A duas semanas do segundo turno das eleições gerais, os desdobramentos do caso Master permanecem entre os candidatos ao pleito. Nesta sexta-feira (9), foi a vez de o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) acusar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de ter recebido propina do ex-banqueiro Daniel Vorcaro. A campanha do petista rebateu a acusação e afirmou que a acusação é uma “farsa”.
Tudo começou quando a revista Veja publicou na noite de quinta-feira (8) uma reportagem com uma manchete que mencionava um áudio no qual Vorcaro teria negociado com o ex-tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, recursos para financiar a produção de um documentário sobre Lula no exterior. Segundo a reportagem, o ex-banqueiro teria detalhado o esquema em um anexo que foi levado à PGR (Procuradoria-Geral da República). O órgão, entretanto, alegou falta de provas e não avançou no caso.
Nesta sexta, Flávio comparou a suposta situação de Lula à sua, referindo-se à ligação na qual pede R$ 134 milhões a Vorcaro para a produção de um filme sobre seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro.
“Eu fui injustiçado. Vocês não sabem como é difícil disputar um cargo público tomando tanta pancada com mentira. Muita gente me pré-julgou porque eu fui pedir um patrocínio para um empresário para um filme privado sobre o ex-presidente Bolsonaro, sem nenhum tipo de contrapartida, por eu ser senador da República”, declarou Flávio à imprensa.
A diferença entre os dois casos, segundo ele, é que o seu se trata de um “financiamento”, enquanto o de Lula seria de “propina”.
“E o que nós vimos agora, com um áudio do próprio Vorcaro, dizendo o que sempre falei no dia um: ‘Com o filme do Bolsonaro não tem nada de errado. Já com o filme do Lula, foi dinheiro por fora’. Esse cara recebeu propina. Então, o Bolsonaro pediu patrocínio e o Lula pediu propina.”
Segundo a publicação da revista Veja, o empresário teria pago R$ 30 milhões em espécie ao Instituto Lula para financiar a produção de um documentário sobre o presidente no exterior.
Horas antes, a campanha de Lula já havia se manifestado, afirmando que o depoimento no qual o ex-controlador da instituição financeira, Daniel Vorcaro, teria dito que negociou supostas vantagens indevidas com o ex-tesoureiro do PT é “uma farsa”.
“Esse depoimento não existe, não há registro dele na Polícia Federal. Não há registro de delação com esse conteúdo que tenha sido aceita pelo Ministério Público e pela Polícia Federal. Portanto, uma farsa”, diz o comunicado.
Integrantes da PF (Polícia Federal) informaram à CNN Brasil que a corporação recusou a delação premiada de Vorcaro por ausência de elementos mínimos que pudessem dar credibilidade ao que ele disse.

