Espera-se que a guerra dos EUA com o Irã aumente a inflação no primeiro trimestre de 2027, elevando os custos em um momento em que os americanos estão cada vez mais preocupados com a economia, de acordo com uma análise do CBO (Escritório de Orçamento do Congresso, sigla em inglês) divulgada na terça-feira (15).
O CBO espera que a guerra com o Irã acrescente aproximadamente 0,5 ponto percentual à inflação durante esse período, um cálculo impulsionado em grande parte pelos custos mais elevados de energia decorrentes do conflito.
O escritório afirmou, em uma carta ao Congresso, que o aumento projetado estava ligado às “pressões inflacionárias causadas pela redução nos embarques de petróleo e gás natural pelo Estreito de Ormuz e pelas perturbações no transporte marítimo pelo Mar Vermelho (que se intensificaram desde que o CBO concluiu a análise subjacente a esta carta)”.
Além do impacto sobre a economia dos EUA, o CBO estima que a guerra custou aproximadamente US$ 38 bilhões até 1º de agosto. A estimativa não inclui o custo de reparação das instalações americanas danificadas durante a guerra, sendo que a maior parte do valor se deve aos gastos com munições, informou o escritório.
“O CBO estima que o custo para repor as munições utilizadas até 1º de agosto de 2026 é de US$ 21,7 bilhões: US$ 7,3 bilhões para os mísseis de cruzeiro de ataque terrestre, US$ 13,1 bilhões para os interceptores de defesa antimíssil e US$ 1,2 bilhão para outras munições”, dizia a carta.
“A reposição dessas munições foi o maior componente isolado dos custos incorridos pelo DoD durante o conflito, estima o CBO.”
O CBO estima que a guerra continuará custando aos EUA aproximadamente US$ 2 bilhões a US$ 3 bilhões por mês após 1º de agosto, com custos mais elevados estimados durante períodos de combates intensificados.
Porém, o CBO afirmou que não forneceria uma contabilidade completa dos custos da guerra, conforme solicitado pelos legisladores, devido a limitações nos dados disponíveis.
“As estimativas que o CBO foi solicitado a produzir para cada categoria de custos são o resultado de análises separadas que refletem dados, métodos, períodos de tempo e magnitudes de incerteza distintos”, disse o escritório. “Portanto, as estimativas para cada categoria não são diretamente comparáveis ou somáveis.”
A estimativa do CBO acompanha de perto o que o Pentágono informou ao Congresso, com o secretário de Defesa Pete Hegseth apontando o custo em US$ 37,5 bilhões até 21 de julho durante depoimento perante o Comitê de Serviços Armados do Senado.
As estimativas do Departamento de Defesa também não incluem o custo de reparo das instalações.
Em alguns casos, o governo dos EUA pode simplesmente optar por não reconstruir ativos que foram gravemente danificados ou destruídos por ataques iranianos — em parte devido a considerações de custo, disseram fontes anteriormente à CNN.
Autoridades do Pentágono recusaram-se publicamente a dizer o que poderiam reconstruir e declinaram responder à solicitação de informações do CBO.
O controlador do Pentágono, Jules “Jay” Hurst III, disse a repórteres em abril que não estava claro quanto custaria reparar as bases e instalações danificadas na guerra, “e parte disso é que avaliaríamos qual deveria ser nossa postura no Oriente Médio”.
Hurst acrescentou posteriormente que o Pentágono não “tem um número final para os danos às nossas instalações no exterior”, e que depende “de como decidirmos reconstruí-las, ou se o faremos”.
O CBO também realizou uma análise dos estoques dos EUA e constatou que a guerra esgotou significativamente as munições, incluindo os estoques de interceptores. Essa avaliação coincide com um relatório do inspetor-geral do Pentágono divulgado na segunda-feira, que descreveu uma escassez crítica de mísseis.
Especialistas alertam que isso poderia reduzir a capacidade das forças militares de responder a outro grande conflito. A reconstrução do estoque dos EUA poderia levar cinco anos ou mais, informou o CBO.
O CBO divulgou essas estimativas em resposta a uma solicitação de democratas da Câmara no Comitê de Orçamento, que pressionaram por detalhes sobre quanto a guerra EUA-Irã está custando.
“A guerra desastrosa de Donald Trump no Irã já ceifou a vida de bravos militares americanos e deixou outros feridos.
Além desse custo humano, este relatório apartidário do CBO deixa claro que a guerra também custou aos contribuintes americanos dezenas de bilhões de dólares e continua aumentando”, disse o deputado democrata Brendan Boyle, membro de classificação do comitê, em nota à CNN.

