Ronaldo Caiado (PSD) afirmou, em entrevista à Itatiaia, que venceria o atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) caso chegue ao segundo turno das eleições presidenciais. Na mesma declaração, Caiado argumentou que Flávio Bolsonaro (PL-RJ), ao contrário, não teria condições de derrotar Lula em um eventual confronto direto.
A apuração é do analista de Política da CNN Pedro Venceslau ao CNN 360°.
Em suas palavras, Caiado foi categórico: “Se o eleitor me levar para o segundo turno, eu ganho do PT. As pesquisas demonstram isso. Se o Flávio for para o segundo turno, o Lula é reeleito. As pesquisas mostram isso. Isso é matemático. Eu não estou aqui fazendo interpretação na tese do achismo.”
Caiado também sugeriu que Flávio teria dificuldades em debates e que denúncias recorrentes atingiriam sua candidatura.
Campanha do PL opta pelo silêncio estratégico
Pedro Venceslau apurou que a campanha de Flávio Bolsonaro decidiu não responder às provocações de Caiado.
Segundo uma fonte do PL consultada por Venceslau, “o Flávio não vai aceitar esse convite para dançar com o Ronaldo Caiado.”
A avaliação interna é de que responder às críticas — por mais duras que sejam — seria, nas palavras da fonte, “morder a isca”, além de conferir visibilidade a um adversário que ainda busca consolidar seu espaço no campo da direita.
De acordo com Venceslau, a lógica da campanha do PL é preservar relações com outras lideranças da oposição pensando em um eventual segundo turno.
“Se houver uma escalada dessa relação, se o Flávio responder, isso pode acabar estremecendo uma relação que depois, se Flávio Bolsonaro for mesmo para o segundo turno, vai ser importante de ser retomada”, explicou o analista.
PL confia em eleitorado consolidado e aposta em frente ampla
Venceslau destacou que há uma convicção tanto na campanha do PL quanto entre aliados de Lula de que Flávio Bolsonaro deve chegar ao segundo turno.
“Por mais desgastes que ele tenha sofrido, o Flávio Bolsonaro continua ali pontuando, performando como o nome mais forte para enfrentar o presidente Lula”, afirmou.
A leitura no PL é de que Flávio teria ao menos 30% do eleitorado consolidado, mesmo diante de eventuais novas revelações ou investigações.
Para o segundo turno, a estratégia da campanha seria construir uma ampla coalizão de apoio.
Segundo Venceslau, há a crença de que figuras como Romeu Zema e o próprio Caiado estariam no palanque de Flávio, defendendo o chamado “voto útil” contra o PT.
O analista comparou essa movimentação à estratégia de frente ampla utilizada por Lula em 2022, quando reuniu políticos de diferentes espectros, além de lideranças da sociedade civil, intelectuais e artistas, para enfrentar Jair Bolsonaro.
“Para que esse movimento seja criado e seja consistente, é importante que não se criem brigas que não possam ser recompostas no eventual segundo turno”, concluiu Venceslau.

