da periferia da cidade, e passou a oferecer aulas no projeto social Alto Falante, a contar com uma biblioteca comunitária para o público de Santa Luzia e com um estúdio musical, além de servir de incentivo à cultura hip hop. Neste marco, no entanto, os planos precisaram ser revistos e sonhados novamente, após as chuvas que atingiram a cidade em fevereiro imporem dificuldades para a continuidade das atividades. 

Até este ano, muitas pessoas conheciam as iniciativas culturais do Proceder de maneira separada. Mas, como explica PretoVivo, fundador do complexo, foi preciso integrar todas as frentes em um só ecossistema para que tanto os participantes percebessem a unidade quanto a organização se entendesse melhor. “Quando cada um tinha um nome diferente, sentia eles muito distantes do meu alcance”, explica. Agora, ele também entende que quem participa se sente mais à vontade para conhecer todos os núcleos de atuação. E isso também foi importante, principalmente diante do momento que o projeto está vivendo, quando o principal eixo de atuação, o Alto Falante, precisou interromper as atividades e reconfigurar o funcionamento devido às chuvas.

Quando isso aconteceu, a rua em que funciona o projeto, no Bairro Santa Luzia, foi evacuada. E muitas das crianças que participavam e moravam em casas próximas se mudaram nas semanas seguintes, indo para diferentes bairros e contextos. “Estávamos caminhando e colhendo os frutos do Alto Falante, mas quando veio as chuvas, desmobilizamos tudo isso. Ficamos com muita dificuldade de dar o suporte. Não cabe mais na rotina de cada um se juntar para ir nas aulas do Alto Falante, até porque muitos não têm nem idade para chegar lá sozinhos”, comenta PretoVivo. Para ele, isso ainda é algo que precisa ser superado. “Não temos um projeto mais hip hop e arte-educação que o Alto Falante. E estava consolidado, era um costume”, diz.

Com a necessidade de pausa do projeto, ele também destaca os prejuízos para as crianças: o tempo delas volta a ser ocioso e perdem as ligações que estavam sendo formadas. No momento, ele conta que tem dado suporte a partir de cestas básicas e inscrições em projetos extracurriculares, mas de maneira informal e com dificuldades maiores que antes. “Eu não estou mais no dia a dia das crianças, então não sei quais são os problemas, as soluções e o que está acontecendo. Estou oferecendo o que está ao meu alcance e o que eu consigo saber. Isso afetou muito a gente”, conta. 

Batalha inclusiva

Na data, também ocorrerá uma batalha de rima e slam nos moldes diferentes dos tradicionais. Como explica PretoVivo, essa decisão foi tomada buscando a inclusão de pessoas que são excluídas socialmente e, por isso, evitam participar das rimas. Os MCs vão ter tempo para rimar e demonstrar quem tem melhor conhecimento dos temas sugeridos pelo público, sendo uma batalha temática, e não necessariamente um confronto direto.  “Não ganha a batalha quem atacar melhor, mas quem demonstrar ter melhor conhecimento sobre os temas. Isso quebra um pouco as barreiras que tem para que as pessoas participem”, diz. Além disso, ele conta que há espaço reservado para mulheres e PCDs participarem. 

Próximos aniversários

Para os próximos aniversários do Complexo Cultural Proceder, o que o fundador espera é uma continuidade do que já foi iniciado com a democratização de acesso à arte e à cultura. “Nosso sonho é conseguir atingir essa meta em Juiz de Fora. E o sonho mais pulsante, hoje, é que em um próximo aniversário o Alto Falante esteja ativo novamente e funcionando da forma que é para funcionar”, finaliza.

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