O primeiro debate entre candidatos aos governos estaduais foi realizado neste domingo (9), às 20h, pela TV Bandeirantes. O debate foi realizado em 11 estados, entre eles São Paulo, Rio de Janeiro, Bahia, Paraná, Ceará, e também no Distrito Federal.

No caso de São Paulo, o debate contará com apenas com a participação de Tarcísio de Freitas (Republicanos), que tenta a reeleição, e do ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad (PT).

Ao chegar, Tarcísio de Freitas afirmou que o debate servirá para prestar contas aos eleitores. “O estado de São Paulo que a gente quer é o estado mais moderno, mais digital, com o melhor serviço do mundo, mais próximo do cidadão. E é isso que a gente vai procurar mostrar no dia de hoje.”

Já o candidato Fernando Haddad disse esperar por um debate de altíssimo nível e citou apresentação de propostas. “Acredito realmente que nós possamos fazer um debate de altíssimo nível aqui, respeitando o paulista, sempre tentando trazer elementos que contribuem para que o eleitor decida o voto.”

No caso do Rio de Janeiro, participam André Marinho (Novo), Anthony Garotinho (Republicanos) e Douglas Ruas (PL). O ex-prefeito da capital Eduardo Paes (PSD) informou neste domingo que não irá ao debate.

A coordenação da campanha de Paes tomou a decisão após uma orientação do departamento jurídico, segundo nota. A CNN Brasil questionou quais seriam os possíveis entraves legais, mas ainda não teve retorno.

Confira outros estados e candidatos que participam dos debates promovidos pela Band neste domingo.

Amazonas

Na disputa pelo governo do Amazonas, participam David Almeida (Avante), Isael Munduruku (Rede), Omar Aziz (PSD), Professora Maria do Carmo (PL) e Roberto Cidade (União).

Bahia

Na disputa pelo governo da Bahia, participam do debate ACM Neto (União Brasil), Jerônimo Rodrigues (PT) e Ronaldo Mansur (PSOL).

Questionados sobre feminicídio, o candidato ACM Neto afirmou que a proposta é trazer apoio financeiro para mulheres de baixa renda por até 24 meses. “Porque sabemos que o agressor está dentro de casa e ela não denuncia por medo de não ter o sustento. Queremos mulher independente.”

Já Jerônimo citou o projeto Ronda Maria da Penha, que promove acompanhamento da Polícia Militar para vítimas de violência doméstica, o programa educacional conhecido como “Oxe, me respeite” e defendeu “tirar da nossa cultura, banir mulheres mortas por serem mulheres.”

O candidato Mansur citou que esse é um problema nacional e que é preciso ter delegacias que funcionem 24 horas. Ele também citou uma frase do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), afirmando que “atos machistas, como defendeu Bolsonaro, precisam ser combatidos”.

Ceará

Na disputa pelo Palácio da Abolição, participam Ciro Gomes (PSDB) e Elmano de Freitas (PT). O candidato Pedro Brito (Novo) anunciou que não irá participar.

Durante o debate, Ciro Gomes afirmou que a segurança pública do estado é frágil. “Facção criminosa e crime organizado não se combate com aparato. Como se enfrenta? Inteligência. A estrutura de inteligência do Ceará é frágil, não está conectada com o aparato nacional.”

Em resposta, Elmano afirmou que Ciro não tem conhecimento das últimas mudanças realizadas no âmbito da inteligência da segurança do estado. “Você está há muito tempo longe do Ceará. O que estamos fazendo na segurança pública é um fortalecimento da nossa corporação. Queria que você, como deputado, tivesse aprovado um projeto antifacção como o presidente Lula.”

Distrito Federal

O debate para o governo do Distrito Federal terá a participação de Celina Leão (PP), José Roberto Arruda (PSD), Kiko Caputo (Novo), Leandro Grass (PT), Paula Belmonte (PSDB) e Ricardo Cappelli (PSB).

Ricardo e Celina protagonizaram uma troca de farpas durante o debate. Cappelli questionou a atual governadora sobre os recursos da saúde e relembrou o período em que ela foi afastada do cargo de presidente da Câmara devido a uma investigação de corrupção no governo.

