Juntos na disputa pela Presidência, com uma chapa formada por Luiz Inácio Lula da Silva e Geraldo Alckmin, PT (Partido dos Trabalhadores) e PSB (Partido Socialista Brasileiro) não serão aliados para a disputa das eleições de 2026 em cinco estados do Brasil.

As legendas estarão divididas no Paraná, Espírito Santo, Roraima, Amazonas e Distrito Federal, segundo levantamento da CNN Brasil. Em três deles (AM, ES e DF), os partidos serão adversários e, nos outros dois (PR e RR), o PSB adotou neutralidade.

O consenso entre dirigentes de ambas as siglas, contudo, é de que os partidos se aproximaram nos últimos quatro anos. Em 2022, no início da campanha eleitoral, PT e PSB estavam em lados opostos em 12 estados.

A união de Lula e Alckmin beneficiou a conciliação, avaliam fontes. O avanço da direita e centro-direita no Congresso Nacional também teria impulsionado essa aproximação.

Enquanto o PT terá doze candidatos próprios na disputa de governos estaduais, o PSB tem a cabeça de chapa em quatro.

O presidente nacional do PSB e ex-prefeito do Recife, João Campos, foi fundamental para a ampliação da relação entre os dois partidos. Em algumas localidades estratégicas, foi preciso a interferência direta dele para que os diretórios regionais seguissem o alinhamento nacional.

É o caso de Minas Gerais, onde a presidência estadual esteve perto de compor chapa com outros partidos diante das resistências internas e das discordâncias nas tratativas com o PT.

Candidato ao governo de Pernambuco em uma disputa que tende a ser acirrada contra a governadora Raquel Lyra (PSD), Campos precisará se agarrar à imagem do presidente Lula, que tem forte apoio no estado.

As divisões

No Paraná, o PT apoia a candidatura de Requião Filho (PDT), enquanto o PSB estará neutro.

Por trás da posição, há uma história curiosa que levanta mágoas de um passado de 26 anos atrás, quando o então senador Roberto Requião — pai de Requião Filho — chamou o ex-governador de Pernambuco, bisavô de João Campos e expoente histórico do PSB, Miguel Arraes, de “bandido”. O insulto foi durante um pronunciamento no plenário do Senado Federal.

O episódio foi relembrado em 2026 e apresentado como uma das motivações para que pessebistas dessem “chance zero” do partido caminhar com o PDT no Paraná e, consequentemente, estar ao lado do PT no estado.

Já no Espírito Santo, o PT lançará o deputado federal Helder Salomão, enquanto o PSB apoiará a candidatura do governador Ricardo Ferraço (MDB) – que tem em sua chapa o ex-governador Renato Casagrande (PSB) como postulante ao Senado Federal.

No Amazonas, o PT apoiará o senador Omar Aziz (PSD). Enquanto isso, o PSB apoiará a candidatura do governador Roberto Cidade (União) e indicou o vice-governador Serafim Corrêa (PSB) para concorrer em sua chapa como vice. Em Roraima, ambos estarão neutros na disputa.

Já no Distrito Federal, o PT lançou Leandro Grass, e o PSB, Ricardo Cappelli. Houve negociações até a reta final do prazo, mas um não queria ser vice do outro. A aposta dos partidos é de que possa haver uma unificação sem formar uma chapa conjunta, ou seja, alguém desiste e apoia o outro.

Os partidos estarão juntos nos estados com as seguintes candidaturas:

  • Rio Grande do Sul: Juliana Brizola (PDT)
  • Santa Catarina: Gerson Merisio (PSB)
  • São Paulo: Fernando Haddad (SP)
  • Rio de Janeiro: Eduardo Paes (PSD)
  • Minas Gerais: Patrus Ananias (PT)
  • Mato Grosso do Sul: Fábio Trad (PT)
  • Mato Grosso: Natália Slhessarenko (PSD)
  • Goiás: Luis César Bueno (PT)
  • Distrito Federal: Ricardo Cappelli (PSB)
  • Bahia: Jerônimo Rodrigues (PT)
  • Sergipe: Fábio Mitidieri (PSD)
  • Alagoas: Renan Filho (MDB)
  • Pernambuco: João Campos (PSB)
  • Paraíba: Lucas Ribeiro (PP)
  • Rio Grande do Norte: Cadu Xavier (PT)
  • Ceará: Elmano de Freitas (PT)
  • Maranhão: Felipe Camarão (PT)
  • Piauí: Rafael Fonteles (PT)
  • Tocantins: Laurez Moreira (PSD)
  • Pará: Hana Ghassan (MDB)
  • Rondônia: Expedito Netto (PT)
  • Amapá: Clécio Luís (União)
  • Acre: Thor Dantas (PSB)