
De terça-feira (15) a domingo (20), a quinta edição do Festival Internacional de Cinema e Cultura da Diversidade (Festicidi) ocupa Juiz de Fora com programação cultural gratuita que reúne cinema, debates, encontros, música e feira de artes. Neste ano, o festival homenageia o estado do Rio de Janeiro e coloca em discussão temas como racismo, diversidade LGBTQIA+, religiosidade afro-brasileira, soberania digital e os direitos e saberes dos povos originários.
Realizado pela Associação Cultural CineFanon, o Festicidi ocupa o Cinema Alameda, o IF Sudeste MG, a Praça CEU, o Mercado Municipal, o Mercado Cultural AICE, o CENPRE e a Praça Prefeito Tarcísio Delgado. Com exceção das atividades de after, sujeitas às condições dos estabelecimentos responsáveis, toda a programação é gratuita.
Com a temática “Direito à cidade, cidade de direitos – narrativa e territorialidade”, o evento propõe um convite ao debate e à reflexão sobre a ocupação do espaço urbano, a desigualdade social e os diferentes identidades que formam a sociedade brasileira.

“O Festicidi é importante porque amplia os espaços de circulação do cinema, da cultura e do debate sobre diversidade em Juiz de Fora. O festival não fica restrito a uma sala de cinema: ele ocupa diferentes equipamentos e regiões da cidade, aproximando o público de produções e narrativas que nem sempre encontram espaço nas telas e na mídia tradicional”, define Ugo Soares, organizador do evento.
Com isso em mente, a própria cidade se torna ponto essencial do festival, como acredita Ugo. Além das sessões de cinema e rodas de debate, o Festicidi conta também com atividades nas escolas E.M. Engenheiro André Rebouças, no Milho Branco, E.M. Amélia Mascarenhas, em São Bernardo, e E.M. Aurea Bicalho, no Linhares.
Ugo explica essa ocupação em diferentes espaços: “Queremos discutir também quem ocupa a cidade, como diferentes grupos são representados e quais narrativas têm espaço nos territórios. É um debate que parte do cinema, mas não termina nele”.
Programação completa do Festicidi
Com abertura nesta terça-feira, o primeiro evento da programação é o Encontro de Festivais, das 15h às 18h, no Alameda Cowork, que fica no Shopping Alameda. Já no Cine Alameda, das 19h às 22h, será realizada a abertura oficial do Festicidi.
Na quarta-feira, a programação se volta para a discussão sobre soberania digital e urbana com o IF Sudeste MG recebendo o Encontro Regional de Pontos e Pontões de Cultura, das 9h às 12h. No período da tarde, das 13h às 16h, será realizado o Fórum de Soberania Digital. Para encerrar o dia, das 17h30 às 22h, a Praça CEU recebe a Mostra ZN É O MUNDO.
O Mercado Municipal também se transforma em cinema, recebendo na sala AICE, na quinta-feira, a Mostrinha, das 10h às 12h, dentro do eixo Cine Escola. O espaço ainda recebe, das 14h às 17h, o Encontro Regional da Rede Kino – Rede Latino-americana de Educação, Cinema e Audiovisual. À noite, uma mesa de debates sobre Cotas Trans na UFJF marcada para as 19h encerra a programação do dia.
Já na sexta-feira (18), o festival coloca em evidência a produção e as discussões relacionadas à população LGBTQIA+. A Praça Prefeito Tarcísio Delgado recebe, das 18h às 22h30, uma Feira de Artes. No Mercado Cultural AICE, das 18h às 20h, serão exibidos curtas-metragens. A programação segue ainda durante a noite com um after, a partir das 23h30, no Clube Contra.
O sábado será dedicado ao eixo Afro-Latino-Caribenho. A programação começa às 14h, com o seminário O Rio de Zózimo – olho na alma do cinema negro carioca, atividade com a presença de convidados do Rio de Janeiro e internacionais, no Mercado Municipal. A partir das 16h, a cidade recebe uma atração musical do grupo de jongo, de Volta Redonda, enquanto a Feira de Artes ocupa a Praça Prefeito Tarcísio Delgado até as 22h30.
O Mercado Cultural AICE recebe, das 18h às 20h, uma seleção de curtas afro-latino-caribenhos. Na sequência, das 20h30 às 22h30, a Praça Prefeito Tarcísio Delgado recebe a exibição de um longa-metragem. O encerramento do dia fica por conta de um after, das 23h à 1h, na Maquinaria.
A programação se encerra no domingo, com foco nos povos originários. A Praça Prefeito Tarcísio Delgado recebe, a partir das 12h, uma mesa de debates acompanhada de uma Roda de Fazeres e a Feira de Artes, das 15h às 22h. No Mercado Cultural AICE, serão exibidos curtas sobre povos originários, das 16h às 18h, enquanto a Praça Prefeito Tarcísio Delgado recebe, das 19h às 21h, a exibição de um longa-metragem. A programação termina com uma atração surpresa, às 21h.
Oficinas em escolas
A Mostrinha, que integra o Festicidi, engloba o eixo específico voltado à relação entre cinema e educação, chamado Cine Escola, contemplando alunos das escolas municipais de Juiz de Fora.

“A proposta pedagógica busca aproximar os jovens da linguagem cinematográfica por meio de experiências ‘mão na massa’ com o uso de tecnologias acessíveis — celulares equipados com microfones de lapela”, explica Ugo.
Os alunos foram acompanhados por três oficineiros, com um plano de trabalho dividido em introdução da equipe e do projeto; organização das ideias e elaboração do plano de filmagem; produção e captação de imagens; e exposição dos conceitos formulados pelos grupos.
*Estagiária sob a supervisão da editora Cecilia Itaborahy

