A autora e velejadora Tamara Klink, 29, se retratou nas redes sociais neste domingo (9), após causar polêmica por pedir para não comprarem seu livro, “Bom Dia, Inverno”, que se tornou um dos mais vendidos do país.
“Daqui do mar, soube da dimensão que o vídeo dos livros tomou e sinto muito. Obrigada a todos que se dispuseram a escrever”, iniciou ela.
Tamara acrescentou que errou em não se atentar a outros pontos de vista e afirmou que não pensou em toda a cadeia que sustenta as editoras.
“Errei em não ver outros pontos de vista. Precisamos da leitura. Precisamos de autores. Pequenos, grandes e independentes. Sou leitora antes de ser autora e não levei em conta toda a cadeia que alimenta as editoras. Agradeço a cada um que faz a leitura ir mais longe do que a prateleira”, escreveu a autora e velejadora.
Em seu pronunciamento, Tamara Klink escreveu que “nesses dois dias soube de muita gente defendendo os livros, as editoras, os autores, as vendas, as bibliotecas, as livrarias, os sebos, as anotações, o apego, os acervos familiares, o acesso, a preocupação ambiental, o compartilhamento, os exemplares que atravessam gerações de mil maneiras”.
“Obrigada a todos que colocam energia para os livros chegarem aso leitores em todo canto, antes, hoje e no futuro”, concluiu.
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Relembre declaração
Após as altas vendas do livro “Bom Dia, Inverno”, a autora pediu que o público parasse de comprar a publicação. Tamara afirmou desejar que os seguidores parassem de comprar novos exemplares da publicação.
“Não comprem mais esse livro, ‘Bom Dia, Inverno’. Ele está na lista dos mais vendidos do Brasil há três meses e está no topo dessa lista há pelo menos dois. E, nessa altura, preciso ser coerente. Já tem muitos livros ‘Bom Dia, Inverno’ circulando pelo Brasil todo e, se vocês puderem, se tiverem acesso a uma biblioteca, se tem pessoas da família, colegas, pessoas do trabalho. Faça esses livros circularem, é para isso que eles servem, para isso que existem”, refletiu a escritora.
Preocupada com os efeitos que a fabricação de novos livros pode causar no meio ambiente, ela ressaltou que a função de todos os objetos é circular o máximo possível.
“Porque o mais legal de qualquer livro ou de qualquer objeto (…) é ele circular e cumprir sua função pelo máximo de tempo possível para ele fazer jus aos gastos de recursos e energia do planeta. Muito obrigada a todos os leitores”, acrescentou a autora e incentivou que os seguidores contassem o nome de bibliotecas próximas que não tivessem um exemplar da publicação.
A declaração dividiu opiniões e recebeu diversas críticas de editoras e outros autores, que ressaltaram como o mercado da indústria literária é difícil no Brasil e que portanto, Tamara não deveria fazer um “anti-marketing” da obra.
Quem é Tamara Klink
Filha do velejador Amyr Klink, Tamara é navegadora, escritora e palestrante, formada em arquitetura naval e terrestre por uma universidade na França. Natural de São Paulo, ela nasceu em 1997. Atualmente, é uma das principais vozes sobre a fragilidade do clima e do gelo marinho.
Ela seguiu os passos aventureiros do pai e foi a primeira mulher a passar um inverno sozinha no mar congelado do Ártico, na Groelância — história que ela conta no livro “Bom Dia, Inverno”. Ela também escreveu “Nós, o Atlântico em Solitário”, “Mil Milhas”, “Um Mundo em Poucas Linhas” e “Férias na Antártica”.
Tamara foi a pessoa mais jovem da América Latina a realizar a Passagem Noroeste em travessia solitária. Outros projetos de Tamara incluem, a travessia do Atlântico em solitário (Noruega-Brasil em 2020/21 e França-Groenlândia em 2023).
47% dos brasileiros considera livros um investimento, segundo o Serasa
*Com informações de Marina Toledo, da CNN Brasil

