A abertura de mercados, a negociação de acordos comerciais e as relações com parceiros internacionais integram as propostas dos candidatos à presidência, Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Em um cenário de tensões geopolíticas e barreiras comerciais, os planos apresentam estratégias para ampliar a presença brasileira no exterior, atrair investimentos e defender os interesses dos produtores nacionais.

As propostas com impacto sobre o comércio exterior do agronegócio aparecem também fora dos capítulos dedicados ao setor. Estão distribuídas entre diretrizes de política externa, desenvolvimento industrial, inovação, sustentabilidade e transição energética.

Para separá-las, a reportagem analisou os trechos que continham os termos: relações internacionais, acordos internacionais, comércio exterior, diplomacia, soberania e integração regional.

A partir do levantamento foi possível identificar que o candidato Flávio Bolsonaro defende uma diplomacia orientada pelo pragmatismo, a abertura comercial e a maior participação das empresas brasileiras nas cadeias globais de valor. Já Lula enfatiza a continuidade das estratégias adotadas no terceiro mandato (2022-2026), que incluem diversificação de mercados, fortalecimento da diplomacia comercial e a integração regional. Veja mais detalhes abaixo:

FLÁVIO BOLSONARO

Relações com parceiros e acordos comerciais

Flávio propõe uma diplomacia orientada pelo “profissionalismo, pelo pragmatismo e pelo interesse econômico brasileiro”, conforme diz o plano. O documento detalha proposta de negociar com parceiros como China, União Europeia, Estados Unidos e mercados asiáticos, buscando ganhos mútuos no comércio.

O plano também apresenta a intenção de melhorar as relações com Argentina, Estados Unidos e Israel. A avaliação de que esses vínculos foram deteriorados nos últimos anos é feita pelo próprio documento.

Os acordos comerciais aparecem como instrumentos para ampliar a presença internacional das empresas brasileiras, ao lado da abertura econômica e da adesão às regras da OCDE.

Sanções, exportações e defesa dos produtos nacionais

O candidato propõe buscar soluções diplomáticas contra sanções dos Estados Unidos, da China e da Europa aos produtos brasileiros. A abertura de mercados e a atração de investimentos são apresentadas como instrumentos de fortalecimento da soberania e da posição econômica do país.

Abertura comercial e competitividade 

Flávio defende preparar o Brasil para uma abertura comercial que facilite o acesso do setor produtivo a bens de capital, tecnologias e insumos importados. Segundo o plano, a ampliação da concorrência deve contribuir para reduzir preços e melhorar a oferta ao consumidor.

O documento também atribui ao Estado o papel de evitar a dependência excessiva em áreas consideradas críticas, como cadeias de suprimentos e tecnologia.

Cooperação e integração regional

O plano apresenta como prioridade a retomada do processo de adesão à Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). Nesse contexto, propõe o fim gradual do IOF sobre operações de câmbio, medida que o documento associa às exigências do processo de adesão.

Flávio propõe executar um plano nacional de integração às cadeias globais de valor, com prioridade para a agroindústria avançada, os minerais críticos, a saúde e a economia digital.

O documento prevê apoiar a internacionalização de pequenas e médias empresas por meio do BNDES e da Apex-Brasil.

Investimentos internacionais, meio ambiente e transição energética

O plano apresenta a energia limpa e a sustentabilidade como vantagens competitivas para atrair capital estrangeiro. A meta declarada é posicionar o Brasil, até 2030, entre os principais destinos mundiais de investimento em transição energética, com destaque para biocombustíveis, energia solar, eólica e hidrogênio verde por meio da diplomacia.

LULA

Relações com parceiros e acordos comerciais 

O plano propõe ampliar as parcerias estratégicas do Brasil e investir em novos acordos comerciais e na abertura de mercados para bens e serviços. A diretriz é manter uma política externa universalista, com cooperação e negociação com todas as regiões do mundo.

Para o agronegócio, o documento promete dar continuidade à diversificação dos destinos das exportações. Como justificativa, cita a abertura de 656 novos mercados para produtos agrícolas e pecuários no atual mandato, apresentada como uma forma de reduzir a exposição dos produtores às incertezas geopolíticas.

Sanções, exportações e defesa dos produtos nacionais

Lula propõe fortalecer a diplomacia comercial, promover a imagem do agronegócio brasileiro, reforçar a atuação dos adidos agrícolas em mercados estratégicos e ampliar as missões comerciais.

O plano também prevê o aprimoramento dos instrumentos de defesa comercial e a defesa dos interesses brasileiros com base nas normas internacionais e no multilateralismo. No contexto, menciona a continuidade do Plano Brasil Soberano como instrumento de apoio às empresas e de preservação do emprego e da renda.

Abertura comercial e competitividade 

De acordo com o plano, o candidato do PT infere permanecer com a política de comércio exterior alinhada às políticas industrial, científica, tecnológica e de inovação. Os objetivos incluem elevar a produtividade, agregar valor às cadeias produtivas, fortalecer a soberania tecnológica, gerar empregos qualificados e descarbonizar a economia.

O plano propõe estimular as exportações industriais, ampliar a presença em novos mercados e aumentar a participação de produtos de maior valor agregado na pauta exportadora.

Cooperação e integração regional

Lula propõe aprofundar o Mercosul e consolidá-lo como a principal plataforma de integração econômica, produtiva, política e social da América do Sul. Também prevê ampliar a integração de infraestrutura, com prioridade para redes multimodais e conexões com o Pacífico e o Caribe.

Dentre as propostas está a criação de um mercado comum sul-americano de energia, com interconexões e coordenação regulatória, e o fortalecimento da Organização do Tratado de Cooperação Amazônica em áreas como bioeconomia, ciência e financiamento verde.

O plano de governo do PT inclui a continuidade da cooperação técnica Sul-Sul para fortalecer os sistemas de segurança alimentar na África e na América Latina. O tema integra a agenda de atuação internacional do Brasil e se conecta às políticas de alimentação e produção agrícola.

Investimentos internacionais, meio ambiente e transição energética

Na agenda internacional, o documento defende contribuir para a implementação de um caminho de eliminação global do desmatamento e participar das discussões sobre a transição para longe dos combustíveis fósseis, considerando soberania, segurança energética e previsibilidade regulatória.

Aviso ao leitor: Esta reportagem faz parte de uma série da CNN Brasil sobre as propostas dos candidatos à Presidência da República para o agronegócio. Cada texto aborda um tema específico; por isso, esta análise se concentra no mercado de capitais, nas fontes privadas de financiamento e nos instrumentos de gestão das dívidas do setor.