A todos vale a presunção de inocência. E por isso não se pode acusar Lulinha, o filho do presidente Lula (PT) — ou qualquer outra pessoa — como culpado, até que seja investigado, caso necessário for seja julgado e, eventualmente, condenado.

Do ponto de vista político, porém, a abertura de um terceiro inquérito pela PF (Polícia Federal) contra o filho do presidente, por suspeita de tráfico de influência já causou um considerável abalo político.

Não, não é só a questão eleitoral — é bastante óbvio que a oposição ganha munição contra o presidente ainda mais num ambiente tão carregado e que vai piorando com as eleições a exatos dois meses de distância.

É a questão do funcionamento das instituições de Estado que está em jogo. No caso dos inquéritos envolvendo Lulinha, o que veio a público até aqui são claras manobras para alterar a condução de investigações.

Leia-se mover peças dentro da Polícia Federal. Quem moveria? Por onde? Pelo Supremo, por onde poderia ser? Pois é no Supremo que se concentram hoje não só as investigações dos principais escândalos do país.

E um dos personagens em um deles — o tal careca do INSS — é que surge com insistência numa espécie de triangulação envolvendo Lulinha e empresária amiga. Segundo a própria Polícia Federal. O interesse do Supremo é político.

Uma das alas da Corte tem enorme interesse no resultado das eleições — portanto, em tudo que possa influir de alguma maneira nessa decisão. Como o nome do filho do presidente.

E qual o interesse do STF nas eleições? A sobrevivência do grupo hoje dominante.