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O mercado de franquias está em expansão no Brasil e Juiz de Fora vem acompanhando este crescimento. A Associação Brasileira de Franchising (ABF) aponta um crescimento de 7,4% do faturamento do setor no município em 2025. No total, foram contabilizadas 787 lojas franqueadas, que movimentaram cerca de R$2 bilhões de reais no último ano.

Em Minas Gerais, o setor de franquias também avançou e registrou um aumento de 10,2% em 2025, um desempenho próximo do alcançado pelo país, que teve alta de 10,5%. O crescimento no estado, segundo levantamento da ABF, é resultado dos mais de R$26 bilhões movimentados pelas 18.699 operações instaladas e seus 158 mil postos de trabalho diretos gerados. A expansão mineira foi impulsionada pelos segmentos de Saúde, Beleza e Bem-Estar, com crescimento de 18,3%, seguido por Casa e Construção (+16,5%) e Entretenimento e Lazer (+14,2%).

Ainda conforme consta na pesquisa da Associação, o segmento de Saúde, Beleza e Bem-Estar também foi o que mais cresceu em Juiz de Fora, registrando aumento de 9,63%. O segmento representa quase 20% do faturamento do setor de franquias no município. As 136 operações franqueadas instaladas na cidade movimentaram uma receita de mais de R$248 milhões.

Polo atrativo, aponta economista

O economista Guilherme Ventura aponta que o Brasil ocupa o segundo lugar no ranking mundial do mercado de franquias em número de unidades e faturamento. O setor movimenta cerca de R$301 bilhões anualmente, com mais de 200 mil operações ativas e gerando cerca de 1,8 milhão de empregos formais. Conforme avaliação, mesmo com o mercado de franquias em Juiz de Fora apresentando crescimento e tornando-se importante para a economia local, ainda segue inferior à média brasileira.

Segundo análise de Ventura, o município se consolidou como um polo regional, em termos de comércio, educação e saúde, expandindo sua influência para toda Zona da Mata mineira, uma região com mais de 2 milhões de habitantes. A cidade também tem à sua disposição trabalhadores com escolaridade acima da média. Essas características tornam Juiz de Fora um local atrativo para empresários investirem no segmento de franquias.

Em termos de geração de empregos, renda e investimentos, o crescimento das franquias em Juiz de Fora, como esperado, traz muitos benefícios para a economia local.

“Há uma expansão de negócios com maior probabilidade de sucesso, uma vez que possuem um modelo de negócios testado, com padronização de processos, com maior taxa de sobrevivência ao longo do tempo. Com isso, seus impactos são mais efetivos”, pontua.

Em um cenário de empreendedorismo cada vez mais competitivo, o economista aponta fatores que levam um empresário a optar pelo modelo de franquia em vez de abrir um negócio independente: O modelo validado, em que o franqueado recebe um know-how testado, que aumenta a chance de eliminação da fase de tentativa e erro comum ao iniciar um negócio próprio é mencionado pelo economista. Além disso, o economista ressalta o suporte contínuo da franqueadora, que oferece estratégias de marketing, escolha de pontos e processos operacionais, e o poder de escala, no qual as redes negociam condições melhores com fornecedores e protegem as margens de lucro da unidade.

Do lado do consumidor, Ventura diz que esta figura – tão importante em uma transação comercial,  ao fechar um serviço ou fazer uma compra com uma loja franqueada – pode contar com padronização de processos, de produtos e maior previsibilidade na oferta do mercado.

Experiências com franquias em Juiz de Fora

Foi em Juiz de Fora que o empresário Thiago Taboada se lançou às franquias. Ao sair de Petrópolis, onde morava, trouxe para a região Central da cidade uma unidade da Mr. Cheney, a rede brasileira de lojas de cookies artesanais inspirados em uma receita americana. Já em sua primeira semana de funcionamento a loja sofreu um grande impacto com o início da pandemia.

“Resolvi investir em uma franquia que não existia por aqui, como se fosse uma vantagem. Não tinha uma loja dessa aqui, então a possibilidade de dar certo é maior. E não foi assim, porque geralmente as franquias que estão abaixo de 100 lojas são ainda pouco sólidas na parte financeira e operacional. Veio a pandemia e foi um baque, não tivemos recuperação. Não dava prejuízo, mas também não decolou como a gente imaginava”, relata à Tribuna de Minas.

Em seguida, Taboada engatou na franquia da The Body Shop, uma marca de cosméticos, produtos de beleza e perfumes que pertencia à Natura. Segundo ele, o negócio avançava, até que a marca foi vendida para um grupo estrangeiro em 2023.

“Fecharam as lojas no Brasil e fizeram um acordo. Não tive prejuízo nesse caso. Inclusive, tive uma compensação financeira até maior do que o investimento que fiz, porque estava fazendo um bom trabalho, a loja estava dando lucro”, explica.

