
Renegociar as condições de pagamento, rever benefícios fiscais ou suspender os repasses à União? A dívida pública de Minas Gerais está entre os assuntos que diferenciam as propostas dos candidatos ao Senado. Em respostas encaminhadas à Tribuna de Minas, as campanhas apresentaram diferentes propostas para enfrentar o endividamento estadual e definir a destinação dos recursos públicos. As posições também variam quanto à utilização do patrimônio público e às mudanças consideradas necessárias na política fiscal.
O levantamento faz parte da edição 2026 do projeto Voto e Cidadania. A Tribuna encaminhou o mesmo questionário aos 16 candidatos ao Senado por Minas Gerais: Aécio Neves (PSDB), Ana Luiza do MLB (UP), Arcanjo Pimenta (MDB), Áurea Carolina (PSOL), Carlin Moura (Avante), Carlos Viana (PSD), Domingos Sávio (PL), Fidélis Alcântara (UP), Juiz Ramon Moreira (DC), Jordano Metalúrgico (PSTU), Manoel Carvalho (MDB), Marcelo Aro (PP), Marco Antônio Superman (Novo), Marília Campos (PT), Tião Pessoa (PCO) e Victória Mello (PSTU).
Renegociação e capacidade de investimento
Entre os candidatos que defendem mudanças nas condições de pagamento, Aécio Neves propõe ampliar de 30 para 50 anos o prazo de quitação da dívida e reduzir o comprometimento da receita estadual com as prestações.
Domingos Sávio também defende uma nova negociação com a União, mas propõe que Minas continue pagando os juros e mantenha no estado os valores destinados à amortização. “Não defendo calote, porque se Minas não pagar, nenhum estado paga”, afirma. Segundo o candidato, esses recursos deveriam ser reinvestidos em rodovias, segurança e saúde.
Marília Campos considera o Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados (Propag) um avanço, mas defende ampliar o prazo de pagamento e articular parlamentares mineiros e os governos estadual e federal para buscar uma compensação que retorne ao estado em investimentos. “O Propag já foi uma negociação importante, mas precisamos fazer uma articulação mais ampla com representantes de Minas Gerais no congresso, no senado e no executivo estadual”, afirma.
Arcanjo Pimenta também defende o acompanhamento das condições negociadas. “O Propag é um início, principalmente porque busca reduzir o peso dos juros, mas precisa ser acompanhado de perto”, diz. O candidato propõe conciliar o pagamento da dívida com a manutenção dos investimentos em serviços públicos.
Carlin Moura propõe reduzir o saldo devedor mediante a oferta de ativos estaduais, com avaliação transparente e proteção do patrimônio público. A economia obtida com a renegociação, segundo o candidato, deveria ser direcionada a investimentos em Minas.
Já Manoel Carvalho defende a fiscalização do acordo e medidas de controle fiscal. O atual vice-prefeito de Muriaé propõe a criação de um painel público com informações sobre o saldo devedor, as parcelas, os ativos envolvidos e os investimentos realizados. Também defende controlar o crescimento das despesas e revisar subsídios e políticas públicas que não apresentem resultados.
Áurea Carolina, por sua vez, associa o aprimoramento do Propag à revisão das renúncias fiscais concedidas a grandes empresas. A ex-deputada federal critica a venda de patrimônio público como alternativa para enfrentar o endividamento. “A conta não fecha quando se renuncia à arrecadação de um lado e se aperta o serviço público do outro”, afirma.
Juiz Ramon Moreira apresenta três frentes de atuação: articulação política, proposição legislativa e mediação jurídica. O candidato pretende buscar apoio de parlamentares de outros estados endividados e intermediar o diálogo entre o Governo de Minas e a União.
Suspensão dos pagamentos e outras medidas econômicas
Entre as candidaturas que propõem a suspensão dos pagamentos, Jordano Metalúrgico defende a revogação da negociação atual, a reversão de privatizações e a tributação das exportações. O candidato também propõe a expropriação de grandes empresas, a partir da organização dos trabalhadores, para que a riqueza produzida seja destinada à melhoria de suas condições de vida.
Victória Mello também defende a suspensão imediata dos pagamentos e propõe uma auditoria da dívida estadual. “Essa dívida não foi feita pelos trabalhadores e nem para os trabalhadores”, afirma a professora de Juiz de Fora. A candidata também propõe a revogação do arcabouço fiscal e da Lei de Responsabilidade Fiscal, além da criação de uma Lei de Responsabilidade Social voltada à garantia de investimentos nas áreas sociais.
Tião Pessoa também defende o não pagamento da dívida pública. Sua proposta inclui a estatização do sistema financeiro, com o objetivo de criar poupança interna para promover o crescimento econômico do país.
Confira as entrevistas na íntegra
A Tribuna procurou as 16 candidaturas ao Senado por Minas Gerais. As assessorias de Ana Luiza do MLB (UP), Carlos Viana (PSD), Fidélis Alcântara (UP), Marcelo Aro (PP) e Marco Antônio Superman (Novo) não responderam ao questionário encaminhado pela reportagem.
As entrevistas completas e os perfis dos candidatos estão disponíveis no portal da Tribuna de Minas, na edição 2026 do projeto Voto e Cidadania. O material reúne as propostas para Juiz de Fora e a Zona da Mata, as posições sobre a dívida estadual e as prioridades para a atuação no Senado. Acesse: tribunademinas.com.br