Celina rebateu e disse que os recursos da saúde foram investidos em médicos, que, no período em que atuava na Câmara, foi “inocentada”, e chamou Cappelli de “forasteiro” por não conhecer a cidade.

“Moro aqui há 23 anos. Sabe por que ela me ataca? Porque eu não participo dessa panela política apodrecida do Distrito Federal. Me chamam de forasteiro, mas é porque eu nunca participei dessa panela. Por isso, eu tenho coragem, autonomia para intervir na saúde”, disse Cappelli.

“O senhor acha que foi herói do dia 8 de janeiro. Mas foram as nossas forças de segurança que restabeleceram todos os poderes. O senhor realmente é um forasteiro, não sabe nem pegar ônibus na nossa cidade. Pega até o ônibus errado e sobe no Instagram. Quer saber o que aconteceu na CPI da Saúde? O vice do seu governador à época denunciou que tinha 30% e propina na saúde”, respondeu Celina.

Paula e Grass criticaram a educação nas gestões do ex-governador Ibaneis Rocha e de Celina.

“Sou a deputada que mais coloca dinheiro na educação do Distrito Federal (…) O governo Celina Leão e Ibaneis Rocha cancelou R$ 50 milhões para a educação no ano passado. E R$ 11 milhões que nós colocamos hoje para a educação a Celina não aprovou. Corrupção mata criança, mata sonhos”, disse Paula.

“Este governo está dizendo que está tirando a fila da creche, mas, na verdade, está tirando as pessoas e colocando atrás da porta. Porque, quando a pessoa diz que não quer a creche longe de casa, ela sai da fila. Zerar a fila de creche, escola integral, não é só mais tempo na escola. É escola com arte, ciência, tecnologia, é escola com esporte”, afirmou Leandro.

Enquanto Kiko disse que, no atual governo, a mobilidade foi “deixada de lado” e que sua proposta consiste em ampliar a infraestrutura do Distrito Federal, como rodovias e transporte sobre trilhos.

“A gente pretende apostar no transporte sobre trilhos. Não só trazendo o trem de Luziânia, mas ampliar o metrô até o Sol Nascente, Pôr do Sol e também até o final de Samambaia. Precisamos abrir quatro novas estradas-parque: uma saindo de Brazlândia, passando pelo fundo da Estrutural; outra em Planaltina; fazer a segunda ponte do Lago Norte e também fazer a Estrada-Parque de Águas Claras e a do Encanto.”

Goiás

O debate entre os candidato ao governo de Goiás contará com Luis Cesar Bueno (PT), Marconi Perillo (PSDB) e Wilder Morais (PL).

Maranhão

Na disputa pelo Palácio dos Leões, participam André Luís (Missão), Eduardo Braide (PSD), Felipe Camarão (PT), Orleans Brandão (MDB), Reginaldo Lima (PCB), Roberto Rocha (PRTB) e Saulo Arcangeli (PSTU).

Minas Gerais

No caso do estado de Minas Gerais, o debate foi adiado para o dia 16 de agosto. A mudança ocorreu por conta da indefinição no cenário eleitoral mineiro.

Paraíba

Na disputa pelo Palácio da Redenção, participam Cícero Lucena (MDB), Efraim Filho (PL) e Lucas Ribeiro (PP), candidato à reeleição.

Paraná

O debate entre os candidatos ao governo do Paraná contará com Requião Filho (PDT) e Sandro Alex (PSD). Já Sergio Moro (PL) anunciou hoje que não irá ao debate. Segundo Moro, os debates eleitorais se transformaram em uma “rinha de galo”. Ao final do debate será realizada uma entrevista de 10 minutos com cada um dos candidatos.

Durante o debate, Sandro questionou Requião se fecharia as escolas cívico-militares, que, segundo ele, tiveram um bom desempenho no Ideb. Em resposta, Alex afirmou que “não vai fechar as escolas”, mas que vão “rever o modelo”, porque “não é um modelo pedagógico, é um modelo de propaganda, que não traz grandes resultados”.

“Nós fazemos educação por metodologia e não por ideologia. Eles não querem as escolas cívico-militares, que são uma referência. Temos mais de 10 mil famílias aguardando. Não vou permitir que eles fechem. Nós vamos ampliar para atender os pais”, rebateu Sandro.

