Ao WW, Christopher Garman, diretor-executivo da Eurasia Group, afirmou não acreditar que exista margem significativa para negociar uma redução das tarifas propostas pelos Estados Unidos ao Brasil.

Garman avaliou que a decisão americana já estava, em grande medida, encaminhada, e que caberia ao governo brasileiro ter oferecido concessões para evitar a recomposição das taxações.

Contexto das tarifas

A proposta de tarifa de 25% partiu do USTR após a Suprema Corte americana derrubar o instrumento AIPA globalmente.

Segundo Garman, as investigações do tipo 301 foram abertas justamente para repor as tarifas que haviam sido derrubadas.

“A tarifa que foi derrubada no Brasil era de 40%; sobrou 10%, e o USTR propôs a reposição de 25%“, explicou.

Em sua avaliação, o governo americano, na prática, reduziu parcialmente a taxação anterior ao não repor o valor integral.

Para ele, se analisado sob certa ótica, o que o USTR e o governo americano fizeram foi uma “descalada” em relação ao regime tarifário que vigorava antes da decisão da Suprema Corte americana.

Falta de concessões do lado brasileiro

Garman destacou que o governo brasileiro não apresentou concessões relevantes durante o processo de negociação.

Entre os pontos citados, ele mencionou a ausência de adesão a um acordo de minerais críticos, que era um dos interesses do governo americano.

“Faltando concessões maiores, veio a decisão dessa recomposição parcial”, afirmou.

Na sua análise, a inércia do processo apontava para alguma forma de recomposição tarifária, e a iniciativa de evitá-la recaía sobre Brasília.

Eleição e retórica antiamericana

O analista também apontou o calendário eleitoral como fator complicador para as negociações.

Segundo ele, quanto mais próximo o Brasil chega do período eleitoral, mais difícil se torna avançar em acordos comerciais.

Garman chamou atenção para a retórica adotada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) diante do anúncio das tarifas.

“É claro que ele disse que foi surpreendido, que é um choque, mas isso é um pouco de retórica para ter apoio doméstico e uma postura mais antiamericana”, avaliou.

Para o analista, essa postura está diretamente ligada à pré-campanha para as eleições presidenciais.

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