O novo tarifaço imposto pelos Estados Unidos está intensificando a pressão pela volta da chamada “taxa das blusinhas”, imposto de importação de 20% sobre compras internacionais online de até US$ 50, especialmente em produtos vindos da China.

A análise foi feita no Hora H desta sexta-feira (24) pela analista de política da CNN Julliana Lopes, que detalhou o cenário político e econômico em torno do tema.

Segundo Julliana Lopes, o setor têxtil brasileiro está calculando uma taxação que pode chegar a 37%, considerando tudo o que aconteceu em termos de tarifas nos últimos dias.

“Um setor super taxado, se a gente somar tudo o que aconteceu de tarifa nos últimos dias”, afirmou. O segmento já vinha reclamando desde que o governo recuou da chamada “taxa das blusinhas”, medida que incidia sobre produtos vindos da China.

Recuo do governo e impacto eleitoral

De acordo com Julliana Lopes, o governo optou por recuar da taxa pensando em ganhos eleitorais, e esses ganhos estão sendo contabilizados.

Desde que a medida foi suspensa e uma medida provisória foi apresentada, houve um aumento muito significativo nas remessas vindas principalmente da China.

“Esse ganho eleitoral está sendo calculado pelo governo”, destacou. A medida provisória precisa ser votada no Congresso até o dia 8 de setembro, antes do primeiro turno das eleições, o que torna o tema ainda mais sensível politicamente.

Articulação no Congresso

Julliana Lopes ressaltou que o setor têxtil está articulando com mais força junto ao Congresso Nacional. Integrantes do setor já conversam com lideranças parlamentares para entender como será a votação da medida provisória.

“A depender do aceno que os parlamentares queiram dar para os setores, pode ser que o governo tenha um revés em relação a essa medida provisória”, avaliou.

A medida é vista como um aceno principalmente para a classe C, eleitorado considerado importante nos meses que antecedem o início oficial da campanha.

O setor se vê agora pressionado dos dois lados: de um lado, exposto à concorrência de produtos vindos da China, considerada por muitos como desleal tanto em preço quanto em qualidade; de outro, penalizado pelas tarifas impostas pelos Estados Unidos.

A questão central, segundo Julliana Lopes, permanece em aberto: de que forma o governo vai efetivamente auxiliar essas empresas diante do novo cenário tarifário internacional.

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