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“Com foco na segurança do cidadão, vamos colocar 200 mil câmeras de reconhecimento facial nas ruas de Minas Gerais”, promete Flávio Roscoe, candidato ao governo estadual pelo PL. A entrevista, ocorrida nessa quinta (17), dá continuidade a série de sabatinas que a Rede Tribuna de Comunicação tem feito, a partir da edição 2026 do projeto Voto e Cidadania, com os principais postulantes ao Poder Executivo mineiro. Na perspectiva do político, esse investimento mudaria radicalmente a dinâmica do crime e da segurança pública do estado.

Ainda no tema, comentou sobre o déficit prisional em Minas.

“Hoje, as pessoas estão presas. Quem circula livremente é o bandido, que não fica roubando 24 horas por dia, sete dias por semana: ele vai ao supermercado, vai jogar bola, toma uma com os amigos. Ele tem vida cotidiana e faz isso livremente, porque os nossos policiais militares não têm uma memória fotográfica e sabem quem são os 20 mil foragidos ou condenados que estão circulando em Minas Gerais. Ninguém sabe. Na hora que colocar as câmeras, o bandido vai perder a liberdade de andar pelas ruas do estado”, complementou.

A ideia, nas falas do candidato, é que as câmeras multipliquem a ação policial da Polícia Militar. Além disso, os equipamentos também serviriam para registrar crimes, bem como acompanhar toda a movimentação da situação.

“Elas vão dar uma sensação de segurança e inibir a ação, pelo menos a mais ostensiva dos bandidos. Isso já existe no resto do mundo e reduziu muito a criminalidade, não estou inventando a roda”, ressaltou.

Em relação ao déficit prisional, o Centro de Remanejamento Provisório do Sistema Prisional de Juiz de Fora (Ceresp) segue com superlotação superior a 200%. Roscoe destacou que o problema envolve o estado inteiro, da ordem de 50% das vagas prisionais.

“O Flávio Bolsonaro já assumiu o compromisso comigo de fazer 50 mil novas vagas, ou seja, criar presídios novos com recurso federal para que a gente dobre a capacidade do sistema. Com isso a gente vai resolver o problema”, garantiu.

”Estado, ano que vem, já não paga suas contas”

Com relação aos gargalos do Estado em diversos âmbitos, como na Polícia Civil e com os profissionais da educação, Roscoe demonstrou acreditar que a resolução será feita a partir do impulsionamento da economia por meio do que ele tem chamado de ”destravamento”.

“Vamos fazer com que tenhamos dinheiro para as prioridades – mas eu não vou prometer antes que tenha o dinheiro. O Estado, ano que vem, já não paga as suas contas. O débito em 2027 é de R$ 8 bilhões. E ele não é o Governo federal, que pode emitir dinheiro. Na sua casa, se você está devendo R$ 500, você vai ter que cortar R$ 500 nas suas despesas. O Estado é a mesma coisa. Não tem como assumir novas despesas”, pontuou.

Segundo o candidato, no ano que vem, se nada for feito logo no primeiro mês, não haverá recurso para pagar as contas estaduais.

“Esse ano, o Governo só vai pagar o 13º salário porque vendeu a folha – só que você só vende a folha uma vez a cada cinco anos. Não há folha pra vender, Copasa para privatizar: não tem fonte de receita nova. Se nós não fizermos o destravamento, nós vamos ter um problema sério para pagar as contas. Primeiro, vamos ter que racionar as contas”, afirmou.

A situação fiscal de Minas Gerais traz, hoje, contornos trágicos, conforme sinalizado por Roscoe. A solução para o quadro, na perspectiva dele, é desburocratizar para que a economia volte a fluir.

“Tem R$ 250 bilhões no mínimo represados hoje. Com esse dinheiro entrando na economia, imediatamente, com o ‘revogaço’ que vamos fazer, vai gerar a capacidade para fazermos investimentos”, refletiu.

Mais tecnologia para a saúde

Para a saúde, assim como em todas as áreas do governo, a ideia é agregar a tecnologia.

“Hoje, o nosso governo é muito pouco tecnológico. Com isso, a produtividade é baixa, o que onera o custo governamental. Na saúde, será a mesma coisa”, comentou.

Ele também ressaltou que irá levar para o interior, principalmente para as pequenas e médias cidades que não têm leitos de UTI e CTI (e não fazem cirurgias de alta complexidade).

“Isso faz com que sejam transferidas para os grandes centros, o que só aumenta a fila já enorme”, projetou.

Segundo ele, será necessária a criação de leitos de CTI e UTI nos hospitais filantrópicos ou até mesmo nos particulares.

“De quatro a seis leitos em uma cidade de médio porte, de 50 mil habitantes, já resolve o problema dela. O paciente vai fazer a cirurgia de grande porte lá, em vez de se deslocar, às vezes, 300 quilômetros para fazer um procedimento de alta complexidade. Com isso, ele vai ter também o cuidado da família, que estarão por perto. Esse é o grande gargalo da saúde, a grande queixa da população”, desenhou.

No mesmo tema, ele acrescentou que serão instalados equipamentos de telemedicina, como já é o caso de alguns planos de saúde para atendimentos preliminares para os cidadãos.

“Vamos desenvolver um aplicativo com inteligência artificial. A pessoa irá entrar, descrever os sintomas e o aplicativo vai indicar qual unidade de saúde, na sua possibilidade, está mais indicada para que ela vá e qual profissional deve procurar”, idealizou.

Medidas para a indústria

Além de candidato ao Governo de Minas, Flávio Roscoe é presidente licenciado da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg) e tem atuação no setor têxtil. Em reportagem publicada pra Tribuna de Minas em setembro, empreendedores de Juiz de Fora na área ressaltaram que a tradição industrial da cidade não é o suficiente para o setor. As políticas públicas são necessárias para apoiar a área.

Pelo momento atual, o candidato defendeu que quem segue no setor têxtil “já tem um atestado de gestão extraordinária”.

“É uma pena que o Brasil tenha feito e segue fazendo escolhas equivocadas, relegando setores importantes à destruição quase que completa. Juiz de Fora mesmo perdeu quase que todo seu parque têxtil. Hoje, restam fábricas de meia e confecção, mas indústrias não temos mais, o que é uma pena”, lamentou.

Em relação à solução, sem alteração de legislação – apenas da competência do governador, para não depender de Congresso Nacional ou Assembleia Legislativa -, Roscoe disse que o Estado, “infelizmente, exerce um papel que não é incentivador de quem quer gerar emprego e renda: é um carrasco”.

“Temos que reverter isso para que a prosperidade flua. Serão mais de 200 medidas que, inclusive, vão impulsionar e muito o setor têxtil, bem como todos os setores. Juiz de Fora é uma região que padece de investimentos-âncoras. A gente acha que, com essa desburocratização, vamos conseguir levar grandes empresas para a cidade em um curto espaço de tempo”, finalizou.