A campanha de Flávio Bolsonaro (PL) definiu novas diretrizes para o segundo turno da eleição presidencial. Entre as estratégias que passam a ser adotadas estão a retirada do Supremo Tribunal Federal (STF) do centro dos discursos, o reforço da pauta econômica e a exploração de um Congresso Nacional alinhado à direita. As orientações foram discutidas e definidas em reuniões de alinhamento realizadas entre segunda-feira (5) e terça-feira (7) e já começaram a ser implementadas pela campanha e por aliados.
Segundo presentes nas reuniões, a principal mudança é tirar o foco do discurso anti-STF. A avaliação é de que, embora as críticas à Corte ainda possam aparecer, o tema não deve ser tratado como uma das prioridades da campanha. A intenção é direcionar o discurso para problemas considerados mais próximos da população, especialmente os relacionados à economia.
A mudança também ocorre em um momento em que a equipe de Flávio tem observado sinalizações favoráveis de ministros do Supremo desde que o candidato terminou o primeiro turno à frente de Lula (PT). Entre elas estão a diminuição da pena de “Débora do Batom” e o arquivamento de uma investigação por estupro de vulnerável contra o deputado Alfredo Gaspar, candidato a vice-presidente na chapa. Coordenador da campanha de Flávio, o senador Rogério Marinho (PL) também foi escalado para manter contato com os ministros da Corte e tem enviado recados sobre a intenção de construir uma relação mais estável.
No campo econômico, Flávio e seus aliados devem reforçar o discurso sobre o preço dos alimentos e sobre empresas que enfrentam problemas. A campanha também pretende apresentar reformas consideradas necessárias para melhorar a vida da população.
Outra frente que deve ganhar espaço é a composição do Congresso Nacional. A campanha pretende explorar a eleição de deputados e senadores alinhados à direita e construir a narrativa sobre “tudo o que Flávio pode fazer e conquistar” caso tenha Câmara e Senado favoráveis às suas principais pautas. O grupo também deve destacar as dificuldades que Lula enfrentaria para governar caso seja eleito com um Congresso alinhado à direita. A avaliação é de que, além de enfrentar resistência a suas propostas, o petista poderia colocar empecilhos para a aprovação de temas que deputados e senadores ligados ao campo conservador queiram levar adiante.
