A Volkswagen reduziu drasticamente suas projeções de resultado nesta sexta-feira (18), ao anunciar 10 bilhões de euros em despesas não recorrentes relacionadas à sua participação na fabricante de carros esportivos de luxo Porsche, provisões para cortes de pessoal e vendas em baixa na China.

A notícia levanta dúvidas sobre a marca Porsche, que foi a mais duramente atingida pelas tarifas de importação dos Estados Unidos e pela queda vertiginosa na demanda por marcas de luxo estrangeiras na China, criando uma tempestade perfeita para a divisão que registrou uma margem de lucro de apenas 1,1% no ano passado.

As ações da Volkswagen, a segunda maior montadora de veículos do mundo, fecharam com queda de 5,6% após o anúncio, enquanto as ações da Porsche caíram 3,3%. A principal acionista da Volkswagen, a Porsche SE, também revisou para baixo suas perspectivas, levando suas ações a uma queda de 4,9%.

Novas projeções de médio prazo para a Porsche, da qual a Volkswagen detém 75,4%, levaram a uma baixa contábil de cerca de 6 bilhões de euros, informou a empresa.

O alerta sobre os lucros agrava a crise na Volkswagen, que no início deste mês conseguiu chegar a um acordo com os sindicatos sobre amplas demissões.

O grupo Volkswagen, que também inclui as marcas Audi, Skoda e Seat, entre outras, agora espera uma margem de lucro de, no máximo, 1% em 2026, tendo anteriormente projetado uma margem entre 4% e 5,5%.

A empresa alertou para uma “nova deterioração do ambiente de mercado, especialmente na China, bem como para uma mudança acelerada na demanda em favor de veículos elétricos a bateria”.

Isso, segundo a empresa, leva a expectativas mais baixas para as marcas de automóveis de passageiros Audi e Volkswagen.