
Segundo maior colégio eleitoral do país, Minas Gerais é considerado um estado-chave, uma vez que, desde a primeira eleição após a redemocratização, em 1989, todos os candidatos que aqui venceram chegaram ao Palácio do Planalto. São muitas as explicações, mas o fato de abrigar estratos da população de todas as regiões do país dá aos pesquisadores um retrato próximo do sentimento dos eleitores brasileiros.
A pesquisa Genial/Quaest, divulgada nesta terça-feira, mostrou um empate técnico na corrida presidencial. No primeiro turno, o presidente Lula (PT) tem a preferência de 30% dos eleitores, enquanto o senador Flávio Bolsonaro (PL) foi apontado por 29% dos entrevistados. O ex-governador Romeu Zema (Novo) foi citado por 12%.
Mas o que chama a atenção é a disputa para o Governo do estado. O senador Cleitinho Azevedo (Republicanos), ainda relutante em aceitar a candidatura, lidera em todos os cenários em que foi avaliado. Se a eleição fosse hoje, ele teria 35% dos votos, seguido do ex-prefeito de Belo Horizonte Alexandre Kalil (PDT), com 12%, e pelo também ex-prefeito da capital Patrus Ananias (PT), com 10%. O governador Mateus Simões (PSD) foi citado por 6% dos entrevistados.
Sem Cleitinho na disputa – o que é bem provável -, a pesquisa mostra Alexandre Kalil com 15%, seguido de Patrus Ananias, com 13%. O governador Mateus Simões foi citado por 9%.
A pesquisa revela que 63% dos mineiros admitem mudar o voto, dependendo do cenário eleitoral do dia 4 de outubro, o que aponta para um dado significativo: os mineiros só vão definir o seu voto na reta final de campanha, o que pode ser um bom sinal para o governador Mateus Simões, ora patinando na casa de um dígito. Com o poder de agenda em razão do cargo, ele tem meios de ampliar a sua visibilidade, mas deve estar ciente de que o tempo é curto.
Quando era senador da República e percorria o país em defesa da redemocratização, o ex-governador Magalhães Pinto enfatizava em seus discursos que a política é como uma nuvem, isto é, a cada momento está em um lugar. A metáfora cabe bem na corrida eleitoral de 2026, pois, tendo ou não Cleitinho na disputa, novos cenários podem ocorrer. Um deles seria a entrada do ex-secretário de Governo na gestão Zema, Marcelo Aro. Hoje na lista de candidatos ao Senado, ele pode ser a alternativa de palanque para Flávio Bolsonaro. Basta aceitar a proposta de ser ele o candidato ao Governo de Minas – afastando-se do governador Mateus Simões.
Como alertava Magalhães, muita coisa ainda pode acontecer em Minas.
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