No curto prazo, as repercussões de novas denúncias que apontam para uma relação financeira entre o senador e presidenciável Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro tendem a ser bem modestas.

Essas novas denúncias devem ter um impacto eleitoral menor do que o vazamento do áudio entre Flávio e Vorcaro, dado que uma suposta relação financeira é menos impactante do que escutar o áudio entre os dois.

Além disso, outros candidatos da direita — Ronaldo Caiado (PSD), Romeu Zema (Novo) e Renan Santos (Missão) — simplesmente não são conhecidos perante o eleitorado como um todo.

Se a intenção de voto do Flávio não despencar, dificilmente vai haver um abandono da sua candidatura nesse ponto do jogo.

Mas olhando para a campanha eleitoral, aí sim: essas denúncias podem começar a pesar um pouco mais, porque elas devem ser utilizadas na campanha não só do PT, mas também de outras candidaturas da direita que estão querendo enfraquecer o Flávio para poder chegar em um eventual segundo turno.

O que nós estamos vendo na campanha do Flávio Bolsonaro é que ela está acumulando passivos que podem ser utilizados quando a campanha começar para valer, daqui a um mês.

Isso sugere que nessa eleição, talvez uma das grandes surpresas, ainda que pouco provável, seja que uma outra candidatura da direita ameace a posição de Flávio Bolsonaro para chegar no segundo turno contra o presidente Lula (PT).

* Christopher Garman é mestre em ciências políticas, pesquisador e diretor-executivo para as Américas da Eurasia Group. Este texto foi transcrito em primeira pessoa de análise em vídeo para o WW