Piauí

Na disputa pelo governo do Piauí, participam Dra. Lúcia Santos (PSDB), Gisvaldo Oliveira (PSOL), Gustavo Henrique (Avante), Joel Rodrigues (Progressistas) e Rafael Fonteles (PT).

São Paulo

Durante o debate, Tarcísio disse que seu oponente estava focado em citar o ex-presidente Jair Bolsonaro e afirmou: “Esquece o Bolsonaro, você não está concorrendo contra ele mais.” O governador de São Paulo disse que o ex-presidente “estendeu a mão” e que não tem “vergonha, vou ter sempre gratidão”.

Haddad relembrou quando Tarcísio havia feito uma negativa sobre o antigo presidente do Banco Central, na gestão de Bolsonaro, Roberto Campos Neto. “Diz que aconselharia o presidente da República a não colocar o Roberto Campos na presidência do BC nunca mais.”

Rio de Janeiro

Os candidatos protagonizaram trocas de farpas entre os presidenciáveis que apoiam. Siri disse defender seu candidato à Presidência, Lula, enquanto Marinho “não sabe em quem vai votar”. “No Zema, que é do partido dele, ou no Flávio Bolsonaro, porque estava brigando com o Bolsonaro e agora fizeram as pazes. Mas é aquela coisa, é somente no momento da política.”

Além disso, os candidatos alfinetaram a ausência de Eduardo Paes no debate. Ao criticar a segurança pública do estado, Marinho o chamou de candidato “fujão”.

“Com um candidato fujão como Eduardo Paes, ele, que não foi capaz de tirar o lixo das favelas, vai ser capaz de tirar os fuzis, os mesmos blindados da própria Marinha que foram negados pelo governo Lula ao governo do Estado ali na megaoperação Contenção? É essa gente que ele anda junto. E, no momento em que o sujeito foge do debate, ele claramente não vai ter capacidade nenhuma de localizar os chefões do tráfico.”

Por sua vez, Douglas Ruas defendeu alterar a política pública do estado e disse que vai priorizar a retomada do território.

“Nós precisamos alterar a política de segurança pública, garantir aos nossos policiais que eles possam ter todo o apoio do Estado para cumprir a missão, que é servir e proteger a nossa população de bem. Nós vamos também criar a advocacia do policial para que ele possa ser assistido desde o primeiro momento, no registro de ocorrência na delegacia, até o final do processo.”

Rio Grande do Norte

O debate entre os candidatos ao governo do Rio Grande do Norte contará com Allyson Bezerra (União Brasil), Álvaro Dias (PL), Cadu de Lula (PT) e Robério Paulino (PSOL).

Rio Grande do Sul

Na disputa pelo Palácio Piratini, participam Gabriel Souza (MDB), Juliana Brizola (PDT), Luciano Zucco (PL) e Marcelo Maranata (PSDB).

Durante o debate, Zucco defendeu priorizar a educação. Segundo ele, só assim será possível construir um estado forte. “Educação é algo que a gente tem que priorizar desde o primeiro dia. Não existe um estado ou uma nação que não seja pujante pela educação. Aumentaram uns índices, mas não como gostaríamos.”

Já Brizola afirmou a importância do ensino técnico junto ao ensino médio integral para os jovens. “Precisamos dar a opção para os nossos jovens do ensino médio de fazerem ensino técnico. Queremos a escola de tempo integral junto ao estudo técnico.”

Maranata priorizou em seu discurso a segurança pública e disse ser necessário combater o crime organizado não apenas com “policiamento”, mas também com “inteligência”. “A gente precisa de PF, PM, PC e todo mundo trabalhando de forma organizada, para chegarmos aos call centers que estão controlando o crime organizado. O crime está na cidade e precisamos mapear isso com o governo estadual, federal e grandes empresários.”

Souza afirmou que, neste ano, 50 mil jovens que estão no ensino médio já estão matriculados em cursos técnicos e que o objetivo é aumentar esse número. Uma das formas será por meio da aquisição de vagas no Sistema S, no Sesc, Senac, Sesi e Senai, “para que a gente possa utilizar, junto com as universidades comunitárias e outras, essa rede que já está instalada, mais barata, mais eficiente para os jovens terem profissão em ensino técnico.”