Dificuldades em campanha política todo candidato tem, ainda mais em um ambiente polarizado, turbinado por redes sociais, por linchamentos virtuais e pela sufocante judicialização.
O problema é quando as dificuldades são criadas dentro da própria campanha. É o que vem acontecendo com o senador Flávio Bolsonaro, até aqui o candidato de oposição melhor nas pesquisas – pelo menos as de primeiro turno. Falta bem pouco tempo para ser ungido o candidato do PL para as eleições presidenciais.
Mas ungido sozinho, sem o apoio até aqui de agremiações do centrão. A culpa disso é do próprio Flávio. Que se enrolou em brigas familiares com graves repercussões na formação de palanques.
Enrolou-se com candidatos em sua base eleitoral, o Rio de Janeiro, alvos da polícia. Enrolou-se com o escândalo do Master – que afeta vários grupos políticos, o que apenas o torna um igual aos outros que ele critica.
E, finalmente, pela escolha de temas. Ao reunir-se com dezenas de embaixadores de outros países, Flávio escolheu falar de urnas eletrônicas no Brasil.
Um tipo de obsessão característica da franja da franja do espectro político, num momento em que outras forças políticas combinaram entre si que urnas não são um problema urgente destas eleições.
Neste ponto da campanha, Flávio acumula mais notas de desmentido, justificativas e explicações do que ações – como se diz na gíria da marquetagem – propositivas. Não é hora, para qualquer candidato, de qualquer partido, deixar que surjam ou sequer que permaneçam dúvidas sobre ele ou ela.
Mas é exatamente o que Flávio está conseguindo.

