A BP anunciou que vai começar a procurar comprador para seus negócios no Mar do Norte, como parte de uma reavaliação geral do seu portfólio. Em maio, a Bloomberg já havia reportado que a empresa estudava a venda da unidade, que pode render cerca de £2 bilhões (US$ 2,7 bilhões). “O negócio vai ficar mais bem posicionado como parte de outra empresa”, disse a CEO Meg O’Neill em comunicado nesta sexta-feira.
A petrolífera já fechou ou concluiu uma série de vendas no último ano, incluindo a da Castrol, sua marca de lubrificantes. O objetivo é simplificar o portfólio, fortalecer o balanço e concentrar os investimentos nas operações principais de extração, refino e trading.
A BP é a última grande petrolífera global a ter um negócio próprio e independente no Mar do Norte. Shell e TotalEnergies já unificaram suas operações com outras empresas na região, enquanto Chevron e ConocoPhillips já venderam seus ativos por lá. O setor reclama que a região perdeu atratividade por causa das restrições do governo britânico à exploração de novos projetos e da alta carga tributária.
“Isso deveria servir como um alerta mortalmente sério”, disse Andrew Griffith, secretário de negócios da oposição conservadora. “A Grã-Bretanha precisa competir por energia, capital e talento, mas o governo só aumenta impostos e cria mais burocracia.”
A BP vem encolhendo sua presença na região há dez anos. Já vendeu sua fatia no campo Shearwater para a Shell e o sistema de dutos Forties para a Ineos. Ainda detém 45% do campo Clair, o maior da costa britânica, e produz cerca de 100 mil barris de óleo equivalente por dia no Mar do Norte — uma fração dos 2,3 milhões de barris que extrai no mundo todo.
O Mar do Norte pode ser a primeira grande venda da era Meg O’Neill, que em abril se tornou a primeira CEO da BP vinda de fora da empresa. Ela e o então chairman Albert Manifold tentavam reverter anos de resultados fracos, que geraram pressão do fundo ativista Elliott Management e custaram o cargo ao ex-CEO Murray Auchincloss. Manifold acabou saindo também, e O’Neill agora assume o desafio de virar o jogo sozinha. Nesta semana, a empresa anunciou o corte de 700 empregos nas áreas de produção e operações.
A BP divulga seus resultados do segundo trimestre na terça-feira, o primeiro balanço completo de O’Neill no comando. As ações da empresa subiram ligeiramente em Londres nesta sexta-feira.
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