O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, demitiu nesta sexta-feira (16) Katie Zacharia do cargo de secretária de imprensa da Casa Branca, segundo assessores ouvidos pela CNN. A saída encerra uma passagem de apenas uma semana, marcada por críticas à primeira coletiva e questionamentos sobre a maneira como ela apresentava suas credenciais jurídicas.

Antes de a demissão ser divulgada, Trump já havia sinalizado publicamente que a permanência da porta-voz estava comprometida. Ao deixar Washington para um comício na Geórgia, contou que recomendou a Zacharia reconsiderar o cargo.

“Sinceramente, se eu fosse você, reconsideraria”, afirmou o presidente, ao reproduzir a conversa.

Trump elogiou a lealdade da assessora e disse que ela havia sido maltratada pela imprensa. Mas também questionou sua adaptação à função.

“Katie, você precisa disso? Acho que você não precisa disso”, relatou. “Talvez isso não seja para ela”, acrescentou.

Escolhida em 9 de outubro para substituir Karoline Leavitt, Zacharia havia chamado a atenção do presidente como comentarista conservadora na televisão. Antes da nomeação, trabalhava na comunicação da Trump Media & Technology Group, empresa ligada à Truth Social, e havia passado pelo Departamento de Segurança Interna.

A controvérsia sobre seu currículo ganhou força depois que Trump a apresentou como “attorney”, termo usado para advogado habilitado. A Reuters informou que não encontrou registros de inscrição profissional dela em nenhum estado americano ou no Distrito de Columbia. Em resposta à agência, Zacharia afirmou que havia trabalhado com transações internacionais com todas as credenciais necessárias.

Formada em Direito pela Universidade Pepperdine em 2011, ela reconheceu na quinta-feira (15), em entrevista a Sean Hannity, da Fox News, que não passou no exame da ordem. Questionada sobre novas tentativas, respondeu que não voltou a fazer a prova.

Ao explicar a reprovação, Zacharia disse que estava recém-casada e se preparava para mudar para a China, onde o marido trabalhava. Afirmou que estava distraída e sobrecarregada naquele período e considerou o resultado da prova pouco relevante para os planos profissionais que tinha no exterior.

O ponto central da controvérsia passou a ser como ela se apresentava publicamente. Uma investigação da CNN identificou pelo menos 15 publicações compartilhadas por Zacharia, entre abril de 2025 e setembro de 2026, que a descreviam como “attorney”. Os conteúdos incluíam chamadas da Fox News e da One America News. Pelo menos uma publicação havia sido apagada.

Zacharia alegou que recebeu orientação para usar a palavra “lawyer”, em razão do diploma e da experiência internacional, mas não “attorney” ou “esquire”, denominações associadas à habilitação profissional. Essa distinção foi apresentada por ela para justificar a forma como se identificava em entrevistas.

Sobre as publicações nas redes sociais, disse que eram compartilhamentos de títulos atribuídos por terceiros e que não representavam um endosso à denominação. A explicação, porém, deixou sem esclarecer por que ela divulgou repetidamente conteúdos que empregavam justamente o termo que afirmou ter sido orientada a evitar.

Outra dúvida envolve seu trabalho na organização conservadora Fix California. Seu perfil profissional registrava o cargo de “general counsel”, normalmente associado à chefia jurídica. À Reuters, o fundador da entidade, Richard Grenell, afirmou que ela era uma assessora sênior com diferentes funções, entre elas coordenar os advogados externos.

O órgão responsável pela regulamentação da advocacia na Califórnia informou que não havia registro de Zacharia como profissional licenciada no estado. O grupo Campaign for Accountability pediu uma investigação sobre a possibilidade de ela ter apresentado suas qualificações de maneira irregular. A reclamação não representa uma conclusão de que houve infração.

As perguntas sobre o currículo se somaram à repercussão da estreia no púlpito da Casa Branca, na terça-feira (13). A coletiva durou 14 minutos, com perguntas de apenas três veículos.

Zacharia justificou que pretendia deixar tempo para Trump falar diretamente com os jornalistas e afirmou que teve pouca preparação. Posteriormente, admitiu que poderia ter feito apenas uma apresentação, sem abrir espaço para perguntas naquele momento.