Três meses antes da morte de Maria Eduarda Rodrigues de Farias, que foi arremessada da ponte durante uma atividade de rope jump sem o uso de corda de segurança em em 13 de junho, uma criança já havia se acidentado realizando a atividade com a mesma empresa. A informação consta no segundo inquérito do caso, finalizado pela Polícia Civil nesta quarta-feira (1º).
O acidente ocorreu em março de 2026, durante uma atividade interna da equipe “Entre Cordas”, após o encerramento do atendimento ao público, quando os instrutores realizavam saltos para gravar vídeos para redes sociais.
Um menino, filho de um homem que atuava como apoio operacional da equipe, realizou um dos saltos. Porém, enquanto a criança ainda realizava movimentos pendulares após saltar, um instrutor posicionado na base da ponte liberou a corda antes da hora.
Como o movimento ainda não estava estabilizado, o menino raspou o corpo no solo, sofrendo escoriações nos joelhos e relatando uma leve batida na cabeça.
O pai da criança afirma que manifestou insatisfação imediata com a conduta dos responsáveis e decidiu cessar, definitivamente, sua participação nas atividades da equipe do “Entre Cordas”.
Testemunhas e áudios ouvidos durante o processo apontam que integrantes da equipe solicitaram que o vídeo do acidente com a criança não fosse divulgado e fosse apagado por medo da repercussão.
Além disso, a organizadora do evento, Evelyne dos Santos Gonçalves, teria dito à criança, logo após o acidente, que ele “ainda se tornaria muito famoso” e “ganharia muitos seguidores”.
Uma ex-integrante do “Entre Cordas” afirmou em áudio que se afastou do grupo após esse caso por ficar chateada com a ambição de Evelyne por mídia e exposição em redes sociais.
Com esse acidente anterior, a polícia apontou que os organizadores assumiram conscientemente o risco do resultado fatal que causou a morte de Maria Eduarda, já que sabiam da possibilidade de falhas graves.
Evelyne dos Santos Gonçalves foi indiciada por homicídio qualificado e fraude processual no inquérito que investiga a morte de Maria Eduarda Rodrigues.
Entenda o caso de Maria Eduarda
Segundo as investigações, a jovem Maria Eduarda contratou a empresa Entre Cordas para realizar a prática de rope jump, mas foi lançada pelos funcionários de uma altura de aproximadamente 40 metros sem estar presa aos equipamentos de segurança.
Testemunhas gravaram o momento do acidente. Nas imagens, é possível ouvir pessoas gritando ao perceberem que ela não estava presa ao sistema de segurança.
Além da falta da câmera, quando um dos policiais se afastou para prestar apoio ao resgate, os três funcionários da empresa fugiram em direção a uma área de vegetação próxima.
Veja: Rope jump sem corda: quem são os presos pela morte de jovem em SP
A Secretaria de Patrimônio da União (SPU), vinculada ao Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI), informou ainda que a empresa responsável pela atividade não possuía autorização para realizar operações esportivas na Ponte do Esqueleto.
Após a tragédia, o Governo Federal passou a estudar a possibilidade de demolir a estrutura. Em reunião com representantes do MGI, a prefeita de Cordeirópolis e o prefeito de Limeira afirmaram que os municípios já adotam medidas para restringir o acesso à ponte e manifestaram apoio à demolição da estrutura.
Conclusão do inquérito
Três suspeitos foram indiciados por homicídio no primeiro inquérito: Luis Felipe Feliciano Egoroff, Maicon Fernandes Cintra e Vitor de Freitas Gonçalves.
De acordo com as investigações, eles atuaram diretamente no arremesso da vítima, motivo pelo qual foram autuados em flagrante, tendo suas prisões posteriormente convertidas em preventivas.
Evelyne dos Santos Gonçalves, de 43 anos, foi formalmente indiciada por homicídio qualificado (com dolo eventual) e fraude processual. A polícia concluiu que ela gerenciava a logística, captação de clientes e a divulgação comercial da empresa Entre Cordas.
No indiciamento, a polícia pediu a conversão da prisão temporária dela em preventiva. A investigada segue presa.
Em nota, a Delegacia Seccional de Limeira informou que as investigações prosseguem para apurar o paradeiro da câmera utilizada pela vítima.
Defesa de Vitor de Freitas
“Os advogados Jader Gilberto Martins dos Santos (OAB/RS 84.144) e Olga Thaynan Pereira Popoviche (OAB/RS 116.619) informam que foram constituídos, na data de hoje, para atuar na defesa técnica de Vitor de Freitas Gonçalves, investigado em procedimento relacionado aos fatos ocorridos em 13 de junho de 2026, durante atividade de rope jump realizada na região de Limeira/SP, que culminou no falecimento da jovem Maria Eduarda Rodrigues de Freitas.
Neste primeiro momento, a defesa registra seu profundo respeito à memória da vítima e manifesta solidariedade aos seus familiares e amigos.
A defesa esclarece que acaba de assumir o patrocínio da causa e que, até o presente momento, ainda não teve acesso integral aos autos do procedimento investigatório, circunstância que impede qualquer manifestação responsável acerca dos elementos de informação já produzidos.
Também é importante esclarecer que as investigações ainda se encontram em andamento, não havendo, até o presente momento, conclusão do inquérito policial nem oferecimento de denúncia pelo Ministério Público.
A atuação da defesa será pautada pela observância do devido processo legal, do contraditório, da ampla defesa e da presunção de inocência, garantias constitucionais indispensáveis ao Estado Democrático de Direito.
Por cautela e responsabilidade profissional, a defesa não fará comentários acerca do mérito dos fatos investigados neste momento, reservando-se ao exame aprofundado dos autos tão logo seja disponibilizado acesso integral ao conteúdo da investigação.
Eventuais manifestações futuras serão realizadas de forma técnica, responsável e compatível com o estágio do procedimento.”
A CNN Brasil tenta contato com a defesa dos outros citados. O espaço segue aberto.
*Sob supervisão de Carolina Figueiredo

