O comentarista da CNN José Eduardo Cardozo e o empresário Leonardo Bortoletto debateram, na quinta-feira (23), em O Grande Debate (de segunda a sexta-feira, às 23h), sobre “Dark Horse”: Qual o impacto do inquérito sobre filme para Flávio Bolsonaro?
O ministro André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federal), autorizou a Polícia Federal a investigar os repasses financeiros destinados ao filme “Dark Horse”, produção que conta a história do ex-presidente Jair Bolsonaro. A decisão determina que a PF apure os montantes enviados pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro a pedido de Flávio Bolsonaro, com o objetivo de verificar se os recursos foram de fato destinados aos fins indicados pelas notas fiscais.
Segundo as informações divulgadas, Vorcaro pagou mais de 60 milhões de reais para financiar o longa-metragem. Diálogos divulgados pelo site Intercept Brasil mostram conversas entre Flávio Bolsonaro e Vorcaro sobre o filme. Em um áudio de 8 de setembro do ano passado, Flávio Bolsonaro teria manifestado preocupação com atrasos nos pagamentos da produção.
O impacto do inquérito na pré-campanha de Flávio Bolsonaro
Leonardo Bortoletto avaliou que o impacto negativo do inquérito dependerá do resultado das investigações. “O impacto negativo final só terá se o filme Dark Horse, de alguma forma e de maneira efetiva e comprovada, foi um palco para ilícitos”, afirmou.
Para o empresário, a abertura do inquérito representa uma oportunidade de sair do campo das suposições e apurar efetivamente a destinação dos recursos. Ele destacou que o caminho do dinheiro — da origem ao destino final — precisará ser comprovado pela investigação.
Bortoleto também ressaltou que a duração do inquérito será determinante para a campanha de Flávio Bolsonaro. “Se o inquérito se desenrolar ao ponto de não termos esclarecido efetivamente qual foi a finalidade do filme, o prejuízo para a campanha de Flávio Bolsonaro, sem sombra de dúvida, é grande”, disse. Ele sugeriu que, caso o inquérito se prolongue, a melhor estratégia seria antecipar a apresentação da destinação dos recursos.
José Eduardo Cardozo, por sua vez, enumerou uma série de fatos que, segundo ele, tornam a situação “gravíssima e delicadíssima” para a família Bolsonaro. Cardozo lembrou que, ao ser questionado por um repórter do Intercept sobre o financiamento do filme, Flávio Bolsonaro reagiu com ironia, classificando a pergunta como sendo de um militante — atitude que, para o comentarista, sugeria intenção de ocultar informações. “Quem não faz nada errado, quer omitir, por quê?”, questionou.
Cardozo também destacou que os 60 milhões de reais pagos por Vorcaro representariam um valor quatro vezes superior ao arrecadado pelo filme brasileiro que ganhou o Oscar.
Além disso, o comentarista apontou que o dinheiro teria sido remetido aos Estados Unidos em circunstâncias que considera suspeitas, e que o despacho de André Mendonça menciona diálogos de Eduardo Bolsonaro orientando como a remessa deveria ser feita de forma parcelada. “As primeiras declarações da produtora que fez o filme dizem que o dinheiro não chegou lá“, acrescentou o comentarista, concluindo que a situação é “trágica” para Flávio.

