O MP (Ministério Público de São Paulo) instaurou um inquérito civil para investigar a atuação da Polícia Militar na abordagem feita à diretora da EMEI (Escola Municipal de Educação Infantil) Antônio Bento, após a denúncia de um pai sobre uma atividade relacionada a cultura afro-brasileira.

Segundo o documento, assinado na quarta-feira (29) pelo promotor Bruno Orsini Simonetti, há indícios de discriminação racial na modalidade de intolerância religiosa e de constrangimento sofrido pela equipe gestora da escola. A investigação ainda busca verificar a responsabilidade civil do Estado no caso.

O inquérito também destaca que a abordagem ocorreu fora das hipóteses de flagrante delito. Diligências preliminares, incluindo a análise de câmeras corporais dos policiais, indicaram a ausência de crimes que justificassem uma atuação tão incisiva dos agentes de segurança pública.

De acordo com a SSP-SP (Secretaria da Segurança Pública de São Paulo), o caso foi investigado pelas Polícias Civil e Militar na época. Já em fevereiro deste ano, o inquérito da civil foi concluído pelo 34º DP e relatado ao Poder Judiciário, não retornando mais à unidade.

O MP justifica que, embora a Corregedoria-Geral da Polícia Militar tenha concluído pela desnecessidade de Inquérito Policial Militar ou punição disciplinar, o órgão decidiu pela instauração do Inquérito civil por entender que há necessidade de aprofundar a investigação sobre os problemas de discriminação e a conduta institucional.

Em nota, a SSP reforçou que foi notificada pelo Ministério Público e colabora fornecendo todas as informações necessárias.

A CNN Brasil entrou em contato com a Polícia Militar, mas não obteve retorno até a última publicação.

 

Relembre o caso

Em 12 novembro de 2025, a Polícia Militar foi acionada após o pai de uma criança acusar a escola onde ela estuda de impor religião afro-brasileira nas aulas. A menina havia desenhando a entidade divina de matriz africana durante a aula

Á época, militares entraram armados na unidade escolar, após uma ligação do pai, que também é policial militar. Ele teria dito que a filha estaria sendo obrigada a ter aula de religião africana.

No dia anterior ao ocorrido, o pai da criança já havia ido à escola demonstrar sua insatisfação em relação à aula e teria se portado de maneira inadequada, retirando do mural o desenho de Iansã que a filha havia feito.

Naquele dia, os policiais permaneceram na escola por mais de uma hora e foram embora por volta das 17h com o pai da aluna.

Após análises das câmeras corporal e colhimento de depoimentos de testemunhas, a Polícia Civil indiciou o pai da criança pelo crime de intolerância religiosa. O inquérito policial foi concluído em relatado ao Poder Judiciário em fevereiro de 2026.

*Sob supervisão de Thiago Félix