
O Governo dos Estados Unidos propôs cobrar uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros exportados aos americanos. A medida, anunciada na noite de segunda-feira (1º), ainda passa por consulta pública – com prazo para comentários até 1º de julho e audiência marcada para o dia 6 —, mas já acendeu o sinal de alerta na indústria nacional. O prazo legal para que a tarifa entre em vigor é 15 de julho.
A justificativa dos EUA é uma investigação conduzida pelo Escritório do Representante Comercial Americano (USTR), aberta em julho de 2025, que concluiu que práticas brasileiras nas áreas de comércio digital, pagamentos eletrônicos – incluindo o Pix -, proteção de propriedade intelectual e combate ao desmatamento seriam “irrazoáveis” e prejudicariam empresas norte-americanas.
A Federação das Indústrias de Minas Gerais (Fiemg) e a Confederação Nacional da Indústria (CNI) reagiram com preocupação. Ambas pedem que o Governo federal atue com firmeza técnica e diplomática nas negociações para evitar que a tarifa entre em vigor. “O momento exige diálogo e análise técnica. De nossa parte, estamos prontos para contribuir com as negociações”, afirmou o presidente da CNI, Ricardo Alban.
Os dados mostram que a relação comercial entre os dois países já vinha sob pressão: as exportações brasileiras da indústria de transformação para os EUA somaram US$ 30,2 bilhões em 2025, queda de 4,2% ante o ano anterior. Dos 15 principais segmentos exportadores, nove registraram redução – com quedas expressivas em produtos de metal (-31,6%), madeira (-20%) e celulose e papel (-19,9%), setores com presença relevante em Minas Gerais.
Para a Fiemg, a imposição de tarifas adicionais tende a reduzir a competitividade dos produtos mineiros e brasileiros, ampliar a incerteza para empresas exportadoras e afetar empregos e investimentos ligados ao comércio exterior — o que, em cadeia, pode comprometer renda e emprego de trabalhadores da região.
A consulta pública de 6 de julho é a principal janela para que o Brasil apresente argumentos técnicos antes da decisão final. A CNI informou que continuará atuando junto a autoridades brasileiras e interlocutores norte-americanos em busca de solução negociada.
*estagiária sob supervisão da editora Fabíola Costa
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