De acordo com o empresário, a experiência adquirida com o segundo empreendimento franqueado o ensinou a priorizar marcas com liquidez, ou seja, que tenham maior facilidade de revenda e despertem o interesse de potenciais compradores. O outro aprendizado com o setor, para Thiago, se deu a partir da observação da loja vizinha, uma franquia de chocolates que estava movimentada em diferentes datas comerciais do ano, mas também no dia a dia.

“Quis ir em uma marca que não existia na cidade e achando que isso ia ser o diferencial, mas às vezes é melhor abrir uma loja de perfumes, por exemplo, em uma cidade que já tem quatro. Porque assim tenho uma marca forte, com presença na mídia, publicidade, diferente de uma marca que não tem nada, em que o investimento todo é baixo”, argumenta.

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(Foto: Felipe Couri)

Interessado no segmento dos chocolates, o empresário adquiriu, ainda em 2023, quatro lojas da rede Brasil Cacau em Juiz de Fora. Dessas, duas unidades estão localizadas em shoppings e as outras duas no Centro da cidade. Depois de assumir, ele reformou as lojas e alterou a gestão. Atualmente, as lojas empregam, juntas, 13 funcionários. 

Segundo estimativa, as vendas cresceram em 7% até julho de 2026 em relação ao mesmo período do ano passado, o que ele atribui ao bom desempenho da revenda dos produtos a restaurantes e farmácias. Ao comparar o resultado de 2025 com o do ano anterior, avalia que houve um crescimento de 10% – considerado como saudável para seu negócio.

Com experiência em diferentes segmentos, Taboada defende que a busca por uma franquia geralmente é motivada por ser um negócio já validado e com um público cativo. Apesar da facilidade com o suporte oferecido, também há a necessidade de participação na operação, treinamento dos funcionários e gestão cotidiana.

“Não adianta você fazer um investimento e achar que aquilo vai rodar sozinho, porque não vai”, advoga.

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(Foto: Felipe Couri)

Ao continuar investindo em empreendimentos em Juiz de Fora, ele diz, brincando que “o juiz-forano é muito bairrista”. Para ele, o consumidor da cidade tem sensibilidade a preço, mas também é fiel às marcas que oferecem bom atendimento aliado a valores justos.

Mercado de estética ‘potencial’ e ‘rentável’

Com mais de 250 clínicas de estética no Brasil e um faturamento de R$300 milhões, a Royal Face, uma das maiores redes de harmonização facial e corporal do país, abriu uma loja franqueada em Juiz de Fora em 2023. A CEO do empreendimento, Cláudia Abreu, explica que, embora apenas 5% da população brasileira tenha feito um procedimento estético, o que indica a baixa penetração do segmento no mercado, há ainda um grande público potencial para ser alcançado.

“Quando a gente olha o cenário, as pessoas estão olhando mais para questões de autocuidado, de longevidade e de emagrecimento. Todo o cuidado com a aparência tem demonstrado uma mudança de comportamento. As pessoas consomem mais suplementos, academia e estética, e também aumentou o uso das canetas emagrecedoras. O acesso ao Instagram e ao TikTok são bons propulsores dessa transformação”, observa Cláudia.

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(Foto: Felipe Couri)

A executiva aposta nesta mudança de comportamento de consumo para continuar expandindo o negócio, que já contabilizou cerca de 2 milhões de procedimentos realizados. Para além do público feminino, os cuidados estéticos vêm ganhando espaço entre os homens, com cada vez mais interesse em preenchimentos para suavizar marcas de expressão, como também entre os jovens, que buscam procedimentos preventivos. Ainda há o crescimento do mercado do K-beauty, a “beleza coreana”, que reúne diversos cuidados com a pele originados na Coreia do Sul.

Para Cláudia, as cidades de médio porte, como Juiz de Fora, têm grande potencial para o modelo de franquias. Diferentemente de grandes centros urbanos, como Rio de Janeiro e São Paulo, que já contam com um mercado de dermatologistas estabelecido, uma clínica de estética instalada em um município de médio porte desempenha um papel importante dentro desse ecossistema e consegue atrair um público mais amplo.

“Quando a gente olha para os grandes centros, o foco é a classe B. Já nas cidades de médio porte, dependendo do procedimento, a gente pega de classe C até a mais alta, a classe A. Queremos abrir outras lojas aqui e buscar novos franqueados em Juiz de Fora, porque é um mercado com muito potencial e muita rentabilidade também”, projeta.

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(Foto: Felipe Couri)

Quanto às vantagens para o consumidor ao optar por uma franquia de estética e beleza como a Royal Face, a executiva elenca o atendimento realizado por equipes treinadas, os procedimentos feitos com protocolos padronizados de segurança e qualidade e os valores mais acessíveis. Ela também aponta a importância de educar o público como um dos pilares da empresa.

“A pessoa que vai fazer um procedimento, precisa entender o produto. O ponto fundamental é lembrar que lidamos com vidas. Mesmo sendo estética, a gente lida com a saúde das pessoas”, finaliza Cláudia.