
A Universidade Federal de Lavras (UFLA) – a 244 quilômetros de Juiz de Fora – e a Universidade Federal de São João del-Rei – a 155 quilômetros – suspenderam as atividades acadêmicas de graduação e pós-graduação nos dias 23 e 26 de outubro.
As datas correspondem à sexta-feira anterior e à segunda-feira posterior ao segundo turno das Eleições presidenciais. A medida foi tomada para facilitar o retorno de alunos de outras cidades a seus domicílios eleitorais.
Na quarta-feira (7), a UFLA publicou nota reforçando que “a medida aplica-se indistintamente aos estudantes, independentemente de escolhas ou posicionamentos político-eleitorais, e busca assegurar condições para o exercício do voto”. Também afirma demonstrar o “compromisso da Universidade com os valores democráticos, a cidadania, a impessoalidade e a neutralidade institucional”.
“Entre as motivações apresentadas está, ainda”, prossegue o texto, “a importância de preservar, durante o período eleitoral, um ambiente universitário pautado pelo respeito, pelo diálogo e pela convivência democrática”.
Já na quinta-feira (8), a UFSJ publicou uma resolução em que toma a decisão considerando o artigo 14 da Constituição Federal – “A soberania popular será exercida pelo sufrágio universal e pelo voto direto e secreto, com valor igual para todos” –, um ofício do Diretório Central dos Estudantes da mesma data, e a solicitação encaminhada pelo Coordenador do Curso de Engenharia de Produção.
A Tribuna não encontrou aderência ao movimento confirmada em nenhuma outra Universidade Federal do estado, e questionou diretamente à Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) e à Universidade Federal de Viçosa (UFV), da Zona da Mata e Campo das Vertentes, se a suspensão faz parte dos planos das instituições.
A UFJF se limitou a dizer que “o assunto será discutido internamente, e que informará caso haja alguma decisão nesse sentido”.
Na UFV, não haverá suspensão. “Será seguido o calendário escolar aprovado pelo Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão, assim como ocorreu no primeiro turno das eleições”, diz a nota enviada à Tribuna. “Os dias 23 e 26, portanto, serão dias letivos normais. Houve, no entanto, uma orientação para que não sejam aplicadas provas na véspera da eleição, para não dificultar o deslocamento daqueles que queiram participar da votação no segundo turno.”
A reportagem também questionou o mesmo à Universidade Federal de Alfenas (UNIFAL-MG), já que um abaixo-assinado criado por uma estudante pede a suspensão à reitoria e já conta com mais de 4.420 assinaturas, de um universo de 7.735 estudantes.
“A logística de deslocamento de estudantes para cidades distantes é complexa e nem sempre é possível dentro de um curto espaço de tempo, especialmente em uma situação em que muitos outros estarão viajando pelo mesmo motivo”, argumenta a estudante. “Além disso, a suspensão das aulas por um curto período seria um ajuste simples, mas altamente significativo, que demonstraria o apoio da instituição à prática democrática”.
A matéria será atualizada caso haja retorno das Universidades.

